Redação Pragmatismo
Compartilhar
Internet 23/Jul/2014 às 15:48
12
Comentários

Leitores de títulos e manchetes

Geração ‘Só a Cabecinha’: você lê o título, a manchete (no cenário mais positivo) e nada mais

Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final. Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo a vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas?

Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. Tudo muito bacana, não fosse a notícia um hoax, um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites.

Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê!

Nunca achei que a internet alienasse as pessoas ou nos deixasse mais burros, pois sei que a web é o que fazemos dela. Ela é sempre um reflexo do nosso eu, para o bem e para o mal. Mas é verdade que as redes sociais causaram, sim, um efeito esquisito nas pessoas. A timeline corre 24 horas por dia, 7 dias da semana e é veloz.

Daí que muita gente acaba reagindo aos conteúdos com a mesma rapidez com que eles chegam. Nas redes sociais, um link dura em média 3 horas. Esse é o tempo entre ser divulgado, espalhar-se e morrer completamente. Se for uma notícia, o ciclo de vida é ainda menor: 5 minutos. CINCO MINUTOS! Não podemos nos dar ao luxo de ficar de fora do assunto do momento, certo? Então é melhor emitir logo qualquer opinião ou dar aquele compartilhar maroto só pra mostrar que estamos por dentro. Não precisa aprofundar, daqui a pouco vem outro assunto mesmo.

Por outro lado… quem lê tanta notícia? Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje? Ao mesmo tempo em que essa atitude é condenável, também é totalmente compreensível. Todo mundo é criador de conteúdo, queremos acompanhar tudo, mas não conseguimos. Resta-nos apenas respirar fundo, tentar manter a calma e absorver a maior quantidade de informação que pudermos sem clicar em nada. Será que conseguimos?

Bia Granja, revista Galileu

Recomendados para você

Comentários

  1. John Postado em 23/Jul/2014 às 16:07

    As pessoas em geral sempre falaram sem pensar muito nas coisas, não acho que esteja tão diferente assim. O que acontece é que são mais coisas pra opinar e a gente acaba tendo acesso a essas opiniões. Nada como a internet para nos dar certeza do que sempre desconfiamos: a maioria das pessoas não faz uma avaliação cuidadosa das coisas.

  2. poliana Postado em 23/Jul/2014 às 16:11

    só pra constar...eu li toda a matéria. rs

    • Philipe Postado em 23/Jul/2014 às 21:55

      Eu tb li até o final! Rsrs, mas é triste isso. Com esse comportamento viralizamos inverdades e mensagens de pouco conteúdo apenas p/ querer mostrar que tb estamos atenados... Estamos é ficando doentes, infelizmente...

      • Poliana Postado em 25/Jul/2014 às 08:31

        Philippe, eu só leio o q realmente me interessa...assim como no youtube, só vejo tb o q me interessa. O vídeo pode ter 2 min ou 1:30, se for algo q gosto e me traz interesse, assisto até o final. De resto, eu descarto mesmo, sequer perco meu tempo lendo ou assistindo.

  3. Gil Mol Postado em 23/Jul/2014 às 16:14

    Eu apelidei esse tipo de CTRL+C/CTRL+V, muita gente lê só o título e não o texto inteiro. Não procura saber se é boato. E aí compartilha a praga. Já vi casos como o peixe panga, o óleo canola e muito mais. Até na política isso acontece. Jogam textos na internet para atacar um partido ou outro e as pessoas acreditam e compartilham. Não buscam veracidade, e saem acreditando em tudo. Um caso foi o filho do Lula ser dono da Friboi.

  4. Victor Postado em 23/Jul/2014 às 16:34

    Não sei se as pesquisas são a nível nacional ou mundial, mas por mais que boatos se espalhem com enorme facilidade os mesmos são derrubados com a mesma rapidez, a cultura de compartilhamento auxilia não só na transmissão rápida da informação mas também como melhor entendimento pelos comentários dos amigos do circulo social, o problema, no meu ponto de vista e a nível nacional, é que são poucos os leitores que têm bagagem intelectual e visão crítica para evitar porcaria, nas escolas ensinam a ler e a escrever, mas não pensar criticamente, não ensinam a questionar as informações passadas mesmo que as fontes sejam fidedignas, grande parte do conhecimento humano está acessível via surface web, creio que essa mania de não ir atras da informação completa é só falta de experiência dado que essas tecnologias não tem nem 20 anos ainda e humanidade ainda prefere a televisão ler textos online (por enquanto). Já o exemplo do Spotify e do Youtube não acho que contam como ilustração dessa tese, ambos são plataformas para acima de tudo descoberta de novos conteúdos, se a música ou vídeo em questão não pertence ao meu gosto não faz sentido esperar a canção acabar, essa é a maravilha de não depender das rádios.

  5. William Santos Postado em 23/Jul/2014 às 16:42

    Li o título e curti. Já estou compartilhando!

  6. cida Postado em 23/Jul/2014 às 16:47

    Eu também

  7. janaina Postado em 24/Jul/2014 às 00:59

    consegui ler a materia toda viva!!!! como varios preciso controlar a pressa!!

  8. Thiago Teixeira Postado em 24/Jul/2014 às 14:21

    Eu tenho preguiça de ler algo que não me interessa. Vejo o título, o primeiro parágrafo, as fotos e saio palpitando kkkkkkkkkkkkkk Preciso confesso que preciso melhor quanto a isso.

  9. Rafael de Souza Fonseca Postado em 25/Jul/2014 às 13:54

    Como li outro dia: "Um mar de sabedoria, com um palmo de profundidade". Completo: "com opiniões que morrem na praia". E ainda tem gente querendo criar mecanismos informais de educação, livres, sem metodologia, validação e que poderão auferir status similar àqueles que dediaram-se décadas aos estudos, foram testados e tiveram que defender suas ideias inúmeras vezes, aprimorando cada vez mais seu conteúdo. Soluções fáceis para mentes preguiçosas. Nem sempre o resultado é eficaz e eficiente. E pra piorar, tais mentes terminam sendo as menos humildes, pois este mar de sabedoria rasa confere à seus donos tamanha auto-confiança que os coloca acima da necessidade de baixar suas cabeças para os que percorreram tão mais longo caminho e, portanto, têm algo mais à dizer. Aos olhos destes, somos tolos, otários, que perdemos tanto tempo nos preparando, nos permitindo ser "moldados" por um sistema educacional engessado, há 500 anos sendo aprimorado. Ora, jovens tão jovens quanto eu, seremos mesmo nós os tolos ou estaráis vós julgando com base em tão raso conhecimento? Permitam-se aprofundar antes de apinar e optar pelos caminhos mais fáceis (portanto, mais atraentes), e verão a magia da ciência torná-los cada dia mais sábios e respeitados pelo que realmente são e não pelo que anunciam em suas fachadas coloridas.

  10. Danilo Novais Postado em 28/Jul/2014 às 16:00

    Concordo absolutamente com isso. E já falei algo sobre aqui: http://cultpopshow.com.br/internet-o-manicomio-planetario/