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ELEIÇÕES 2026 11/Out/2026 às 23:07 COMENTÁRIOS
ELEIÇÕES 2026

Kassio Nunes Marques acelera decisões sobre pedidos contra Lula e adia julgamentos desfavoráveis a Flávio Bolsonaro

Publicado em 11 Out, 2026 às 23h07

TSE enfrenta críticas por decisões rápidas contra Lula e adiamentos em ações contra Flávio. Entenda o placar de 5 a 1 e o caso Janones.

Kassio Nunes Marques acelera decisões pedidos contra Lula adia julgamentos Flávio Bolsonaro
Ministro Kassio Nunes Marques (Imagem: Antonio Augusto |TSE)

TSE é questionado por decisões rápidas contra Lula e adiamentos em ações contra Flávio

A atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 passou a ser questionada após uma sequência de decisões envolvendo as campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Levantamento publicado pelo Uol neste domingo (11) mostra que pedidos apresentados pela candidatura petista enfrentaram adiamentos e negativas, enquanto ações da campanha de Flávio receberam decisões rápidas. Em um dos episódios, o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, interrompeu um julgamento que já registrava placar de 5 a 1 favorável à retirada de publicações da candidatura bolsonarista.

A controvérsia ganhou força depois que Nunes Marques determinou a suspensão do canal de WhatsApp Exército do Lula, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), em atendimento a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.

Horas depois, a ordem foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou insuficientes os elementos apresentados para justificar a suspensão integral do canal.

Julgamento com placar de 5 a 1 foi interrompido

Um dos episódios mais relevantes identificados envolve representações apresentadas pela campanha de Lula contra conteúdos divulgados por Flávio Bolsonaro e seus apoiadores.

As ações questionavam publicações que a coligação petista considerava falsas ou descontextualizadas.

Inicialmente, o ministro André Mendonça havia rejeitado os pedidos de retirada dos conteúdos.

A campanha de Lula recorreu, e os processos foram encaminhados ao plenário virtual do TSE.

Durante o julgamento, cinco ministros votaram contra o entendimento de Mendonça e a favor da remoção imediata das publicações questionadas.

O placar estava em 5 a 1 quando Kassio Nunes Marques apresentou um pedido de destaque.

Esse instrumento processual transfere a análise do ambiente virtual para uma sessão presencial ou por videoconferência, conforme as regras do tribunal.

Na prática, a iniciativa interrompeu a conclusão do julgamento e adiou a proclamação do resultado.

Embora o pedido de destaque seja um mecanismo previsto nas normas judiciais, sua utilização em um processo eleitoral com votação avançada levantou questionamentos sobre o impacto do adiamento.

Em uma campanha com prazo definido para terminar, o momento em que uma decisão é tomada pode ser tão relevante quanto seu conteúdo.

Canal de Janones recebeu ordem de suspensão em três horas

O contraste apontado pela reportagem tornou-se mais evidente neste domingo.

Kassio Nunes Marques determinou que o WhatsApp suspendesse, em até três horas após a notificação, o canal Exército do Lula, que reunia mais de 3 milhões de seguidores.

A decisão atendeu a uma solicitação apresentada no sábado (10) pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Os advogados do candidato do PL alegaram que o canal estaria sendo utilizado para divulgar informações falsas e coordenar ataques à candidatura do senador.

Essas acusações integram a argumentação da campanha e dependem de avaliação judicial.

Antes da intervenção de Nunes Marques, o corregedor-geral Ricardo Villas Bôas Cueva, responsável pela análise do processo, havia solicitado informações complementares para esclarecer o alcance dos pedidos e sua possível sobreposição com outras ações.

Mesmo assim, o presidente do TSE determinou a suspensão do canal.

A medida impedia novas publicações e a entrada de seguidores durante o período estabelecido na decisão.

Corregedor derruba decisão de Kassio

Na tarde de domingo, Ricardo Villas Bôas Cueva revogou a ordem de suspensão.

O corregedor considerou que os elementos apresentados até aquele momento não eram suficientes para justificar uma restrição tão abrangente.

