Após isolamento político, Flávio Bolsonaro anuncia Alfredo Gaspar como vice
Flávio Bolsonaro oficializa Alfredo Gaspar como vice em chapa puro-sangue do PL. Escolha ocorre após dificuldades para ampliar alianças na centro-direita

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do Partido Liberal à Presidência da República, oficializou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa. A definição encerra semanas de negociações frustradas para atrair partidos de centro-direita e evidencia a dificuldade do PL em ampliar sua aliança eleitoral além da própria legenda.
Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, Gaspar exerce o primeiro mandato como deputado federal desde 2023. O parlamentar ganhou projeção nacional neste ano por atuar como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, tornando-se um dos principais nomes da oposição no embate com o governo Lula.
Escolha reforça discurso sobre segurança e corrupção
Durante o anúncio, Flávio Bolsonaro afirmou que escolheu Gaspar pela trajetória na área da segurança pública e pela atuação na CPMI do INSS. O senador também destacou o fato de o deputado representar o Nordeste, região considerada estratégica para a disputa presidencial.
“É uma pessoa que aprendi a admirar pela coragem, honestidade e pela sua história na segurança pública. Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPMI do INSS”, declarou Flávio.
Ao agradecer a indicação, Alfredo Gaspar afirmou que pretende caminhar ao lado do candidato do PL para “transformar o Brasil em um local justo e decente”. Em seu discurso, também fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, dizendo sentir falta “do seu pai, que está em cativeiro”.
Relator da CPMI do INSS ganhou projeção nacional
A indicação de Gaspar reforça uma das principais estratégias da campanha de Flávio Bolsonaro: explorar politicamente o escândalo das fraudes no INSS.
Como relator da CPMI, Alfredo Gaspar apresentou um relatório propondo o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas ex-ministros, dirigentes de entidades, parlamentares e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O parecer, no entanto, foi rejeitado por 19 votos a 12, encerrando os trabalhos da comissão sem a aprovação de um relatório final.
Embora tenha incluído Lulinha entre os nomes sugeridos para indiciamento, os três inquéritos atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal contra o filho do presidente tratam de suspeitas diferentes, relacionadas à suposta atuação para favorecer empresas em áreas do governo federal, e não diretamente das fraudes investigadas pela CPMI. A defesa de Fábio Luís nega qualquer irregularidade.
Tentativa de atrair eleitorado feminino não prosperou
Nos bastidores, a campanha de Flávio Bolsonaro trabalhou durante semanas para compor uma chapa com uma mulher, buscando reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino, que representa a maioria dos votantes brasileiros.
Entre os nomes cotados estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, hoje filiada ao Republicanos. Ambas compareceram ao evento de lançamento da chapa, mas afirmaram que não puderam aceitar o convite em razão da decisão de seus partidos de permanecerem neutros na eleição presidencial.
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Daniella Marques afirmou que a escolha de um vice homem não afasta necessariamente o eleitorado feminino, argumentando que “a mulher vota em valores”. Já Tereza Cristina disse que a experiência de Gaspar na segurança pública também dialoga com demandas importantes para as mulheres.
Michelle Bolsonaro, que chegou a ser apontada como um dos principais ativos eleitorais do PL junto ao público feminino, não participou do anúncio da chapa, repetindo a ausência registrada na convenção que oficializou a candidatura de Flávio. Segundo aliados, ela permanece dedicada aos cuidados com Jair Bolsonaro. A senadora Damares Alves afirmou que a relação entre Michelle e Flávio está pacificada após os recentes atritos públicos.
Neutralidade de partidos levou à chapa “puro-sangue”
A escolha de Alfredo Gaspar ocorreu depois que Republicanos e a federação formada por União Brasil e PP decidiram permanecer neutros na eleição presidencial, inviabilizando uma composição mais ampla para a candidatura de Flávio Bolsonaro. O PL chegou a negociar nomes indicados por essas legendas para ocupar a vice-presidência, mas não houve acordo político.
Sem alianças, o partido optou por uma chapa formada exclusivamente por filiados ao PL, cenário que analistas interpretam como reflexo do isolamento da candidatura no campo da direita tradicional. A expectativa da campanha é que a experiência de Alfredo Gaspar na área da segurança pública e sua atuação na CPMI do INSS fortaleçam o discurso de combate à corrupção e ampliem a presença da chapa no Nordeste durante a corrida eleitoral.
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