Redação Pragmatismo
Notícias 28/Mar/2023 às 15:34 COMENTÁRIOS
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Homem é morto na frente da esposa e de bebê após ajudar vizinha em condomínio

Publicado em 28 Mar, 2023 às 15h34

"É angustiante, ninguém imagina uma brutalidade dessas. Parece um pesadelo, só que não dá para acordar". Homem faz gentileza para vizinha e é morto instantes depois na frente da esposa e da bebê de 3 meses

eduardo samantha e gustavo
Eduardo, Samantha e Gustavo

A Polícia Civil de São Paulo investiga o assassinato de Eduardo Paiva Batista, de 39 anos. O homem morreu na porta do seu apartamento na última terça-feira (21) horas após ajudar uma nova moradora do condomínio, no bairro da Sé.

Tudo aconteceu na frente da esposa, do enteado, de 23 anos, e da filha bebê do casal, recém nascida. A motivação do crime é um mistério para a polícia e para as testemunhas.

Os parentes contam que, por volta de 1h30 da manhã, uma mulher que até então eles não conheciam, apareceu no portão do condomínio gritando e pedindo por ajuda porque estava sem as chaves – e não há porteiro na guarita.

Mesmo de madrugada, Eduardo, então, resolveu descer para ajudar e abriu o portão para a desconhecida. Às 5h da manhã, a família diz que foi acordada por pessoas batendo a porta. A esposa de Eduardo, Samantha Firmino, de 39 anos, narrou à polícia que se levantou para ver o que estava acontecendo.

Foi quando se deparou com um homem e uma mulher, pessoas que também não conhecia. Eles diziam que sua família havia ‘tirado’ (desrespeitado) a irmã deles – a que gritava por ajuda para abrir o portão.

“Ninguém ‘tirou’ ninguém, a gente ajudou ela. Ela pediu para abrir o portão porque estava com medo de ser assaltada na rua e estava sem chave”, relembra Samantha. No entanto, mesmo após tentar explicar que eles haviam apenas tentado ajudar a mulher, a dupla seguia com o mesmo pensamento. “Aí eu me exaltei e falei: ‘Gente, vocês deveriam agradecer. A gente ajudou a irmã de vocês'”, acrescenta.

Em meio à discussão que se iniciou na entrada do apartamento, a mulher, identificada por eles como Angela Wilma Oliveira de Souza, sacou uma faca e golpeou o pescoço de Eduardo. Em seguida, a dupla fugiu, correndo.

Enquanto chamava a PM, para tentar amenizar a situação, a mulher tampava o ferimento do marido com um lençol com abebê no colo. “Ele caiu de bruços perto da copa que tinha no apartamento e ali ficou […] Eu no telefone pedindo socorro e ele, agonizando, falou: ‘Eu vou morrer'”.

“Com muita dor que eu venho dizer. Meu padrasto Eduardo Paiva Batista foi brutalmente assassinado. Não é justo dar uma facada no pescoço de alguém por uma discussão. Por uma discussão entre vizinhos, pessoas que moram no mesmo prédio. Ninguém espera uma atitude dessas. Essas pessoas tiraram a vida de um guerreiro que nunca desistiu de lutar pela nossa família. E ainda faleceu defendendo a minha mãe”, escreveu o enteado de Eduardo, Gustavo Carvalho Moya, nas redes sociais.

“Ele me deu uma irmã e fez o papel de um pai pra mim, nunca deixou faltar nada ele poderia deixar de comer, descansar, dormir mas, não deixava ninguém desamparado. Agora ele se foi e essa lacuna que ele deixou em nossa história não tem como preencher. Por esse motivo eu peço justiça. Compartilhem o máximo que puderem para o rosto dessa assassina ser estampado em todo Brasil. Uma pessoa inconsequente que acaba com uma família, não merece andar livre pelas ruas”, acrescentou.

O boletim de ocorrência narra que os policiais militares, acionados para ocorrência, não localizaram os três suspeitos no apartamento deles. O proprietário do apartamento que eles haviam recém alugado deu à polícia uma cópia da carteira de identidade da suspeita de ter desferido o golpe de faca contra o Eduardo. A perícia encontrou marcas de sangue em ambos os apartamentos, o que indica que eles ainda retornaram para casa antes da fuga.

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Eduardo e a família são naturais de São Vicente, município do litoral paulista. O técnico de eletrônica foi velado e sepultado em sua cidade natal. Eles não irão voltar ao endereço onde viveram os momentos de terror naquela madrugada de terça-feira.

Angela Wilma Oliveira de Souza
Foto de Angela Wilma Oliveira de Souza, apontada como a autora do assassinato

Paixão de adolescência

Eduardo e Samantha se conhecem desde a juventude. Os dois cresceram na mesma cidade, mas seguiram caminhos diferentes no início da fase adulta. Ambos se relacionaram com outras pessoas e, inclusive, tiveram filhos com elas antes do ‘reencontro’, que aconteceu em 2021.

“Eu me separei durante a pandemia [de Covid-19] e saí de São Paulo, onde estava morando, para voltar para São Vicente. Nos reencontramos. Ele tinha acabado de se separar também, e então começamos a namorar”, lembrou Samantha.

O reencontro, segundo ela, significou a realização de um dos ‘sonhos antigos’ de Eduardo. “Me contou que era ‘a fim’ de mim desde a adolescência. Ele estava realizado porque conseguiu tudo que queria: namorar a menina que sempre quis, casar e fazer uma família com ela. Eu e a nossa filha éramos tudo para ele” , comentou.

Segundo a esposa, Eduardo era uma pessoa alegre e cuidadosa com os familiares. “Era divertido e amoroso, quase ‘grudento’ de tão carinhoso”, brincou Samantha. “Ele adorava fazer essas declarações de amor pra mim”.

A mulher também descreveu o marido como um homem trabalhador e querido entre os amigos. “Ele trabalhava desde os 14 anos para conseguir comprar as próprias coisas. Além disso, sempre tratou as pessoas muito bem e queria ver todos sempre felizes. Era muito brincalhão”.

Além da filha de três meses, Eduardo também tinha um grande carinho pelo enteado, Gustavo Carvalho Firmino Moya, de 23 anos. “Ele costumava dizer assim: ‘Queria que fosse meu filho’. E, para mim, é. Sempre ligava para saber como ele estava”, disse Samantha.

Eduardo queria se mudar

Eduardo havia visitado um apartamento em São Paulo dois dias antes de ser assassinado. O homem queria se mudar, pois achava que a rua era muito barulhenta e insegura, além de ter muitos botecos e “noias”. “No domingo, a gente foi ver um apartamento, porque ele queria muito sair dali. Ele falava que estava fazendo mal para ele, estava fazendo mal para a gente, falava que aquela rua é horrível, perigosa”, conta Samantha.

“Era um ambiente horrível, tinha muito barulho de carro e de música. A gente não gostava. A rua era suja, tinha muito ‘noia’. Ele queria sair dali o mais rápido possível”, complementa a viúva.

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