Redação Pragmatismo
Barbárie 22/Mar/2018 às 13:13 COMENTÁRIOS

Menina de 2 anos ajuda a solucionar assassinato da mãe

A revelação de uma menina de apenas 2 anos foi fundamental para a polícia na investigação que prendeu o homem que matou sua mãe. A criança, que foi encontrada sozinha abraçada em uma árvore, ficou oito dias em um abrigo até ser entregue à avó

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Celso Rodrigues Nunes, de 33 anos, teve a prisão temporária decretada nesta semana e se apresentou junto com seu advogado no 2º Departamento de Polícia de Votorantim (SP). Ele é acusado pela morte de Juliana Jovino em um crime que ocorreu em dezembro do ano passado.

O mais impressionante é que a investigação policial só chegou até Celso após uma revelação da filha da vítima, de apenas dois anos.

O delegado Gilberto Montenegro Costa Filho, responsável pelo caso, disse que Celso e Juliana haviam consumido drogas e a mulher desmaiou.

Imaginando que ela estava morta, o homem colocou-a no carro junto com a filha de dois anos e dirigiu até a represa, onde jogou a vítima, que acabou morrendo afogada. Após o crime ele abandonou a menina em uma rua na cidade vizinha, Sorocaba (SP), e fugiu.

A criança foi encontrada abandonada e abraçada em uma árvore. De acordo com a Polícia Militar, a menina estava só de fralda e suja quando um morador a recolheu para dentro de casa para alimentá-la e limpá-la. Em seguida, acionou a PM e a Guarda Civil Municipal.

A criança foi levada à delegacia e chegou a ficar oito dias em um abrigo. Segundo a avó, que cuida dela atualmente, a menina falou sobre a morte da mãe, o que indica que ela testemunhou o crime.

“Depois de algum tempo da morte de Juliana, achamos que ela estava melhorando, mas mesmo assim perguntava muito da mãe. Uma dia nós dissemos: ‘A mamãe está no céu’. Ela disse: ‘Mamãe está na água, não no céu’. O tio do carro vermelho deixou ela lá”, contou a avó.

A fala da menina foi crucial para o prosseguimento das investigações, já que a polícia não tinha pistas do assassino.

Depoimento

Depois de ser preso, Celso contou a sua versão da história. Em depoimento à polícia, ele disse que conheceu Juliana no dia 23 de dezembro e foi com ela à casa de uma amiga. Por volta do meio-dia de 24 de dezembro, Juliana decidiu buscar a filha em casa e levá-la até o local em que estava com o rapaz.

De lá eles foram até a casa do rapaz, em Votorantim. “O Celso relatou que os dois estavam juntos em um dos cômodos, enquanto a menina ficou brincando no quintal. Em determinado momento Juliana começou a ficar roxa e desmaiou. Ele disse que tentou acordá-la durante uma hora”, contou o delegado.

Celso disse à polícia que, desesperado e bêbado, decidiu colocar Juliana no banco de trás do carro e a criança no banco da frente. Ele então foi para Sorocaba e abandonou a menina em um bairro na Zona Leste. Horas depois de deixar a criança, ele dirigiu até a represa de Votorantim e colocou o corpo de Juliana na água.

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O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Juliana morreu por afogamento. O laudo toxicológico apontou que havia cocaína no sangue.

Como a menina disse a parentes e ao Conselho Tutelar que a mãe “está na água” e que “o tio do carro vermelho deixou ela lá”, o delegado considerou o relato feito pelo suspeito como mentiroso e que, na verdade, a menina acabou vendo a mãe ser jogada na represa.

Duas testemunhas confirmaram que Celso comprou drogas para dar à vítima. Celso foi indiciado por homicídio com quatro qualificadoras: feminicídio, tráfico privilegiado, ocultação de crime anterior e abandono de incapaz.

Juliana e filha
Celso Rodrigues Nunes foi indiciado pela morte de Juliana

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