Redação Pragmatismo
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Religião 18/Jul/2014 às 15:57
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Por que pastores não falam sobre violência doméstica?

Pesquisa mostra que pastores raramente abordam o tema violência doméstica em seus sermões

A ocorrência de violência doméstica no meio cristão foi tema de um estudo que constatou que, apesar da preocupação com o assunto, apenas 25% dos pastores acreditam que ela exista entre os fiéis que lideram.

Apesar de 72% dos pastores entrevistados pelo LifeWay Reserach entenderem que a violência doméstica é um problema social, muitos deles fazem muito pouco para conscientizar os homens sobre as consequências de agressões contra as mulheres.

O estudo mostrou ainda que 42% dos pastores entrevistados reconheceram que “raramente, ou nunca” abordam o tema em sermões ou palestras para a congregação, mas como forma de remediar, os casos de violência doméstica que são descobertos são tratados a nível pessoal. Outros 22% dos pastores dizem abordar o assunto uma vez por ano junto aos membros, e apenas 34% dizem falar sobre o tema com uma frequência menor, que pode variar de semanas a meses.

“Enfrentar a questão em público é essencial”, afirma Justin Holcomb, um especialista neste tipo de abuso, segundo informações do Protestante Digital.

O especialista enfatiza que muitas vezes a vítima atribui a culpa a si pela violência sofrida, e ouvir pregações sobre o tema poderia conscientizar ambas as partes. “Alguns abusadores usam partes da Bíblia (como Malaquias 2:16, que em algumas versões aplica-se ao divórcio) contra suas vítimas, fazendo-as sentirem que não há como escapar. Líderes da congregação devem confrontar esse manipulador da mensagem”, diz Holcomb.

Embora a grande maioria dos pastores norte-americanos comece a procurar ajuda de especialistas sobre o assunto de fora da igreja, 62% também disseram que em casos de violência têm oferecido mais “aconselhamento para o casal”

“Defensores de vítimas de agressões domiciliares alertam que isso pode ser uma prática perigosa. A sessão de aconselhamento pastoral com agressor e vítima, por mais bem intencionada que seja, pode levar a mais violência, quando eles chegam em casa”, alertou Holcomb.

“Os pastores podem fazer mais”, diz o pastor Ed Stetzer, presidente da LifeWay Research. “Quando dois terços dos pastores falam do problema da violência doméstica com sua igreja apenas uma vez por ano, ou até menos, é visível que temos uma desconexão séria da realidade da vida. Os pastores não podem se dar ao luxo de ignorar ou minimizar a seriedade do assunto , quando vidas estão sendo arruinadas pela violência sexual ou doméstica ali mesmo no seu bairro e na sua igreja. A igreja precisa ser parte da solução”, conclui Stetzer.

Gospel+

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 18/Jul/2014 às 17:09

    É complicado opinar, mas geralmente os "sermões" são destinados aos "chefes de família", a figura patriarcal, que busca a prosperidade, glórias, libertação dos vícios, da corrupção no trabalho, emprego, cura de uma enfermidade, etc. Apesar o público esmagador destes cultos evangélicos serem de mulheres, eu não lembro de algum culto engradecendo a figura da mulher.

  2. Deisi Postado em 18/Jul/2014 às 17:12

    isso se deve principalmente a cultura machista, também que a mulher é obrigada a ser submissa, muitos pastores são omissos, para não se comprometer, melhor fazer vista grossas, do que admitir que está falhando como líder de sua denominação religiosa. Por outro lado, muitas mulheres, até concordam e tomam como verdade absoluta, tudo que o pastor fala. Muitas sofrem muitos tipos de violência domestica , físicas e morais, e jamais denunciam, nem mesmo comentam com seu pastor, fica restrito dentro de suas casas. Muitas ainda carregam o fardo da culpa, durante toda sua existência e o que é pior, muitas vezes acham que merecem tamanho desrespeito, tamanha submissão. Primeiro precisa mudar a cultura machista impregnada na cabeça dos homens, fazer diferente com suas crianças, discutir o assunto, quebrar tabus, respeitar, ser coerente, com o mandamento maior de Jesus que é o amor.

