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Corrupção 27/Mai/2026 às 09:07 COMENTÁRIOS
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PF faz nova ofensiva contra fraude bilionária no INSS e mira esquema de descontos ilegais em aposentadorias

Publicado em 27 Mai, 2026 às 09h07

Operação da Polícia Federal e da CGU cumpre mandados em São Paulo, Pernambuco, Paraíba e DF; prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões

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Imagem: Marcelo Camargo | ABr

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema nacional de descontos ilegais aplicados diretamente em aposentadorias e pensões do INSS.

A ofensiva ocorre nos estados de São Paulo, Pernambuco, Paraíba e no Distrito Federal.

Segundo as investigações, entidades associativas teriam descontado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024 sem autorização dos beneficiários.

O que a PF está investigando

Nesta nova fase, a PF cumpre:

⭢ 31 mandados de busca e apreensão
⭢ 8 medidas cautelares com monitoramento eletrônico
⭢ bloqueios patrimoniais e outras medidas constritivas

As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.

O foco agora é aprofundar a apuração sobre núcleos regionais suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável pelos descontos indevidos.

As investigações envolvem possíveis crimes de:

⭢ estelionato previdenciário
⭢ organização criminosa
⭢ lavagem e ocultação de patrimônio
⭢ fraudes contra a administração pública

Como funcionava o esquema

De acordo com a investigação, o esquema consistia em registrar aposentados e pensionistas como supostos associados de entidades e sindicatos sem consentimento real.

Na prática, valores mensais eram descontados diretamente dos benefícios do INSS como se os segurados tivessem autorizado filiação associativa.

Muitos aposentados sequer sabiam que estavam vinculados às entidades investigadas.

Os descontos apareciam nos extratos previdenciários como mensalidades associativas.

São Paulo está entre os principais alvos

No estado de São Paulo, nove mandados estão sendo cumpridos.

Entre as entidades investigadas aparecem:

⭢ Amar
⭢ Master Prev
⭢ Associação de Apoio Social e Assistência ao Próximo Saúde (AASAP)
⭢ ANDAPP

Segundo a PF, essas associações podem ter participado da estrutura financeira e operacional responsável pelos descontos indevidos.

Ex-dirigentes e servidores do INSS são investigados

A operação também mira ex-servidores e ex-dirigentes ligados ao INSS.

Entre os investigados estão operadores financeiros, intermediários e pessoas apontadas como articuladores do esquema.

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Segundo as investigações, parte dos alvos já utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial.

A PF suspeita que integrantes da estrutura tenham atuado na criação, administração e sustentação financeira das associações utilizadas no esquema.

Operação já havia mobilizado centenas de agentes

A Operação Sem Desconto foi deflagrada inicialmente em abril de 2025.

Na ocasião, cerca de:

⭢ 700 policiais federais
⭢ 80 servidores da CGU

cumpriram mais de 200 mandados judiciais em diversos estados.

Também foram executadas ordens de sequestro de bens superiores a R$ 1 bilhão.

Desde então, a investigação passou a atingir empresários, dirigentes de entidades, servidores públicos e políticos citados nas apurações.

PF apura ocultação e dilapidação patrimonial

Além das fraudes previdenciárias, a nova etapa também busca identificar movimentações financeiras suspeitas e tentativas de ocultação patrimonial.

Segundo os investigadores, há indícios de que parte dos envolvidos tentou esvaziar patrimônio e dificultar eventual recuperação de recursos desviados.

Caso expõe vulnerabilidade de aposentados

O esquema revelou fragilidades no controle sobre descontos aplicados diretamente em benefícios previdenciários.

Grande parte das vítimas é formada por aposentados e pensionistas idosos, muitos deles sem familiaridade com sistemas bancários ou consultas detalhadas aos extratos do INSS.

Especialistas em direito previdenciário alertam que os descontos associativos se transformaram, nos últimos anos, em uma das principais fontes de reclamação envolvendo benefícios previdenciários.

Investigação segue em andamento

A PF afirma que esta nova fase busca aprofundar a identificação da estrutura nacional da fraude e o fluxo do dinheiro movimentado pelo grupo.

As investigações continuam sob supervisão do STF e novas medidas não estão descartadas.

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