Também destacou que a possível irregularidade de determinadas publicações não autoriza, automaticamente, a interrupção integral de um canal de comunicação.

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Com a nova decisão, o Exército do Lula voltou a funcionar provisoriamente.

O caso foi encaminhado ao plenário do TSE para avaliação.

A divergência entre os ministros expôs diferentes entendimentos sobre a necessidade de medidas urgentes e sobre a proporcionalidade das restrições à comunicação eleitoral.

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A decisão de Cueva não representou uma declaração definitiva de legalidade de todos os conteúdos divulgados pelo canal.

Da mesma forma, a ordem anterior de Nunes Marques não comprovava que todas as atividades de Janones fossem ilícitas.

Pedidos de Lula enfrentaram negativas

Segundo o levantamento do Uol, outras representações apresentadas pela campanha petista também não receberam as medidas urgentes solicitadas.

Na sexta-feira (9), André Mendonça rejeitou liminarmente três processos relacionados a publicações de Flávio Bolsonaro e de perfis favoráveis à sua candidatura.

Entre os conteúdos questionados estavam postagens divulgadas no Instagram e na plataforma X.

Ao fundamentar uma das decisões, Mendonça distinguiu a divulgação de informações comprovadamente falsas de interpretações políticas que, embora contestáveis ou exageradas, não configuram necessariamente desinformação eleitoral.

O entendimento do ministro é juridicamente relevante porque nem toda crítica, interpretação ou conclusão política desfavorável a um candidato pode ser equiparada à divulgação deliberada de fatos falsos.

Entretanto, a campanha de Lula contestou a avaliação e buscou a revisão de decisões que considerava insuficientes para impedir a circulação de conteúdos irregulares.

Foi justamente em recursos dessa natureza que surgiu o placar de 5 a 1 posteriormente interrompido pelo pedido de destaque de Nunes Marques.

Reclamação sobre a Meta também ficou sem liminar

Outro processo mencionado pelo Uol envolve uma reclamação da campanha petista contra a Meta, empresa responsável pelo Facebook e Instagram.

Na quinta-feira (8), a coligação de Lula acionou o TSE alegando que conteúdos favoráveis ao presidente estariam sofrendo redução artificial de alcance nas plataformas.

A campanha também afirmou que sua conta oficial de anúncios havia sido desabilitada.

Essas alegações não estavam comprovadas por decisão judicial.

O pedido de tutela de urgência foi encaminhado ao juiz auxiliar Marco Aurélio Bellizze, que não concedeu imediatamente a medida solicitada.

O magistrado determinou que a Meta apresentasse esclarecimentos técnicos no prazo de 48 horas.

A decisão manteve o caso em análise, sem reconhecer naquele momento a existência de interferência irregular das plataformas.

Para a campanha petista, entretanto, a ausência de uma providência imediata poderia prolongar os efeitos de eventuais restrições durante um período decisivo da disputa eleitoral.

Denúncia sobre criptomoedas segue em investigação

A coligação de Lula também apresentou uma ação envolvendo Flávio Bolsonaro, seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e o influenciador Pablo Marçal.

Segundo a campanha petista, haveria indícios de suposto abuso de poder econômico relacionado à oferta de ativos virtuais a apoiadores e à comercialização de produtos associados à campanha.

As acusações foram apresentadas ao TSE e ainda dependem de comprovação.

A Justiça Eleitoral não concedeu a medida urgente solicitada pela coligação.

O processo foi encaminhado à fase de produção de provas e esclarecimentos.

Isso significa que as suspeitas continuarão sendo examinadas, mas sem a adoção imediata das restrições pretendidas pela campanha de Lula.

A ausência de liminar não equivale a uma declaração de inexistência de irregularidade.

Da mesma forma, a abertura de investigação não comprova responsabilidade dos investigados.

Nem todas as decisões favoreceram Flávio

O levantamento também registra decisões contrárias à candidatura do PL.

Em julgamento colegiado e unânime, o TSE determinou a retirada de três publicações divulgadas pela campanha de Flávio Bolsonaro na plataforma X.

A decisão atendeu a um pedido da coligação de Lula.

Os conteúdos haviam sido publicados em maio de 2026 e foram questionados judicialmente pela campanha petista.

