Redação Pragmatismo
Justiça 09/Jan/2020 às 18:05 COMENTÁRIOS
Justiça

Desembargador criticou "pessoas seminuas encostando seus corpos suados" em aviões

Publicado em 09 Jan, 2020 às 18h05

Desembargador que censurou Porta dos Fundos defende regalias de juízes pois eles têm "vida difícil e sacrificante". O magistrado, que não passou em concurso público e é contra a Lei Seca, criticou a presença de "homens e mulheres seminus, encostando seus corpos suados" em aviões

Benedicto Abicair
Benedicto Abicair (reprodução)

O desembargador Benedicto Abicair, que censurou o especial do Porta dos Fundos na Netflix, possui um histórico de posições controversas em artigos escritos para sites ligados à comunidade jurídica.

Entre elas, estão críticas à Operação Lei Seca (blitze de motoristas para inibir consumo de álcool ao volante) —inclusive defendendo um colega de tribunal que deu voz de prisão a agentes que pararam seu carro.

Abicair já chegou a defender a manutenção do auxílio-moradia para juízes — descritos por ele como pessoas como vida “difícil e sacrificante”, cheia de “agruras”.

O desembargador atuou como advogado de 1978 a 2006, quando passou a ocupar vaga de desembargador do TJ-RJ destinada a advogados. Ele frequentemente escreve para sites jurídicos sobre variados temas, tendo com frequência posições em defesa de interesses corporativos da magistratura.

Lei seca

Desde a criação da Operação Lei Seca, Abicair se mostra contra a forma como a operação — que é reconhecida por ter reduzido significativamente as mortes no trânsito — funciona.

As críticas à Lei Seca foram mantidas por ele até mesmo em um episódio controverso. Em novembro de 2011, o desembargador Cairo Ítalo França David, colega de Benedicto Abicair no TJ-RJ, deu voz de prisão a um fiscal após seu motorista se recusar a fazer o teste do bafômetro em uma blitz.

Abicair comparou os juízes às vítimas do nazismo ao comentar o caso em artigo no site Conjur. Para ele, o colega defendeu “suas próprias convicções jurídicas” em um episódio que “caracteriza a ousadia de servidores do Executivo em perpetrar violações a direitos constitucionais”.

“Homens e mulheres seminus”

O desembargador também criticou a presença de pessoas seminuas e suadas em aeronaves. Em julho de 2011, o desembargador destacou a importância de se “preservar tradições” e demonstrou insatisfação com “homens e mulheres seminus, encostando seus corpos suados” nos aviões.

“Lembro, ainda, que, tempos idos, era obrigatório, ou pelo menos de boa prática, o traje ‘passeio completo’ para os passageiros de avião. Atualmente vemos homens e mulheres seminus, encostando seus corpos suados nos ocupantes dos minúsculos assentos geminados. Bons tempos quando era politicamente correto ser bem vestido”, destaca.

Sem concurso público

Abicair foi estagiário durante 5 anos em um escritório da família e advogado por outros 28 anos. Ele nunca prestou concurso público e foi alçado ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) em 2006 pela ex-governadora Rosinha Garotinho, na vaga destinada a advogados.

Apenas em fevereiro de 2019, Abicair recebeu R$ 58 mil. Durante o ano, seus salários não ficaram abaixo dos R$ 40 mil mensais — acima do teto constitucional.

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