Redação Pragmatismo
Cultura 04/Dez/2019 às 12:48 COMENTÁRIOS
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Chico Buarque receberá Prêmio Camões mesmo sem assinatura de Bolsonaro

Publicado em 04 Dez, 2019 às 12h48

Prêmio Camões será entregue a Chico Buarque mesmo sem Bolsonaro assinar condecoração. Presidente brasileiro disse que assinaria prêmio deste ano em 2026. No entanto, mandato acaba em 2022

Chico Buarque Prêmio Camões
Chico Buarque (Imagem: Amanda Guimarães/aCrítica)

Chico Buarque receberá o Prêmio Camões mesmo sem assinatura a de Jair Bolsonaro. O anúncio foi feito pelo Ministério da Cultura de Portugal nesta quarta-feira (4).

O Prêmio, considerado o mais importante da literatura em língua portuguesa, será entregue no dia 25 de abril de 2020, em Lisboa. A data, a mesma da Revolução dos Cravos, foi escolhida pelo cantor.

Segundo as autoridades portuguesas, a parte financeira da premiação foi resolvida em junho, e a assinatura do diploma pelo presidente é apenas uma formalidade. Isso não impede a entrega e a cerimônia.

Chico Buarque foi anunciado vencedor do Prêmio Camões 2019 no dia 21 de maio, após reunião do júri, na Biblioteca Nacional, no Rio. O prêmio, de 100 mil euros, é pago por Brasil e Portugal, em partes iguais.

Em outubro, ao ser questionado por jornalistas em frente ao Palácio da Alvorada se assinaria o diploma do prêmio, Bolsonaro disse: “Eu tenho prazo? Então 31 de dezembro de 2026, eu assino”.

“A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo prêmio Camões”, escreveu o cantor, que é crítico do atual governo, em um post no seu perfil no Instagram.

Prêmio Camões

Instituído em 1988, o Prêmio Camões de Literatura tem o objetivo de reconhecer um autor de língua portuguesa que tenha “contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural” do idioma através de seu conjunto da obra.

Conhecido principalmente como um dos maiores nomes da MPB, Chico Buarque conseguiu sucesso também como dramaturgo e como escritor. Além de ganhar os prêmios Jabuti de melhor livro do ano por “Leite Derramado” e por “Budapeste”, também foi ganhador como melhor romance com “Estorvo”.

O júri responsável pela escolha é formado por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa.

“Os textos de Chico Buarque para teatro, as óperas são de uma qualidade sensacional. Assim também são os romances. Portanto é uma obra no seu conjunto que justifica esta nossa decisão”, afirma o jurado português Manuel Frias Martins, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

“Ele não era o único nome, mas o Chico Buarque reúne uma universalidade que faltava a outros candidatos. Universalidade de tocar em várias culturas. E isto dava ao Chico um consenso quase natural. Foi relativamente fácil chegar ao nome dele”, acrescentou o professor.

VEJA TAMBÉM: “Ganhei eu”, diz jornalista português sobre vitória de Chico no Prêmio Camões

Para o jurado brasileiro Antônio Carlos Hohlfeldt, jornalista, escritor e professor universitário, é impossível contar a história do Brasil entre os anos 1960 e 1990 sem conhecer a obra de Chico Buarque.

13º ganhador brasileiro

Com a concessão deste prêmio, Chico se torna apenas o 13º brasileiro a fazer parte de um seleto grupo de grandes nomes como Jorge Amado (1994) e os portugueses José Saramago (1995) e António Lobo Antunes (2007). Outros vencedores ilustres são Mia Couto, João Ubaldo Ribeiro e Ferreira Gullar.

“A variedade de produção do Chico também foi importante. Ele tem a poesia, a dramaturgia e os romances. Particularmente, eu não sou muito fã dos romances, mas é indiscutível que um poema como ‘Construção’, que trabalha com proparoxítonas rimadas, é um negócio extraordinário. É das coisas mais difíceis de fazer em língua portuguesa. Assim como outras tantas contribuições que o Chico tem, com penetração em todos esses países.”

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