Richarlison volta a cobrar Flávio por dívida de mansão de luxo: "Só quero meu dinheiro de volta, nada mais"
Richarlison volta a cobrar Flávio Bolsonaro por mansão de R$ 10 milhões em Angra dos Reis. Entenda a disputa judicial e o que dizem os envolvidos

O atacante Richarlison voltou a expor nas redes sociais a disputa por uma mansão de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, avaliada em cerca de R$ 10 milhões. Em vídeos publicados neste domingo (11), o jogador afirmou que não pretende recuperar o imóvel, mas receber de volta o dinheiro que diz ter investido na compra.
“Eu nem quero que ela venha de volta, não, mano. Só quero o que é meu”, declarou o atleta, que atua pelo Tottenham, da Inglaterra.
A cobrança voltou a repercutir após o jogador compartilhar conteúdo relacionado ao caso e questionar publicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. A disputa, no entanto, não é uma ação judicial contra o parlamentar: o processo envolve uma empresa ligada a Richarlison e outra vinculada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio.
Como começou a disputa pela mansão
A controvérsia teve origem em 2020, quando uma empresa ligada a Richarlison e ao então empresário do jogador, Renato Velasco, negociou direitos sobre uma propriedade na Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
O imóvel, avaliado em aproximadamente R$ 10 milhões, tem 11 suítes, piscina, quadra de tênis, heliponto e acesso a uma área natural com cachoeira. A propriedade já pertenceu à cantora Clara Nunes.
O negócio, porém, envolvia uma questão jurídica importante: a área é de domínio da União, e a disputa não se limitava à compra convencional de uma casa. O caso envolvia direitos de ocupação e posse, registros anteriores e a regularização patrimonial do imóvel.
A empresa ligada ao jogador sustentava ter adquirido os direitos sobre a propriedade de forma legítima. Do outro lado, a WT Administração de Imóveis, ligada a Willer Tomaz, reivindicava a posse com base em registros e direitos anteriores.
Qual é o papel de Flávio Bolsonaro?
O nome do senador entrou na história porque ele visitou a mansão antes da conclusão do negócio envolvendo a empresa de Richarlison e, posteriormente, retornou ao local acompanhado de Willer Tomaz.
Reportagens publicadas pelo Metrópoles em 2022 detalharam essas visitas. A defesa ligada ao jogador incluiu Flávio como testemunha no processo, em razão do que ele poderia esclarecer sobre a ocupação do imóvel.
Flávio, porém, não é parte da ação judicial. Na época em que o caso ganhou repercussão, o senador negou envolvimento na disputa e afirmou que sua relação com Tomaz era de amizade.
A assessoria do parlamentar voltou a sustentar, em manifestações posteriores relatadas pela imprensa, que ele não comprou, vendeu nem intermediou o imóvel. Também afirmou que associá-lo diretamente à disputa seria infundado.
A distinção é importante: Richarlison direciona cobranças públicas ao senador, mas a controvérsia judicial envolve outras pessoas e empresas.
Justiça manteve a posse com empresa ligada a Willer Tomaz
A disputa passou por diferentes etapas judiciais. Em junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento favorável à empresa ligada a Tomaz.
Posteriormente, em agosto daquele ano, as partes ligadas a Richarlison e ao antigo empresário desistiram dos recursos e reconheceram o resultado da decisão, encerrando a disputa judicial.
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Com isso, a empresa ligada ao advogado permaneceu com os direitos de posse reconhecidos pela Justiça. O desfecho judicial não significa, por si só, que o jogador tenha recebido de volta os valores que afirma ter investido.
É justamente essa diferença que sustenta a reclamação pública do atacante: ele diz ter desembolsado aproximadamente R$ 10 milhões e afirma continuar sem recuperar o dinheiro.
Quem vendeu o imóvel ao jogador?
Outro capítulo relevante envolve Antonio Marcos Pereira da Silva, conhecido como Marquinhos, empresário que negociou a propriedade com a empresa ligada a Richarlison.
Segundo reportagem do Metrópoles publicada em julho de 2026, Marquinhos foi condenado por estelionato em um processo relacionado a negociações de outros bens. A condenação citada pela publicação tratava de fatos distintos da disputa pela mansão.
A reportagem também descreveu a cadeia de ocupação e os registros anteriores relacionados ao imóvel, que ajudam a explicar por que duas empresas passaram a reivindicar direitos sobre a mesma propriedade.
A condenação por outro caso não deve ser confundida com uma decisão criminal específica sobre a venda da mansão a Richarlison. São fatos distintos, que exigem análise separada.
Richarlison transforma a disputa em cobrança pública
Nos últimos meses, o jogador voltou a mencionar a mansão em diferentes publicações nas redes sociais. Em setembro, chegou a divulgar uma imagem do local com a frase “A ilha que me tomaram”.
No fim daquele mês, também comentou uma publicação do Metrópoles sobre Willer Tomaz, retomando a cobrança relacionada ao imóvel.
Agora, ao afirmar que não quer mais a propriedade, mas o dinheiro investido, Richarlison desloca o foco da disputa: em vez de reivindicar a retomada da mansão, cobra uma solução para o prejuízo financeiro que diz ter sofrido.
A manifestação também mantém Flávio Bolsonaro no centro da repercussão política do caso, embora o senador não seja o responsável formal pela disputa judicial.
O episódio reúne uma disputa patrimonial complexa, relações pessoais entre os envolvidos e uma cobrança pública que ganhou dimensão política. Para compreender o caso, é necessário separar a reclamação do jogador, os vínculos de amizade mencionados nas reportagens e o que efetivamente foi decidido pela Justiça.
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