Redação Pragmatismo
Preconceito social 12/Sep/2017 às 12:14 COMENTÁRIOS

Moradores de bairros nobres do RJ pedem “gritaria” contra quem dá esmola

Campanha criada por residentes de bairros de classe média e alta do Rio de Janeiro pede “gritaria” contra quem dá comida e dinheiro a moradores de rua. Criticado, idealizador diz que não se importa

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Uma campanha promovida entre moradores de bairros de classe média e alta no Rio de Janeiro pede “gritaria” contra quem dá comida e esmola a pessoas que vivem nas ruas e estão em situação de abandono.

O ‘protesto’ está sendo divulgado e recebendo apoio nas páginas do Facebook de bairros da zona sul: Ipanema, Leblon, Copacabana, Botafogo e Gávea. Muitos internautas, porém, criticaram a campanha, que chegou a ser deletada de uma das páginas após receber repercussão negativa.

Pessoal, a Subprefeitura da Zona Sul e a Guarda Municipal têm retirado essas pessoas e encaminhado aos abrigos, mas vocês percebem que eles sempre voltam? Não vão para Santa Cruz, nem para Nova Iguaçu, Campo Grande. Eles vêm para Ipanema. Por que será? Nascer ali eles não nasceram. Vêm porque tem algo de bom. Esse algo de bom são as pessoas que dão esmola e comida. Eu já faço, mas preciso da ajuda de vocês. Quando virem alguém dando comida ou esmola, chamem atenção. Façam gritaria, mostrem a todos que estiverem passando que aquela pessoa está contribuindo para que tenhamos mais mendigos no bairro. Só assim ficam constrangidas e param“, diz a postagem.

Pedro Froés, administrador das cinco páginas e idealizador da campanha, afirma que os moradores de rua são “esmoleiros de profissão”.

Minhas páginas se legitimam por si. Essas pessoas que ficam na zona sul são ‘esmoleiros’ de profissão. Isso quando não estão na rua só para se drogar, cometer pequenos delitos, achacar moradores pedindo dinheiro de forma ostensiva ou até em forma de assalto, roubo. Furtam estabelecimentos de madrugada. Elas são removidas pela prefeitura e, no mesmo dia, querem sair para poder voltar com a vida de vadiagem. Não tem intenção de agarrar uma oportunidade“, defende Fróes.

Entre os comentários atacando a campanha, usuários brincaram com uma possível ação coletiva de enviar comida aos moradores de rua do bairro, eternizado na música “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Outros inseriram o ícone do “vomitaço”, emoji usado como forma de protesto nas redes sociais.

Froés diz que não se importa com os comentários negativos e as críticas que a campanha está recebendo. “Essas pessoas que criticam não são moradoras do bairro. Fazem parte de grupos normalmente de esquerda. Já estou acostumado“.

Moradores de rua e crimes

Atualmente, cerca de 14.300 pessoas moram nas ruas do Rio. Esse número era de 5.000 em 2013, quase um terço do total dos dias de hoje.

Para o sociólogo e professor de Ciências Sociais da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Dário Souza e Silva, não é correto ligar moradores de rua a incidência de crimes nas regiões em que habitam.

“Pesquiso essas pessoas desde 1999, em especial na zona sul. Não podemos dizer que não há isso [crimes] entre eles, mas não é a regra. Quem pratica esses crimes não vive na rua. É uma generalização perversa que tem como consequência a agressividade contra essa população. O medo cria situações graves. Não é eficiente esse tipo e agressividade contra população de rua”, diz o sociólogo.

Segundo ele, a desorganização dos bairros e a sujeira também não devem ser atribuídas a moradores de rua e usadas como motivos para afastá-los.

“Indisciplina em horários de entrega, invasão das calçadas, avanço das grades dos prédios, limpeza, a ordem urbana é obrigação de toda população e não de uma parte dela. Mas a população de rua não tem representatividade política”, explica.

com informações de UOL

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