Redação Pragmatismo
Arte 12/Sep/2017 às 22:27 COMENTÁRIOS

As imagens da exposição encerrada antes da hora pelo Santander

'Não há pedofilia', afirmam promotores que visitaram a exposição de diversidade sexual cancelada em Porto Alegre após pressão do MBL e de grupos religiosos. A seguir, confira 30 obras da exposição e tire suas próprias conclusões

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Cancelada pelo Santander Cultural após críticas de movimentos religiosos e do Movimento Brasil Livre (MBL), a exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte da brasileira” reuniu obras de 85 artistas, incluindo os mundialmente conhecidos Alfredo Volpi e Cândido Portinari, no museu de Porto Alegre.

Com curadoria de Gaudêncio Fidelis, que foi curador da Bienal do Mercosul de 2015, a exposição tinha como mote a diversidade e as questões LGBT, aos moldes de exposições estrangeiras como a Queer British Art (1861-1967), em Londres, na Inglaterra, e a Hide/Seek: Difference and Desire in American Portraiture, em Washington, nos Estados Unidos.

Porém a mostra foi cancelada no último domingo, um mês antes do previsto, depois que os movimentos apontaram que a exposição fazia apologia à pedofilia e zoofilia. Os movimentos também fizeram campanhas virtuais para que os correntistas do Banco Santander, que mantém o centro, cancelassem suas contas como forma de boicote.

“Não há pedofilia”

Um dia após o cancelamento da exposição, dois promotores do Ministério Público do Rio Grande do Sul foram até o Santander Cultural, que sediava a mostra.

“Fomos examinar in loco, ver realmente quais obras que teriam conteúdo de pedofilia. Verificamos as obras e não há pedofilia. O que existe são algumas imagens que podem caracterizar cenas de sexo explícito. Do ponto de vista criminal, não vi nada”, salienta o promotor da Infância e da Juventude de Porto Alegre, Julio Almeida.

Além do promotor, também visitou a exposição a coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância, Juventude, Educação, Família e Sucessões, Denise Villela. Os dois analisaram as mais de 200 obras e identificaram que quatro a cinco peças poderiam ter cunho sexual.

Para o promotor, uma das medidas que poderiam ser tomadas seria colocar essas peças em um espaço reservado. Entretanto, o ECA não faz uma exigência “objetiva” da necessidade da colocação de classificação etária para museus.

O promotor cita o caso de outros museus espalhados pelo mundo que não apresentam restrições, apesar da presença de nu frontal – e outras situações – em várias peças. Um dos mais famosos, lembra, é a Estátua de David, exposta no Museu de Florença, na Itália.

Prefeito apaga postagem

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB) comentou o fechamento da exposição. Na sua página do Facebook, Marchezan diz que a mostra tinha “imagens de zoofilia e pedofilia”. Horas mais tarde, Marchezan apagou sua postagem.

O prefeito, que é apoiado pelo MBL, obteve liminar na Justiça para que os protestos contra sua administração fossem proibidos.

A seguir, confira cerca de 30 imagens da exposição e tire suas próprias conclusões:

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