Redação Pragmatismo
Governo 06/Nov/2019 às 19:38 COMENTÁRIOS
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Megaleilão do pré-sal fracassa e brasileiros respiram aliviados

Publicado em 06 Nov, 2019 às 19h38

Megaleilão do pré-sal teve adesão pífia e arrecadação muito aquém do esperado. Fracasso foi um desastre para o governo e bom para o Brasil. “O resultado foi o menos pior”, avalia presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras

megaleilão do pré-sal
Mauro Pimentel/AFP via Getty Images

Especialistas avaliam que o megaleilão do pré-sal nesta quarta-feira (6) foi um fiasco para o governo Bolsonaro. A expectativa do governo era receber R$ 106,5 bilhões por quatro áreas de exploração, e o valor arrecadado foi de R$ 69,8 bilhões por dois desses campos (Búzios, o mais valioso, por R$ 68,2 bilhões, e Itapu por R$ 1,6 bilhão). Os outros dois campos (Sépia e Atapu) não receberam ofertas.

Em um dos campos, o de Búzios, a oferta foi vencida por um consórcio formado pela Petrobras com as empresas chinesas CNOOC e CNODC. Os chineses, porém, vão entrar com apenas 10% do total, menos de R$ 7 bilhões, e o restante será pago pela Petrobras. Já para o outro campo, o de Itapu, a única oferta foi a da Petrobras.

Como não houve concorrência (e as únicas estrangeiras a participar foram as que se uniram à Petrobras), os campos foram arrematados pelo lance mínimo previsto. Nesse tipo de leilão, além do valor fixo a ser pago para cada um dos campos, a disputa se dá pela oferta de petróleo ao governo durante o período de contrato (30 anos).

“Ficou muito claro que o governo errou a mão na definição dos bônus, cobrou caro demais. O fato de a geologia na área ser de baixíssimo risco, e a oferta era por campos com petróleo já descobertos, expõe esse erro ainda mais”, disse o economista Edmar Fagundes de Almeida, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Isso resultou no pior cenário possível para esse leilão. Dois campos arrematados pela própria Petrobras, sem concorrência, e pelo lance mínimo possível para os dois campos”, disse Fagundes.

“Então, não é apenas o fato de ter recebido um valor inferior ao que esperava, mas também de que no futuro o lucro vai ser mais baixo. O governo ficou preso com um contrato com valor mínimo por 30 anos. É preocupante.”

Ruim para o governo, bom para o Brasil

Felipe Coutinho, presidente da Associação dos engenheiros da Petrobras, avaliou que o cenário poderia ter sido pior. “O resultado foi o menos pior. Petrobras arrematou os dois blocos onde exerceu preferência, Búzios e Itapu. Em Búzios, com 90% em parceria com chineses. Em Itapu, sozinha. Os blocos de Sépia e Atapu não receberam propostas”, disse.

“Considero que o leilão não deveria ser realizado porque é inoportuno e lesivo ao interesse nacional. Acelera o ciclo extrativo e primário exportador, do tipo colonial, do petróleo cru do Brasil. Os critérios prejudicam o interesse nacional porque não retém a renda petrolífera corrente e potencial, prioriza o pagamento do bônus de assinatura, que é a antecipação descontada da renda petrolífera futura”, acrescentou.

O presidente da Câmara do Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o leilão gerou “frustração”. Segundo Maia, o setor privado “fugiu” da disputa. Das 14 empresas habilitadas, só sete compareceram ao leilão.

“O governo tinha a expectativa de arrecadar mais de R$ 100 bilhões e foi frustrado. Agora. Vamos ouvir as análises e vamos ver como o governo, recebendo essas análise, como trabalha para que o futuro não tenha o mesmo tipo de problema”, acrescentou o presidente da Câmara.

Segundo o jornalista Fernando Brito, o fiasco do leilão ocorreu pela incompetência estratégica do governo e pela desconfiança que a gestão Bolsonaro gera no mundo.

“O fiasco do leilão é mais do que a desconfiança no Brasil de Jair Bolsonaro — que é um fato. É também da estupidez que fizeram de abrir o leilão quase que ao mesmo tempo em que se anuncia o IPO da Aramco, estatal de petróleo da Arábia Saudita, a companhia mais rentável do mundo (US$ 111 bilhões de lucro líquido em 2018, ou cerca de R$ 444 bilhões)”, analisa Brito.

O jornalista ainda lembrou que a Bolsa caiu e o dólar subiu após o leilão. “A Bolsa, que subia forte, caiu quase 2 mil pontos quando o maior dos campos, Búzios, não teve outras ofertas além da liderada pela Petrobras. O dólar pulou e chegou, de R$ 3,99, para R$ 4,08”.

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