Michelle Bolsonaro deixa comando do PL Mulher após crise com Flávio Bolsonaro
Em meio à crise no bolsonarismo, Michelle Bolsonaro renuncia à presidência do PL Mulher e afirma que vai dedicar seu tempo aos cuidados de Jair Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (30) que deixará a presidência nacional do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023. A decisão ocorre poucos dias após a crise pública envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República, e aprofunda as tensões internas no principal partido da direita brasileira em ano eleitoral.
A saída foi comunicada durante uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na sede da legenda, em Brasília. Em nota, Michelle afirmou que pretende dedicar-se integralmente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, e também à filha do casal.
“Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar integralmente aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, escreveu Michelle.
Decisão ocorre após atrito público com Flávio Bolsonaro
O anúncio acontece poucos dias depois de Michelle expor publicamente um conflito com o enteado. Em vídeos publicados nas redes sociais, a ex-primeira-dama afirmou ter recebido uma “punhalada” e relatou ter sido “maltratada”, “humilhada” e desrespeitada por Flávio Bolsonaro durante uma discussão sobre as alianças eleitorais do partido no Ceará.
O impasse surgiu porque Michelle rejeita qualquer apoio do PL ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo cearense. Segundo ela, Ciro fez ataques reiterados a Jair Bolsonaro e à própria família ao longo dos últimos anos, o que tornaria incoerente uma aliança política.
Já Flávio Bolsonaro e parte da direção nacional do partido defendem o acordo como estratégia para ampliar as chances eleitorais do campo conservador no estado.
Após a repercussão do caso, o senador pediu desculpas publicamente à madrasta, afirmando que jamais teve a intenção de desrespeitá-la e reconhecendo sua importância para o partido e para a família Bolsonaro.
Valdemar tentou conter a crise
Nos bastidores, a direção do PL vinha trabalhando para reduzir o desgaste provocado pelo conflito. Valdemar Costa Neto divulgou uma nota afirmando que Michelle atravessa um “momento difícil” e classificou divergências internas como naturais em uma legenda do tamanho do Partido Liberal.
A expectativa da cúpula da sigla era que Michelle participasse do encontro nacional de mulheres promovido pelo partido nesta quarta-feira (1º), em Brasília, gesto que seria interpretado como um sinal público de pacificação com Flávio Bolsonaro. Com sua saída do comando do PL Mulher, esse movimento acabou não acontecendo.
Michelle transformou o PL Mulher em estrutura nacional
Na nota divulgada na semana passada, Michelle fez um balanço de sua gestão e afirmou que encontrou o movimento praticamente sem estrutura quando assumiu a presidência, em 2023.
Segundo ela, o trabalho realizado nos últimos três anos resultou na criação de diretórios estaduais e municipais em todo o país, ampliando a presença feminina dentro da legenda.
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“Ao assumir o PL Mulher, o movimento existia apenas no papel. Percorremos o Brasil inteiro, instalamos diretórios, fortalecemos a participação feminina e transformamos o PL Mulher no maior movimento político partidário de mulheres do Brasil”, afirmou.
De acordo com Michelle, esse trabalho contribuiu para que o PL elegesse 1.005 mulheres nas eleições municipais de 2024, um crescimento de 45,8% em relação ao pleito anterior.
Crise pode afetar estratégia eleitoral do PL
O episódio ocorre justamente quando Flávio Bolsonaro tenta ampliar seu eleitorado para além da base tradicional do bolsonarismo. Nos últimos meses, o senador passou a adotar um discurso mais moderado, defendendo a manutenção de programas sociais, como o Bolsa Família, e prometendo um “pacto contra a fome”, numa estratégia voltada a reduzir sua rejeição entre mulheres e eleitores independentes.
Especialistas ouvidos por diferentes veículos de imprensa avaliam que o conflito com Michelle pode dificultar esse movimento. A ex-primeira-dama é considerada uma das principais lideranças do eleitorado feminino conservador e exerce forte influência entre apoiadores de Jair Bolsonaro.
Além do impacto eleitoral, a crise também evidencia divergências internas sobre os rumos políticos do PL e sobre a condução das alianças estaduais, especialmente em um momento em que o partido busca manter a unidade em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Embora Michelle não tenha mencionado seus planos eleitorais para este ano, a expectativa dentro da legenda continua sendo lançá-la como candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
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