Redação Pragmatismo
Juristas 25/Jan/2017 às 17:22 COMENTÁRIOS

Cármen Lúcia enfrenta guerra de egos para definir novo relator da Lava Jato

Cármen Lúcia tentou, sem sucesso, emplacar Luiz Edson Fachin ou Luís Roberto Barroso na relatoria da Lava Jato por considerá-los "discretos", assim como Teori. A ideia era ter a aprovação de todos os magistrados, mas uma guerra de egos impede decisão nesse sentido

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Ministra Cármen Lúcia preside sessão do STF (reprodução)

Helena Chagas, Os Divergentes

É cada vez mais provável a chance de o destino da relatoria da Operação Lava Jato ficar nas mãos do imponderável – que, no caso, é a redistribuição por sorteio eletrônico, mais provavelmente entre os integrantes da segunda turma, ainda que ela ganhe mais um membro. Bem que a ministra Carmen Lúcia vem tentando evitar isso, negociando uma solução em torno de um nome aprovado pelos colegas. Mas a fogueira das vaidades do STF não permitiu ainda que esse entendimento aconteça.

Não é por acaso que muitos que conhecem bem a mais alta corte do país costumam dizer que o Supremo é composto por 11 ilhas. Cada um ali é um luminar, uma autoridade, um escolhido pelos deuses. Todos muito ciosos de seu papel e sua imagem. Nesses tempos midiáticos de sessões transmitidas ao vivo, então, acirrou-se a competição por espaço – que, aliás, sempre existiu.

Por que Carmen Lúcia não consegue “endereçar” uma solução razoável, em torno de um nome técnico e discreto como o de Edson Facchin, que aceitaria mudar de turma para herdar a LJ, ou o de Luiz Roberto Barroso, que é revisor desta ação em plenário? Porque alguns de seus colegas, entre suas idiossincrasias, vetaram esses nomes. Por que querem ser relatores? Não. Simplesmente porque não querem ver o caso na mão de um desafeto ou adversário interno.

O único nome que talvez fosse aceito de bom grado pelos demais seria o do decano Celso de Mello, que, ao que se sabe, recusa a missão. Se Carmen Lúcia não conseguir demover a má-vontade de alguns colegas em relação aos outros, vai para o sorteio. E a Lava Jato terá que contar com a sorte.

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