Redação Pragmatismo
Educação 19/Dez/2019 às 14:44 COMENTÁRIOS
Educação

Professor de matemática usa método Paulo Freire em sala de aula e emociona

Publicado em 19 Dez, 2019 às 14h44

"Coisas que me fazem chorar". Relato de professor de matemática que usou método Paulo Freire em sala de aula viraliza nas redes sociais

professor ricky cifuentes paulo freire

O nome de Paulo Freire voltou ao topo das discussões sobre educação no Brasil após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamar o educador de “energúmeno” no início da semana.

No Senado Federal, um requerimento foi aprovado para realizar sessão especial em homenagem a Paulo Freire, morto em maio de 1997. Até mesmo o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), assinou o requerimento.

A previsão é de que a sessão no plenário do Senado Federal seja realizada em 4 de maio de 2020, mês em que a morte de Freire completará 23 anos.

Nas redes sociais, um relato do professor e economista Ricky Cifuentes viralizou. Confira abaixo, em 12 pontos:

O relato do professor repercutiu. “Coisas que me fazem chorar”, publicou a professora universitária Talita Tavares. “Obrigada e eu chorei aqui. Nunca entendi matemática porque nunca nenhum dos exemplos fez sentido pra mim”, escreveu Ariély.

“Parabéns pela sensibilidade e pelo interesse. O método do Paulo Freire é usado em uma potência tal qual a Alemanha para escolarização de imigrantes e no tratamento de Alzheimer. Então a gente sabe quem é o energúmeno na história”, comentou Pádua.

“Jamais havia visto duas perfeições juntas. Explicação sobre o método de Paulo Freire, sua dedicação e a forma perfeita de trazer esses alunos para perto de si sem que se sentissem inferiores. Parabéns mestre, você tem como profissão o sacerdócio de tirar as pessoas da ignorância”, afirmou Dantas.

Paulo Freire

Para o professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Moacir Gadotti, é preciso rigor para falar de Paulo Freire. Ele relembra as incontáveis publicações e referências ao educador, e completa: “ele tem um lugar no mundo garantido pelo reconhecimento do seu trabalho, com contribuições na educação, nas artes, nas ciências e até na engenharia”.

Por isso, avaliá-lo somente como educador não basta, opina o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Miguel Arroyo. “A radicalidade dele tem que ser entendida dentro de nossa história”, garante. Daí a necessidade de se reivindicar o lugar de Paulo Freire. “Sobretudo por parte dos educadores populares que assumem, para além de suas ideias, as concepções de mundo que estão por trás delas”, reflete Gadotti.

O rechaço a Paulo Freire não é novidade e tampouco recente. Tem início já nos fins dos anos 50 e começo da década de 60, momento em que o educador idealiza a educação popular e realiza as primeiras iniciativas de conscientização política do povo, em nome da emancipação social, cultural e política das classes sociais excluídas e oprimidas.

Sua metodologia dialógica foi considerada perigosamente subversiva pelo regime militar, o que rendeu a Freire o exílio. O educador, entretanto, não deixou de produzir e nesse período escreveu algumas de suas principais obras, dentre elas, a Pedagogia do Oprimido — único livro brasileiro a aparecer na lista dos 100 títulos mais pedidos pelas universidades de língua inglesa.

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