Redação Pragmatismo
Guerra injustificável 23/Mai/2026 às 21:19 COMENTÁRIOS
Guerra injustificável

Irã acusa EUA de sabotarem negociações de paz, enquanto Trump volta a ameaçar novos ataques

Publicado em 23 Mai, 2026 às 21h19

Teerã fala em “exigências excessivas” de Washington, e tensão cresce mesmo após avanço diplomático mediado pelo Paquistão

Irã acusa EUA sabotarem negociações paz Trump volta ameaçar novos ataques
Esmail Baqai e Donald Trump (Imagens: Atta Kenare e Kent Nishimura | AFP)

As negociações para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã voltaram a entrar em zona de turbulência neste sábado, após autoridades iranianas acusarem Washington de dificultar um acordo de paz com “exigências excessivas” e sinais contraditórios sobre uma possível retomada dos ataques militares.

O impasse acontece justamente no momento em que mediadores internacionais afirmam que as conversas avançaram mais do que em qualquer outro ponto desde o início do conflito.

Trump eleva o tom e volta a ameaçar Teerã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pode decidir já nas próximas horas se retomará os ataques contra o Irã.

Segundo o site Axios, Trump declarou que há apenas dois caminhos possíveis: um acordo “vantajoso” para Washington ou uma nova ofensiva militar.

“Ou chegamos a um bom acordo ou vou explodi-los em mil infernos”, disse o republicano, segundo o veículo americano.

A tensão aumentou ainda mais após Trump cancelar compromissos pessoais, incluindo a ida ao casamento do filho, alegando “assuntos de Estado”.

Nos bastidores, autoridades americanas discutem novos bombardeios contra Teerã, segundo veículos da imprensa dos EUA.

Irã acusa EUA de atrapalharem negociações

Do lado iraniano, o discurso endureceu rapidamente.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou Washington de prejudicar o processo diplomático ao apresentar “posições contraditórias” e novas exigências durante as conversas mediadas pelo Paquistão.

Segundo Teerã, apesar da profunda desconfiança em relação aos EUA, o governo iraniano continua participando das negociações “com seriedade e responsabilidade”.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, também elevou o tom e alertou que qualquer novo ataque americano teria consequências “mais devastadoras” do que no início da guerra.

Paquistão tenta evitar nova escalada

O Paquistão se tornou o principal mediador das negociações e vem intensificando esforços diplomáticos para impedir uma retomada do conflito.

O chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, esteve em Teerã reunido com as principais autoridades iranianas para discutir uma proposta considerada abrangente para encerrar a guerra.

Segundo fontes ligadas às negociações, o plano prevê três etapas:

⭢ encerramento formal da guerra
⭢ reabertura do Estreito de Hormuz
⭢ início de novas negociações sobre um acordo mais amplo entre EUA e Irã

Estreito de Hormuz segue no centro da crise

O Estreito de Hormuz continua sendo um dos pontos mais sensíveis da negociação.

A região é estratégica para o transporte global de petróleo, e qualquer bloqueio ou instabilidade provoca impacto direto nos preços internacionais da energia.

O Irã exige o fim das restrições americanas à navegação e às exportações de petróleo iraniano, enquanto Washington pressiona pelo abandono definitivo do programa nuclear do país.

Questão nuclear continua travando acordo

Apesar do avanço diplomático, o tema nuclear permanece como principal obstáculo para um entendimento definitivo.

Os EUA insistem que o Irã deve abandonar o enriquecimento de urânio e impedir qualquer possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares.

Já Teerã afirma que possui direito ao enriquecimento para fins civis e rejeita interferência externa sobre sua política nuclear.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reforçou as exigências da Casa Branca ao afirmar que o Irã “nunca poderá ter uma arma nuclear”.

Cessar-fogo continua instável

Embora exista um cessar-fogo desde abril, autoridades admitem que a trégua permanece extremamente frágil.

Desde então, apenas uma rodada presencial de negociações ocorreu, em Islamabad, sem acordo definitivo.

Enquanto diplomatas falam em progresso “encorajador”, os sinais vindos de Washington e Teerã mostram que o risco de uma nova escalada militar ainda está longe de desaparecer.

E, diante da importância estratégica da região para o petróleo e para a estabilidade global, qualquer ruptura nas negociações pode rapidamente ultrapassar as fronteiras do Oriente Médio.

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