Redação Pragmatismo
Racismo não 03/Out/2019 às 16:00 COMENTÁRIOS
Racismo não

“Queria que a escravidão voltasse. Você ia ter que fazer sexo comigo”

Publicado em 03 Out, 2019 às 16h00

Funcionária da Club Med é assediada no trabalho com pedido de volta da escravidão. Homem sugeriu que ela teria que fazer sexo com ele caso não tivesse havido a libertação dos negros

No último dia 10 de setembro, no horário de almoço, Eunice Cides de Oliveira, 30, conversava com colegas de trabalho na copa do escritório da Club Med Rio de Janeiro, em Botafogo. No local, a mulher foi assediada por Sérgio Simões, também funcionário da empresa.

“Eu estava na copa, conversando com as meninas. Esse funcionário pegou no meu braço, chegou dizendo que queria que a escravidão voltasse, que eu teria que fazer sexo com ele, repetindo o tempo todo que eu deveria fazer o que ele quisesse, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ainda fazia gestos como se estivesse me chicoteando, fazendo sexo comigo”, relatou Eunice ao jornal Folha de S.Paulo.

Como reação de momento, Eunice lembra que só conseguiu retrucar: “Sério que você vai falar isso mesmo?” O homem, então, teria continuado rindo, como se tudo fosse uma brincadeira.

No mesmo dia em que foi atacada, ela comunicou o fato a seu coordenador, nervosa e tremendo muito. Ele a teria chamado para uma sala e convocado outro supervisor. “Eles queriam que eu fosse conversar com o agressor”, diz. “Respondi que eu não tinha condição nenhuma. Foram lá falar com ele, e o cara disse que iria me pedir desculpa quando cruzasse no corredor.”

Uma ocorrência por injúria racial contra Sérgio Simões foi registrada na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) pelo advogado da vítima, Bruno Cândido.

Contra o coordenador de Eunice, foi registrada uma ocorrência por injúria simples. Isso porque, três dias depois de ter denunciado que foi assediada no trabalho, ela ligou para esse supervisor para comunicar que tinha ido a uma psiquiatra e não fora trabalhar por recomendação da psicóloga.

Quando desligaram, o coordenador enviou uma mensagem por WhatsApp por engano para Eunice. O destinatário seria outro supervisor da Club Med, mas o chefe trocou os números sem querer. O conteúdo da mensagem: “Filha da puta!! Chata pra caralho!!!!”

Print do WhatsApp que o advogado de Eunice enviou à reportagem da Folha de S.Paulo

Club Med

Por meio da assessoria de imprensa, a Club Med informou à Folha que demitiu Sérgio Simões. Testemunhas teriam corroborado que ele era reincidente em piadinhas e falas assediadoras.

A empresa afirma ainda que a discriminação é contrária a seus valores. E que diversas vezes convidou a colaboradora para abrir um diálogo após o ocorrido.

Porém, segundo Eunice, o RH da Club Med fez um único chamado para ouvi-la, e isso nove dias depois do episódio de racismo e assédio sexual. Ela está afastada do trabalho por estresse pós-traumático. Seu advogado protocolou ainda uma denúncia contra a empresa no Ministério do Trabalho.

Eunice Oliveira (reprodução)

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