Mailson Ramos
Colunista
Jair Bolsonaro 13/Set/2019 às 10:00 COMENTÁRIOS
Jair Bolsonaro

A antecipação de 2022

Mailson Ramos Mailson Ramos
Publicado em 13 Set, 2019 às 10h00

Ninguém mais esconde que a disputa presidencial de 2022 começou. O próprio presidente da República não desceu do palanque – e os adversários, que não são bobos, pegaram o bonde da campanha antecipada.

antecipação 2022 eleições bolsonaro

Jair Bolsonaro (PSL) e Ronaldo Caiado (DEM) em abertura Festa do Peão de Barretos (Imagem: Marcos Corrêa | PR)

Pouco depois de completar sete meses à frente do governo brasileiro, Jair Bolsonaro revelou a intenção de entregar o ‘país melhor’ em 2026. O presidente fazia referência à reeleição em 2022. Mas este não é o indício mais claro de que a disputa havia se iniciado antes do tempo. O fato é que Bolsonaro jamais desceu do palanque. Não se comporta como presidente da República, o vencedor das Eleições de 2018.

Quando reclama a conquista e a condição de mandatário é aos berros. Existem símbolos e meios institucionais – e, sobretudo comportamentais – para Bolsonaro mostrar que de fato é presidente. Não precisa esbravejar para a imprensa ou se comparar ao Johnny Bravo. Não precisa mostrar a caneta Bic todas as vezes em que se contesta uma nomeação. Não precisa usar as atribuições de presidente para destilar ódio contra adversários políticos.

A antecipação de 2022 é a prova perfeita do descontentamento da classe política. E, muito em breve, do povo brasileiro. O governo de Jair Bolsonaro parece envelhecido com apenas oito meses. As declarações do presidente são comparáveis às inconsequências de um adolescente mimado. Nada, entretanto, é tão raso e destemperado quanto os discursos dos filhos do presidente que o auxiliam na tarefa de ridicularizar o país internacionalmente.

A disputa está tão clara que Bolsonaro resolveu atacar os adversários Luciano Huck e João Doria. Ataques estes que somente evidenciam a falta de sensibilidade do presidente. Se mais esperto fosse, ignoraria a presença destes adversários até o momento oportuno – e governaria. A antecipação do embate só mostra que o Brasil não tem um governo e que o presidente está preocupado em vencer mais uma eleição sem sequer terminar o atual mandato.

Leia aqui todos os textos de Mailson Ramos

Um presidente que se comporta como eterno candidato não governa. Além da disputa de 2022, Bolsonaro só apresenta preocupação pela indicação do filho à embaixada nos Estados Unidos e a alteração de peças na Polícia Federal, Coaf (que agora mudou de nome e se chama Unidade de Inteligência Financeira) e na Receita Federal. E se regozija com a apresentação de miudezas como retirar radares de rodovias, suspender publicação de balanço de empresas em jornais e fazer guerra com autarquias e ONGs.

Bolsonaro rechaça claramente o ministro da Justiça Sérgio Moro por acreditar que ele disputará as eleições de 2022 como candidato a presidente. Significa dizer que dentro do próprio governo já existe uma disputa (ainda que velada) por um pleito distante. Moro entrou no governo como uma âncora e agora parece boiar a cada desautorização do chefe. Todo o motivo é a disputa de 2022.

Em vez de pensar na economia, que rasteja, Jair Bolsonaro lança os olhos para 2022 como se quisesse ampliar o mandato que conquistou sem nem ao menos governar. O presidente da República precisa governar e se esquecer de eleição. Se fizer um bom trabalho, o povo o manterá no poder; se não, sai. Assim é a democracia. O que não pode é o Brasil permanecer em disputa eleitoral constante com 14 milhões de desempregados, economia estagnada e o aumento da desigualdade social (palavra jamais dita pelo presidente).

*Mailson Ramos é escritor, profissional de Relações Públicas e autor do site Nossa Política

Siga-nos no InstagramTwitter | Facebook

Recomendações

Comentários