    • Dee Nunes Postado em 19/Jul/2014 às 22:45

      Deise, a submissão da mulher para com o homem, nada mais é do que a concordância , uma casa dividida não prospera(todos os sentidos), porém é certo que muitos, mais os antigos, levam ao pé da letra.

  3. luciano Postado em 18/Jul/2014 às 21:52

    Na igreja catolica é assim também, não é so a evangelica.que pesquisa mais frajuta essa.

    • Josué Postado em 19/Jul/2014 às 20:43

      O pessoal incoerente desse blog adora generelizar quando lhes é conveniente. Da pra perceber que são bem anticristãos. Depois ficam ai pagando de moralistas e falando de liberdade.

      • Adalberto Postado em 20/Jul/2014 às 23:47

        Concordo!

  4. Deisi Postado em 19/Jul/2014 às 01:40

    Sou católica luciano, e te digo que na igreja católica, não é assim, pelo menos na minha cidade, onde todas paroquias, tem Pastoral Familiar, que cuida da família, alem da igreja, com amparo, social, emocional, espiritual. Principalmente na diocese, tempos Pastoral da Sobriedade e Social, que tem ajudado muitas famílias. Mas o importante, não é ficar discutindo religião, e sim debater, o assunto, para evitar violência, não só contra mulher, contra crianças e idosos.

  5. Ademivaldo Soares Postado em 20/Jul/2014 às 09:50

    É preciso cautela na publicação de certos conteúdos. Dependendo do local, da cultura, a realidade não irá condizer com a nossa, brasileira. O link referente à pesquisa é: http://www.lifewayresearch.com/2014/06/27/pastors-seldom-preach-about-domestic-violence/ , pesquisa esta feita em Washington,sede, Estados Unidos... por telefone. Todos sabemos que a cultura americana é patriarcal e machista, e que poucas vezes corresponde à realidade dos ensinamentos cristãos (por católicos ou protestantes no Brasil). Assim como na Igreja Católica há a Pastoral Familiar, como disse a Deisi, com todo o amparo familiar e social... as igrejas protestantes também o fazem, a exemplo da Igreja Batista, que têm na base familiar o cerne da convivência social. Nesta igreja, por exemplo, sobretudo na minha cidade, as questões familiares são exaustivamente discutidas, levando-se em conta o tempo da criança, do jovem e da mulher e do homem (adultos), abordando temas centrais e contemporâneos que afligem a estrutura familiar, buscando o fortalecimento da mesma. Setenta e dois por cento, no caso 720 pastores norte americanos não têm esta preocupação. Não acreditem em tudo o que leem, seja crítico e busque debater (sem agredir) as questões sociais. Não generalize para não ser generalizado. Discutamos as melhores formas de, juntos, combatermos a violência doméstica, seja contra a mulher, contra o homem (sim, ela existe!), contra a criança ou contra o idoso, como disse Deisi.

    • Rafhaelly Lima Postado em 22/Jul/2014 às 03:45

      Isso mesmo Ademivaldo, ótima observação! ;-) Essas pesquisas normalmente são parciais, mas, pra dar ibope, na hora da manchete, raramente são especificados esses detalhes. :-\ Concordo com você, que as igrejas batistas, são uma das poucas denominações que primam pela família e o acesso ao conhecimento de forma libertadora e não manipuladora como algumas! Temas contemporâneos são sempre levados à discussão de acordo com o contexto atual e cultural do lugar. É uma pena que a maioria das igrejas não se preocupem com tais discussões! E o pior é ver líderes religiosos propagando tais idéias machistas e preconceitosas, utilizando apenas trechos isolados da Bíblia e deturpando-o do seu real objetivo; isso sem contar que a maioria deles ainda vivem no tempo da lei e não da graça! ... se esquecem da vida em comunhão e amor que devemos desfrutar e propagar enquanto cristãos e seguidores de Cristo! Estão preocupados apenas com a vida eterna e se esquecem do IDE aqui ... isso quando não seguem a religião em vez de Cristo, buscando seus próprios interesses amparados pela teoria da prosperidade! :-\ É uma pena e uma vergonha que até o evangelho de Cristo, esteja se tornando uma mercadoria! :-( Oremos!

    • Rodrigo Postado em 23/Jul/2014 às 11:49

      (Outro Rodrigo) Parabéns pela busca e pela ressalva feita, Ademivaldo.