Redação Pragmatismo
Meio Ambiente 06/Out/2023 às 08:55 COMENTÁRIOS
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Área usada pela agropecuária já ocupa um terço do território brasileiro, mostra estudo da MapBiomas

Publicado em 06 Out, 2023 às 08h55

Estudo da MapBiomas mostra avanço ininterrupto ao longo dos anos do desmatamento para pastagem na Amazônia e da monocultura de soja no Cerrado. Consequências são graves e levam ao aumento das emissões de gases de efeito estufa do país, perda de ecossistemas e sua biodiversidade, além de conflitos fundiários e sociais, com a devastação de comunidades tradicionais e indígenas

Área usada agropecuária ocupa terço território brasileiro mostra estudo MapBiomas
Imagem: Marcio Isensee e Sá

Gabriela Moncau, Brasil de fato

Em avanço ininterrupto nos últimos 38 anos, a agropecuária ocupa atualmente um terço do território nacional. Dados levantados pelo MapBiomas divulgados nesta sexta-feira (6) mostram que, entre 1985 e 2022, a área ocupada por essas atividades do agronegócio cresceu 50%, incorporando um território equivalente ao Mato Grosso, o terceiro maior estado brasileiro.

Quase dois terços deste avanço da fronteira da agrícola se dá por meio do desmatamento para pastagem. Segundo o estudo, entre 2008 e 2012 houve uma queda nesta substituição da vegetação nativa por pastagem, mas os patamares voltaram a subir desde 2013.

Leia também: Desmatamento na Amazônia cai 68% em abril, primeira grande queda no governo Lula

Os impactos socioambientais da atividade agropecuária no território brasileiro são extensos. “A expansão da agropecuária ainda envolve desmatamento. Isso contribui para o aumento das emissões de gases de efeito estufa do país, perda de ecossistemas naturais e sua biodiversidade e impactos na regulação do clima e ciclo hidrológico”, enumera Julia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas.

“Essa expansão também frequentemente leva a conflitos fundiários e sociais, com comunidades tradicionais e indígenas. Além disso, o manejo agropecuário inadequado pode levar a degradação do solo, perda da produtividade a longo prazo”, completa.

A Amazônia é onde esse processo mais vem acontecendo, em especial no Pará. Há quatro décadas a área amazônica ocupada por pasto para agropecuária era de 13,7 milhões. Em 2022, já havia saltado para 57,7 milhões.

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“Ainda temos a perda de vegetação nativa em todos os biomas, com diferentes padrões de conversão. O aumento da área de pastagem na Amazônia, superando a área do Cerrado, está relacionado com o aumento do desmatamento da região nos últimos anos, prioritariamente para utilização em pastagens”, explica Shimbo. “Mas muitas dessas áreas não são produtivas, sendo a conversão para venda de terras que posteriormente podem ser convertidas para agricultura.”

Soja quadruplica área ocupada no Cerrado

Entre as terras incorporadas pela agropecuária de 1985 para cá e destinadas para o cultivo agrícola, praticamente todas (96%) produzem grãos e cana. Triplicando as áreas nestes 38 anos, estas lavouras atualmente ocupam 7% do território brasileiro.

E a soja transgênica é o carro chefe. Dos 58,7 milhões de hectares ocupados por estes cultivos, 35 milhões são do avanço da soja. Só essa commodity aumentou em quatro vezes a região que ocupa no país.

Apesar de esse processo acontecer em todos os biomas, é no Cerrado que a soja teve um aumento de mais de 15 vezes no período monitorado. “Apesar do crescimento acelerado nos últimos anos na Amazônia, o Cerrado corresponde a 48% da área plantada com soja no Brasil”, destaca material do MapBiomas.

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