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ELEIÇÕES 2026 23/Out/2026 às 19:21 COMENTÁRIOS
ELEIÇÕES 2026

Eduardo Bolsonaro reaparece com discurso derrotista, acusa urnas eletrônicas e pede para Flávio deixar o Brasil caso perca a eleição

Publicado em 23 Out, 2026 às 19h21

Eduardo Bolsonaro questiona urnas sem provas e defende que Flávio deixe o Brasil se perder para Lula. Entenda as declarações feitas nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro discurso derrotista acusa urnas eletrônicas Flávio deixar Brasil perca eleição
Eduardo Bolsonaro

Em entrevista nos Estados Unidos, ex-deputado voltou a levantar suspeitas sobre o sistema eleitoral brasileiro, sugeriu o envio de fuzileiros navais e afirmou que o irmão deveria deixar o país caso seja derrotado por Lula.

A apenas dois dias do segundo turno presidencial, Eduardo Bolsonaro (PL) reapareceu publicamente com um discurso marcado pela possibilidade de derrota de seu irmão, Flávio Bolsonaro. Em entrevista a um podcast norte-americano, divulgada nesta sexta-feira (23), o ex-deputado questionou a confiabilidade das urnas eletrônicas sem apresentar provas de fraude e defendeu que o candidato do PL deixe o Brasil caso perca a eleição para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outro momento, chegou a mencionar o envio de fuzileiros navais norte-americanos ao país, em uma resposta acompanhada de risadas.

Eduardo fala em saída do Brasil e menciona fuzileiros navais

As declarações foram feitas durante participação no podcast Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista conservador norte-americano Steven Crowder, conhecido por divulgar alegações infundadas sobre a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2020.

Questionado sobre o que a família Bolsonaro poderia fazer para ajudar Jair Bolsonaro caso Flávio não fosse eleito, Eduardo respondeu, em tom de brincadeira, que deveriam ser enviados fuzileiros navais.

Na sequência, passou a defender seriamente a saída do irmão do território brasileiro em caso de derrota eleitoral.

Para justificar a posição, Eduardo citou uma declaração de Lula durante o debate presidencial da Band, realizado em 18 de outubro. Na ocasião, o presidente mencionou a possibilidade de Flávio perder a imunidade parlamentar após o encerramento de seu mandato.

Eduardo interpretou a declaração como uma ameaça de perseguição judicial ao irmão. Trata-se, contudo, de uma interpretação apresentada pelo ex-deputado, e não de uma conclusão estabelecida por decisão judicial.

Sem apresentar provas, ex-deputado volta a atacar urnas eletrônicas

Durante a entrevista, Eduardo também questionou o sistema brasileiro de votação.

Segundo ele, a ausência de cédulas individuais impressas comprometeria a possibilidade de fiscalização dos resultados.

O ex-deputado reconheceu que não tinha provas de fraude, mas argumentou que seus adversários também não conseguiriam demonstrar a inexistência de irregularidades.

A alegação ignora mecanismos de auditoria e transparência do sistema eleitoral brasileiro, que utiliza urnas eletrônicas desde 1996.

Ao término da votação, cada equipamento emite um boletim de urna impresso, contendo a quantidade de votos registrada para cada candidato naquela seção eleitoral.

Esses documentos podem ser consultados e confrontados com os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral. Também existem procedimentos de fiscalização realizados antes, durante e depois das eleições.

Até o momento, não foram apresentadas provas de fraude capazes de comprometer os resultados das eleições presidenciais brasileiras realizadas com urnas eletrônicas.

Eduardo está nos Estados Unidos e foi condenado pelo STF

A manifestação ocorre em um contexto particular da trajetória do ex-parlamentar.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e perdeu seu mandato na Câmara dos Deputados em dezembro daquele ano, em razão do excesso de faltas às sessões legislativas.

Em junho de 2026, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo.

Segundo o entendimento da Corte, Eduardo atuou junto a autoridades norte-americanas para pressionar instituições brasileiras e interferir no julgamento de Jair Bolsonaro, condenado por sua participação na tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022.

A condenação de Eduardo tornou-se definitiva em outubro, e o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão. O ex-deputado permanece em território norte-americano.

Declarações reacendem debate sobre respeito ao resultado eleitoral

As falas de Eduardo Bolsonaro foram divulgadas em um momento de elevada tensão política, às vésperas da votação que definirá o próximo presidente da República.

O episódio reúne três elementos distintos: a defesa de que Flávio deixe o Brasil em caso de derrota, o questionamento das urnas sem apresentação de provas e a referência, feita em tom de brincadeira, a uma possível intervenção militar estrangeira.

Embora Eduardo tenha apresentado a saída do irmão como uma medida de proteção diante de uma suposta perseguição, suas declarações também levantam questionamentos sobre a disposição de integrantes da família Bolsonaro em reconhecer o resultado das urnas.

A história recente do país torna esse debate especialmente relevante. Após a eleição presidencial de 2022, o Brasil enfrentou uma mobilização golpista que culminou nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

A existência de divergências políticas ou críticas ao funcionamento das instituições não dispensa a apresentação de provas quando se questiona a legitimidade de uma eleição.

Neste domingo, 25 de outubro, caberá aos eleitores escolher o próximo presidente. O respeito ao resultado, independentemente de quem seja eleito, constitui um princípio fundamental do processo democrático.

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