Redação Pragmatismo
Corrupção 23/May/2017 às 20:01
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Reinaldo Azevedo aparece em grampos com Andrea Neves e pede demissão da Veja

Grampo com Andrea Neves derruba Reinaldo Azevedo da Veja. Áudio divulgado pela Polícia Federal revela o jornalista falando mal da própria revista. Em outra parte, ambos criticam a Lava Jato, levantam suposições sobre Janot e debocham de Cármen Lúcia

Andrea Neves Reinaldo Azevedo grampos
Andrea Neves e Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, colunista da Veja, pediu demissão da revista nesta terça-feira (23) depois da divulgação de áudios em que criticava o veículo.

Os áudios foram gravados pela Polícia Federal a partir do telefone grampeado de Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves. Andrea encontra-se presa.

Na conversa com Andrea, Reinaldo chamou uma reportagem de capa da Veja sobre Aécio de “nojenta”. A matéria a que o colunista se referia foi publicada no mês passado e apresentava denúncias diversas contra o senador tucano (relembre aqui).

A gravação foi feita depois da meia-noite do último dia 13 de abril, quinta-feira. A conversa entre Reinaldo Azevedo e Andrea foi anexada pela Procuradoria-Geral da República aos áudios do inquérito que investiga o senador e a irmã.

Durante a conversa, eles também falaram da Lava Jato e de Rodrigo Janot. Na imprensa, o grampo foi inicialmente divulgado pelo site BuzzFeed. Logo após a divulgação, o colunista pediu demissão da Veja.

Confira trechos da conversa abaixo.

(Críticas à Veja após delação de Henrique Valladares, citada na reportagem de capa da revista)

Andrea Neves – Agora, que está acontecendo na Veja, o que o pessoal fez…

Reinaldo Azevedo – Ah, eu vi. É nojento, nojento. Eu vi.

Andrea Neves – Assinaram todos os jornalistas e vão pegar a loucura desse cara para esquentar a maluquice contra mim.

Reinaldo Azevedo – Tanto é que logo no primeiro parágrafo, a Veja publicou no começo de abril que não sei o que, na conta de Andrea Neves. Como se o depoimento do cara endossasse isso. E ele não fala isso.

Andrea Neves – Como se agora tivesse uma coleção de contas lá fora e a minha é uma delas.

Reinaldo Azevedo – Eu vou ter de entrar nessa história porque já haviam me enchido o saco. Vou entrar evidentemente com o meu texto e não com o deles. Pergunto: essas questões que você levantou para mim, posso colocar como se fosse resposta do Aécio?

Andrea Neves – Nós mandamos agora para a Veja uma nota para botar nessa matéria.

Reinaldo Azevedo – Não quer mandar para mim também?

Andrea Neves – Mando.

(Críticas à Lava Jato)

Andrea Neves – Você tem vários casos, todos juntados. Como eles queriam que o Aécio aparecessem como campeão de inquéritos…

Reinaldo Azevedo – Sim, esse era o objetivo.

Andrea Neves – […] É inacreditável, é uma covardia.

Reinaldo Azevedo – […] É incrível, a Odeberecht agora virou a grande selecionadora de quem sobrevive e morre na política. A Odebrecht nunca teve tanto poder. É asqueroso. Me manda esse levantamento, me interessa, sim.

(Crítica à Rodrigo Janot)

Reinaldo Azevedo – A gente precisa ter elementos objetivos de um certo senhor mineiro aí, cuidando da candidatura dele ou à presidência ou ao governo do Estado.

Andrea Neves – Como assim?

Reinaldo Azevedo – O nosso procurador-geral.

Andrea Neves – Você está achando?

Reinaldo Azevedo – Ôxi.. fiquei sabendo que está tendo conversas. Eu só preciso ter gente que endosse isso de algum jeito. Ter um pouco mais de elementos concretos. Que ele está, está. Presidência talvez não, mas o governo de Minas, sim.

(Chacota à Cármen Lúcia)

Andrea Neves – Vai disputar com a Carminha (risos).

Reinaldo Azevedo – Ah, deve ser né. Sua prima (risos).

(No dia seguinte, a Polícia Federal registra novo diálogo. Dessa vez, a gravação está mais inaudível. Reinaldo Azevedo e Andrea Neves declamam poemas um para o outro)

Reinaldo Azevedo cita o poeta Cláudio Manoel da Costa — É um poema lindíssimo que ele fala justamente de uma coisa que eu constatei quando fui a Belo Horizonte. A cidade cercada de montanhas. E aí ele diz assim: essas montanhas poderiam ter endurecido o coração. Mas não, tiveram efeito contrário.

Andrea Neves declama então um trecho que havia decorado na infância — “Bárbara bela, do Norte estrela, que o meu destino sabes guiar, de ti ausente, triste, somente as horas passo a suspirar”

De repente, Andrea Neves corta o papo: — Reinaldo, posso te ligar num segundo? É que nós estamos com um problemão agora com o Jornal Nacional…”

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