Luis Felipe Machado de Genaro
Cuba 13/Jul/2020 às 17:27 COMENTÁRIOS
Cuba

Cuba: da saúde universal ao Prêmio Nobel

Luis Felipe Machado de Genaro Luis Felipe Machado de Genaro
Publicado em 13 Jul, 2020 às 17h27

Luís Felipe Machado de Genaro*, Pragmatismo
Político


(Texto dedicado à campanha de CONVOCAÇÃO AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ ÀS BRIGADAS MÉDICAS CUBANAS HENRY REEVE: https://brigadasmedcuba.com/)

Tenemos el deber sagrado de no estar satisfechos jamás!“, intitulou Fidel Castro o seu célebre discurso compilado em um livreto de 1987 publicado pela Editora Politica de Havana, em um período difícil para a “ilha farol” da América Latina. Revolução é transição difícil e longa, nos recorda Fernando Heredia, cheia de contradições, lutas, vitórias e dificuldades. Em Cuba não foi diferente. A luta contra o velho bloqueio e uma política externa hostis são permanentes.

Falecido em novembro de 2016 o revolucionário cubano e liderança solidária e internacionalista de aguçada sapiência, as cinzas de Fidel jazem no interior de uma pedra em formato de grão de milho. Como em vida, os símbolos de renascimento e revolução humanas de uma contraditória LatinoAmérica sempre estiveram presentes, mesmo em sua morte.

A triunfante Revolução Cubana de 1959 balançou os alicerces do sistema capitalista. Próximos do bico e das garras da águia, mostrou aos irmãos e irmãs do Sul que era este o nosso “Norte” na bússola da História: uma revolução que abarcasse a libertação nacional, uma integração regional equânime, divisão de riquezas, terras para quem nela cultiva e retira a vida, riqueza cultural e Saúde e Educação públicas e universais.

Entre muitos ensinamentos sem prazos de validade compilados em obra recém-lançada pela Editora Expressão Popular (Socialismo como Alternativa Aos Dilemas da Humanidade), o advogado e filosofo revolucionário Fernando Heredia é criticamente assertivo: “o fato dramático é que, mesmo assim [aqui fala-se dos erros cometidos pelos regimes socialistas], as experiências socialistas foram superiores a todo o capitalismo do século XX. Foram superiores pelas suas próprias conquistas, por sua capacidade de desnudar os crimes terríveis ou cotidianos do capitalismo contra as pessoas, os países, e sua inaptidão como sistema para dar bem-estar às maiorias e uma opção de felicidade, e, sobretudo, por uma contribuição fundamental: mostrar a todos que é possível que a vida das pessoas seja mais humana” (p.41).

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Genaro

Cá estamos em um dos períodos mais sombrios da contemporaneidade. Quando um vírus mortal acaba por transformar (nos piores sentidos) e agonizar a vida de toda a Humanidade, resta questionarmos: estamos satisfeitos? Há vida real, satisfação plena, saúde e felicidade para todos em um sistema predatório e criminoso? A resposta é fácil. Como reconstruir o mundo a partir de um novo socialismo, socialismo do século XXI, essa sim é difícil.

Escrevo hoje para, humildemente, me unir ao sujeito coletivo que enxerga a necessidade de uma maior visibilidade aos heróis internacionalistas da brigada médica Henry Reeve, criada por Fidel Castro em 2005, com o intuito nobre de levar saúde, e não bombas, para todos os povos do mundo. Escrevo para ajudar a nobre campanha visando o Prêmio Nobel da Paz para médicos que já atenderam centenas de milhares. Vale lembrar que em tempos de pandemia, fúnebres e funestos como os nossos, saúde é paz, venha de onde vier. Quem diria que era da pequena ilha cercada por sanções e bloqueios econômicos impostos pelos EUA e sua política externa imperialista.

No site já constam mais de 6000 colaborações vindas das mais diversas localidades. São professores, estudantes, intelectuais, trabalhadores dos mais diversos. Sobre a contenção do vírus dentro da ilha, elogios e aplausos eufóricos de órgãos internacionais, vide a reportagem esclarecedora de apenas 5 min. do The Intercept Brasil (https://theintercept.com/2020/07/10/como-cuba-vence-a-covid-19-apesar-dos-eua/), comentando sobre a luta vitoriosa de Cuba contra o Covid-19, dentro e fora da ilha. Mas não somos ingênuos ou tolos de acreditar que a brigada ganhará o prêmio e que Cuba será vista com bons olhos em um futuro distante, se este futuro existir…

Manifestos online para diferentes causas, desde o fim do desmatamento desenfreado na Amazônia de Bolsonaro até assinaturas para evitar que uma rua histórica de um povoado interiorano não seja asfaltada com “piche casca de ovo”, não causam mais um efeito prático na vida das pessoas.

Concluo que a questão primeva de meu escrito não é ser pessimista ou otimista perante a campanha lançada ou os acontecimentos diários sobre o vírus e o futuro de Cuba, mas iluminar, mesmo que com uma centelha breve, a luta incansável da ilha socialista e de seus médicos, mostrando que a sua função social (não do ‘doutor’ rico e prepotente, como muitas vezes nos deparamos no Brazil) exige o máximo de humanidade, respeito e solidariedade com todos os povos do mundo, principalmente os mais necessitados e desassistidos.

Toda Revolução anticapitalista, como apontou Heredia, conta com barreiras quase intransponíveis. Mas uma coisa é certa: a barreira de médicos sem fronteiras dispostos a salvar vidas foi derrubada por Cuba em seu processo revolucionário. E disso, todos os progressistas do mundo deveriam se orgulhar.

Foto de @irenepperezz

Aqui está o link para assinaturas da CONVOCAÇÃO AO PRÊMIO NOBEL DA PAZ ÀS BRIGADAS MÉDICAS CUBANAS HENRY REEVE: https://brigadasmedcuba.com/

*Luís Felipe Machado de Genaro é historiador, mestre em história
pela UFPR e professor da rede municipal de Itararé

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