Luis Soares
Colunista
Meio Ambiente 11/Jun/2012 às 22:51 COMENTÁRIOS
Meio Ambiente

Menina que calou o mundo retorna ao Brasil, 20 anos depois

Luis Soares Luis Soares
Publicado em 11 Jun, 2012 às 22h51

Há duas décadas, uma garotinha canadense de 12 anos discursava perante autoridades mundiais, cobrando mudanças nas atitudes e maior cuidado com as causas ambientais. Essa era Severn Cullis-Suzuki, mais conhecida como “a garota que calou o mundo por cinco minutos”.

menina calou o mundo

Menina que calou o mundo estará de volta ao Brasil para o Rio+20

A participação de Severn na Eco 92 é lembrada até hoje e representa a preocupação das novas gerações com o futuro de todos. Neste ano, a canadense volta ao Brasil para participar da Rio+20 e dar continuidade ao trabalho que vem desenvolvendo na área ambiental desde que ainda era uma criança.

O jornal Folha de S.Paulo conseguiu uma entrevista exclusiva com Severn, que hoje é mãe de dois filhos, apresentadora de um programa canadense e educadora ambiental. Durante a conversa ela explicou que a oportunidade para discursar na Eco 92 surgiu após um esforço feito por ela e um grupo de amigas que formavam a ECO (Environmental Children’s Organization). Juntas as garotas conseguiram arrecadar fundos com a comunidade onde moravam, no Canadá, para que fosse possível viajar ao Rio e participar do Fórum Global, em que elas foram inscritas como ONG e aproveitaram a oportunidade para falar sobre meio ambiente com muitas pessoas.

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Esta iniciativa fez com que a Unicef se interessasse pelo trabalho e oferecesse uma oportunidade para que uma delas representasse a ECO em um discurso para as autoridades. Severn foi escolhida e as suas palavras marcaram profundamente as pessoas presentes e ainda hoje emocionam quem a vê no vídeo disponível na internet (assista abaixo).

Após 20 anos desde a preleção da canadense, muitas coisas mudaram. Segundo ela, na década de 1990, as questões ambientais foram deixadas de lado. Nos últimos anos, devido às crises econômicas e à mudança climática, o assunto voltou a ganhar espaço e a ser discutido. Além disso, ela acredita que a facilidade com que as informações são compartilhadas pela internet pode “inspirar a verdadeira mudança no Século 21”.

No entanto, os sistemas econômicos mundiais ainda não refletem este anseio por mudança. Severn ressalta o fato de que as economias são mensuradas a partir do índice do Produto Interno Bruto (PIB) e isto “pouco se reflete na qualidade de vida”.

Para a ativista, a chave para mudar este cenário é a mobilização. A mudança parte de uma transformação na sociedade e na política. As pessoas podem trabalhar individualmente para reduzir seus impactos na natureza e ainda podem se tornar mais ativas política e socialmente, cobrando ações, sabendo exercer os direitos e compartilhando conhecimento e informação, para que possam ser ouvidas.

A entrevista é finalizada com Severn falando sobre a esperança para o futuro. “Acredito que só o amor por nossos filhos possa virar a maré. A questão do ambiente é o futuro deles. Temos de fazer a conexão entre nossa vida hoje as suas vidas no futuro. Se nós, politicamente, fizermos a conexão, mudaremos tudo. Eu tenho que acreditar nisso”, concluiu.

CartaCapital

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Comentários

  1. Alana Postado em 12/Jun/2012 às 14:38

    Calar o mundo? Falar é muito fácil. Vinte anos se passaram e o que ela fez? Se formou em etnoecologia e daí, fez algo? Duvido se ela usa absorventes de pano ou usou fraldas de pano na filha... A verdade é que essa Rio+20 e ECO-92 são grandes farsas...Reunião com todos os magnatas do mundo, isso não me cheira bem. Eles estão muito preocupados com o meio ambiente, ah sim, um sarcasmo é sempre plausível. A verdade é que eles estão preocupados é com a própria ganância. A voracidade de mais lucros. Se não estiverem desde então propagando a ideia de que há muita gente no mundo, por isso, para o mundo se sustentar deveríamos ser menos. Sempre a mesma ideologia fascista. Bem que as pedras da Geórgia disseram.

  2. Natália Postado em 28/Jun/2012 às 11:22

    Entendo a sua revolta, mas acho q vc descontou na pessoa errada. A ativista aí deve sim fazer algo, mas dentro das condições / informações dela. Fica parecendo só pose porque isso não foi foco na entrevista. Mas ela segue as sugestões que ela deu. Se formos acreditar q ela não pratica o que prega, acho q seria muito constra-senso ela fazer esse esforço todo pra discurssar, aos 12 anos aqui. Talvez ela não use absorvente de pano, mas cobra das autoridades posturas social e politicamente ecológicas. Mudar comportamento não é algo fácil, a gnt dá um passo de cada vez, ela não deve ser mesmo 100% ecologia, até porque a estrutura mundial não permite. E é mais um motivo pra não se ficar julgando.