Redação Pragmatismo
Mulheres violadas 08/Jun/2017 às 12:58 COMENTÁRIOS

A declaração de Laura Cardoso que 'quebrou a internet'

Declaração da atriz Laura Cardoso (89 anos) sobre o feminismo e sobre o assédio envolvendo o ator José Mayer viralizou na internet

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Laura Cardoso, 89, uma das melhores atrizes brasileiras

Uma declaração de Laura Cardoso sobre o feminismo ganhou as redes sociais nesta semana e o nome da atriz figurou entre os assuntos mais comentados da internet.

Em entrevista publicada pela revista Veja, a atriz de 89 anos disse que é “feminista desde menina” e que a luta representada pelo feminismo precisa seguir adiante.

“É a luta da mulher pela sua liberdade, pela sua vida, pelo que ela quer, sonha. O feminismo é uma luta que tem que ser apoiada, registrada. Já foi muito ruim para a mulher, ela era posta de lado em todos os sentidos. O feminismo é uma luta que vale a pena e deve prosseguir. Já se conquistou muita coisa, mas acho que ainda falta dar mais crédito, respeito de verdade à mulher”, declarou.

Considerada uma das melhores atrizes brasileiras e referência para mulheres do seu tempo, Laura Cardoso provocou espanto com o seu depoimento justamente porque ela faz parte de uma geração em que o conceito de feminismo ainda não havia sido muito trabalhado e estava envolto de preconceitos.

Na mesma entrevista, a atriz também foi questionada a respeito da denúncia de assédio sexual envolvendo o ator José Mayer, seu colega de Rede Globo. Sobre o caso, Laura disse:

“Foi infeliz e estou do lado das colegas, ‘mexeu com uma, mexeu com todas’”, diz, citando o lema de uma campanha que atrizes da emissora criaram para conscientizar sobre o assédio sexual após o episódio que veio à tona após acusação da figurinista Susllem Meneguzi Tonani.

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“Apoio a iniciativa. Como não vou apoiar? Se eu estivesse no Rio de Janeiro (quando a campanha começou), estaria ao lado delas, com a camiseta, apesar de já estar velha e cansada para essas coisas”, afirmou.

Laura ainda considerou ingênuo o pedido de desculpas divulgado pelo ator. “Foi uma desculpa ingênua. Achei uma desculpa meio esfarrapada [de José Mayer], sem consistência”.

Confira trechos da entrevista:

— A senhora acompanhou a segunda onda feminista, nos anos 1960? Como via o movimento naquela época?

Sempre acompanhei a luta da mulher, desde menina. De modo geral, as mulheres da classe artística sempre viveram essa luta, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo. A gente lutou e brigou porque queria esses direitos que a mulher deveria ter e que lhes foram negados durante muito tempo. O feminismo é necessário. O que está acontecendo no Brasil, essa sujeira, esse massacre sobre o povo, quantas mulheres tem nesse movimento, fazendo mal a esse país? A maioria é homem. Acho que isso é um resultado da premissa de que homem sabe mais e fala mais. Não é isso. Acho que eles erram mais do que as mulheres.

— A senhora se considera feminista?

Eu me considero desde menina. Antigamente, a mulher era aquela que cuidava da casa e dos filhos, mesmo que trabalhasse fora. Hoje em dia, ela tem um companheiro que vai passar uma roupa, trocar uma criança, dar a mamadeira para o filho. Que é justamente como deve ser. Antigamente, imagina se o homem ia varrer a casa, arrumar o quarto. Não, porque senão ele não era considerado macho, homem. Hoje ele ajuda a companheira, que trabalha dentro de casa e fora dela.

— A senhora já sofreu assédio?

Toda mulher já sofreu, é bobagem dizer que não. É horrível, não devia acontecer. Não me lembro de nenhuma situação, mas claro que fui. A mulher é assediada em todo lugar, pelo médico, pelo professor. Você passa na rua e vão mexer com você, vão falar do seu cabelo, das suas pernas. Com a luta da mulher, talvez tenha diminuído, mas ela continua sofrendo assédio. Vai ter sempre um homem burro querendo assediar uma mulher grosseiramente. A mulher gosta de ser elogiada, mas sem grosseria. Não sei como fazer para acabar com isso. Leva muito tempo, esse assunto precisa ser tratado nas escolas e a família, principalmente, tem que falar.

— Como é sua relação com as redes sociais e a internet?

Não entendo nada. Como chama isso? Isso aqui. (Celular). Sei falar “alô” e “tchau”. Tenho celular, mas às vezes até esqueço o número. Admiro a tecnologia, o avanço da ciência em todos os sentidos, principalmente na medicina. Mas de eletrônica não sei nada. E também não quero aprender. Estou muito velha para isso.

— A senhora continua trabalhando bastante, mas pode ser considerada uma exceção na TV – poucos são os atores mais velhos que continuam ativos. Por que isso acontece? Há preconceito de idade no meio?

É ruim e triste, porque tem muita gente que já está aposentada e tem muito valor. Tenho sorte nesse sentido, junto com Fernanda (Montenegro), Nicette (Bruno), Nathalia (Timberg). Queria que tivesse mais oportunidade para todos – se a pessoa está produzindo, bem de saúde, merece trabalhar. Não acho que seja preconceito, mas talvez um esquecimento.

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