Esse episódio demonstra que o tribunal também adotou medidas favoráveis a pedidos apresentados pelo presidente.

Portanto, a existência de decisões rápidas em determinados processos não permite concluir, isoladamente, que todos os julgamentos tenham seguido uma orientação favorável a uma das candidaturas.

O questionamento apresentado pelo Uol diz respeito especialmente à diferença de prazos, à utilização de mecanismos de adiamento e à concessão ou negativa de medidas urgentes.

TSE anunciou mudanças para acelerar julgamentos

A discussão sobre a velocidade das decisões ocorre poucos dias depois de Nunes Marques anunciar novas regras para a análise de processos relacionados à propaganda eleitoral.

Em 7 de outubro, o TSE informou que pedidos de direito de resposta envolvendo a eleição presidencial passariam a ter o mérito julgado diretamente pelo plenário.

A portaria reforçou o prazo legal de 72 horas para a análise desses pedidos.

O tribunal também adotou medidas para ampliar a realização de sessões extraordinárias e agilizar o exame de processos durante o segundo turno.

As mudanças foram apresentadas como instrumentos para garantir maior eficiência e uniformidade nas decisões.

A existência dessas providências torna ainda mais relevante o debate sobre a aplicação dos procedimentos aos casos concretos.

Também é necessário considerar que ações de investigação eleitoral, pedidos de remoção de conteúdo e processos de direito de resposta possuem regras e exigências probatórias diferentes.

Por isso, uma comparação rigorosa entre prazos deve levar em conta a natureza de cada processo, sua complexidade e as providências necessárias para assegurar o direito de defesa.

O problema dos adiamentos em uma eleição

Em disputas eleitorais, decisões judiciais não produzem efeitos apenas sobre os envolvidos diretamente nos processos.

Elas também podem afetar a circulação de informações, o alcance das campanhas e o acesso dos eleitores a diferentes versões dos fatos.

Uma publicação retirada rapidamente pode deixar de alcançar milhões de pessoas.

Por outro lado, um conteúdo considerado irregular que permaneça disponível até o encerramento da campanha pode produzir efeitos difíceis de reverter posteriormente.

Isso explica por que a legislação eleitoral prevê procedimentos urgentes para determinadas controvérsias.

O problema surge quando decisões semelhantes parecem receber tratamentos temporais distintos, especialmente em uma disputa presidencial acirrada.

A diferença de velocidade, contudo, não comprova automaticamente favorecimento deliberado.

Para chegar a essa conclusão, seria necessário examinar os processos individualmente, seus fundamentos, as regras aplicáveis e eventuais justificativas apresentadas pelos magistrados.

A imparcialidade também depende da transparência

A atuação do TSE tem importância decisiva para a credibilidade do processo eleitoral.

A Corte precisa assegurar o cumprimento da legislação, combater práticas ilícitas e preservar a liberdade de expressão política.

Essas responsabilidades exigem decisões fundamentadas, respeito ao contraditório e critérios processuais aplicados de maneira consistente.

A reportagem apresenta episódios concretos que justificam questionamentos sobre a diferença de tratamento temporal entre ações das duas campanhas.

O placar de 5 a 1 interrompido por um pedido de destaque, a ordem de suspensão do canal de Janones em três horas e as negativas de medidas urgentes solicitadas pela coligação petista são fatos relevantes para essa análise.

Ao mesmo tempo, decisões contrárias à campanha de Flávio e a existência de procedimentos distintos precisam integrar qualquer avaliação equilibrada.

A controvérsia não deve ser reduzida à ideia de que uma decisão desfavorável representa, necessariamente, perseguição política.

O ponto fundamental é outro. Em uma eleição presidencial, a Justiça Eleitoral precisa demonstrar não apenas que suas decisões possuem fundamento jurídico, mas também que os critérios de urgência, proporcionalidade e duração dos processos são aplicados de forma transparente.

Quando o tempo de julgamento pode alterar o alcance de uma mensagem eleitoral, a celeridade deixa de ser apenas uma questão administrativa e passa a integrar a própria garantia de igualdade de condições entre os candidatos.

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