Justiça da Itália surpreende e barra extradição de Carla Zambelli em um dos processos
Corte de Cassação anula decisão anterior, manda soltar ex-deputada e deixa governo brasileiro sem explicação oficial sobre mudança de entendimento

A decisão da Justiça italiana que negou um dos pedidos de extradição da ex-deputada Carla Zambelli provocou surpresa entre diplomatas, juristas e integrantes do governo brasileiro.
A Corte de Cassação de Roma, última instância do Judiciário italiano, anulou a autorização anterior para que Zambelli fosse enviada de volta ao Brasil e determinou sua soltura do presídio de Rebibbia, onde estava presa desde julho de 2025.
Até agora, porém, a Justiça italiana não divulgou oficialmente os fundamentos que motivaram a mudança brusca de entendimento no caso.
Condenações no Brasil motivaram pedido de extradição
Os pedidos enviados pelo Brasil tinham como base condenações definitivas do Supremo Tribunal Federal.
Zambelli foi condenada a mais de 15 anos de prisão em dois processos:
⭢ pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), incluindo a inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes;
⭢ e pelo episódio em que perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo, na véspera das eleições de 2022.
Após deixar o Brasil, ela passou a ser considerada foragida internacional e teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Decisão causa perplexidade
A decisão da Corte de Cassação gerou estranhamento porque instâncias anteriores da Justiça italiana haviam autorizado a extradição da ex-deputada.
O embaixador brasileiro em Roma, Renato Mosca, afirmou que o governo recebeu a decisão “com surpresa” e aguarda a publicação oficial do acórdão para entender os motivos da mudança.
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Segundo ele, normalmente a Corte de Cassação tende a acompanhar o entendimento das instâncias inferiores, salvo em casos de vícios processuais ou falhas graves de origem.
Solta, mas ainda sem definição final
Apesar da libertação, Carla Zambelli ainda não está definitivamente livre do processo de extradição.
Isso porque a decisão analisou apenas um dos pedidos apresentados pelo Brasil.
Ainda existe um segundo processo relacionado ao caso do porte ilegal de arma e perseguição armada em São Paulo, que continua pendente de julgamento na Itália.
Até o momento, não há data definida para essa nova análise.
Palavra final será do governo italiano
Mesmo após a decisão judicial, o caso ainda depende do posicionamento do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, integrante do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Ele terá até 45 dias para decidir se mantém ou rejeita definitivamente a extradição da ex-deputada.
O episódio amplia a tensão política e jurídica em torno de figuras ligadas ao bolsonarismo e também evidencia a complexidade dos processos internacionais de extradição, especialmente quando envolvem diferentes sistemas judiciais e disputas políticas de alta repercussão.
Vídeo após saída da prisão
Após deixar a prisão, Zambelli apareceu em vídeos publicados nas redes sociais ao lado de seus advogados.
Nas gravações, afirmou que “conseguiu o impossível” e disse que continuará sua “missão” fora do Brasil.
Aliados políticos comemoraram a decisão italiana, enquanto integrantes do governo brasileiro acompanham os próximos passos do caso com cautela, à espera das justificativas oficiais da Corte italiana.
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