Delmar Bertuol
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ELEIÇÕES 2026 13/Out/2026 às 12:37 COMENTÁRIOS
ELEIÇÕES 2026

TEREMOS HOMENS DE RESPEITO?

Delmar Bertuol Delmar Bertuol
Publicado em 13 Out, 2026 às 12h37

Delmar Bertuol*, Pragmatismo Político

Sou de esquerda. Petista-lulista-comunista-socialista-grevista e o que mais quiserem me acusar. Só não me chamem de anarquista. Sou muito burocrático para isso. Mas, antes de tudo, sou um democrata. E democracia é o pressuposto básico de qualquer debate político, para mim. Por isso que também não aceito que me mandem de volta pra Cuba. Primeiro que nunca nem fui, como voltar?; segundo, porque nunca defendi Cuba. Uma ditadura.

Digo isso porque francamente compreendo alguém quem é de outra esfera política não querer votar no Lula. Só não compreendo o pobre votar na direita. Já desafiei algum trabalhador que vote no Bolsonaro a me apresentar, em qualquer tempo e lugar, algum governo de direita que beneficiou o trabalhador.

Mas, senhores, a democracia. Ela permite que a gente tenha muitas ideologias. E ninguém me deve satisfação. Faço como ensinou meu Velho: recolho-me à minha insignificância.

Fosse uma ideia democrática à direita se apresentando como alternativa a um perigoso governo autoritário de esquerda, confesso, a mim também seria difícil.

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Acredito que todo mundo tem um pouco do “despotismo esclarecido” lá do Iluminismo. Muitas vezes somos autoritários com a melhor das intenções. E penso que às vezes o caminho é de fato por aí, como quando se reprime e/ou orienta um filho, um nosso aluno, enfim, algum menor sob nossa tutela. A depender da situação, não há tempo e talvez nem ensejo para um debate. O “faça porque estou mandando” soa ruim, mas, talvez nesses casos, acaba sendo o caminho inclusive mais prudente.

Só que políticos não são nossos tutores. É justamente ao contrário, ou devia ser. Nós os escolhemos a partir das ideias que eles nos apresentam. Em governos não-democráticos ocorre o contrário. O no-poder toma as decisões à revelia da opinião da população.

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Eleições 2024

Flávio Bolsonaro, por sua vez, já avisou que quer cortar sei quantos bilhões, mas não disse de onde. E, pior, com o Congresso na mão, quer mudar a Constituição, mas não disse no que especificamente. Já avisou que vai anistiar os golpistas, que ele não considera golpistas. Deixou também claro que quer impitimar ministros do Supremo, afora os três que ele vai ter que por dever indicar… Ou seja, ele vai ter os Três Poderes na mão e sim, pode criar leis e mecanismos para se manter no poder e criminalizar quem se opõe a isso.

Não são pistas, são evidências. O Bolsonarismo flerta não só com a tentativa de golpe do 8 de Janeiro como se diz simpatizante da Ditadura Militar de 64.  Aliás, sobre isso, na Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 64, havia pessoas simplesmente com medo do “comunismo” (búúúuú), como também tinham aquelas com perfeitas noções do que vinha pela frente. Dado o golpe, não demorou a algumas instituições e pessoas se arrependerem de terem o apoiado. E, o que deve ser mais duro: muitos filhos desses chamados “homens de bem” que pediram a Ditadura foram perseguidos e mortos.

Pensemos nos nossos pequenos. Filhos, netos, sobrinhos…

As evidências estão dadas e as eleições se aproximam. Eu não respeito todo mundo. Civilizado, procuro ser educado com todos com quem fortuitamente cruzo ou preciso trocar meia dúzia de palavras. Educação é algo necessário, mas supérfluo e fácil. Respeito é algo bem diferente e subjetivo. Aqueles que tiverem a honestidade intelectual, a decência política, a noção de cidadania e a hombridade de votarem contra sua ideologia política para salvar a democracia terão não só o meu agradecimento. Terão o meu sincero respeito.

*Delmar Bertuol é professor de história

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