Redação Pragmatismo
Justiça 11/Jun/2019 às 09:59 COMENTÁRIOS

Marina exige explicações e Ciro acusa Moro de "formação de quadrilha"

Ciro Gomes chama Sergio Moro de "anta exibicionista", o acusa de formação de quadrilha e diz que não vê como ele possa continuar ministro. Marina Silva pede explicações sobre o escândalo da Lava Jato

Ciro Gomes Sergio Moro Lava Jato
Ciro Gomes (Imagem: Paulo Whitaker/Reuters)

Em palestra na Faculdade de Direito na Universidade Federal do Ceará (UFC) na noite desta segunda-feira (10), o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) comentou o escândalo da Lava Jato revelado pelas reportagens do The Intercept.

Ciro Gomes afirmou que sempre foi crítico da judicialização da política promovida pela operação Lava Jato, a quem classificou como um “formação de quadrilha”.

“Eu duvido muito da luz jurídica de Moro. Acho Sergio Moro uma anta, exibicionista, vaidoso e arbitrário. O que ele fez foi espalhar nulidades”, disse ele, reforçando que o escândalo divulgado pelo The Incercept poderá decretar a “nulidade” dos processos julgados por Moro.

Na palestra, Ciro disse que não faria juízo de valor sobre a sentença proferida contra o ex-presidente Lula. Apesar de dizer que não comentaria se a mesma era justa ou injusta, Ciro afirmou que que a condenação foi baseada em indícios e sem provas.

Marina pede explicações

A também ex-presidenciável Marina Silva (Rede), por sua vez, escreveu um texto no Facebook para comentar o conluio entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Confira trechos da publicação:

Há um princípio básico da Justiça, que tenho lembrado e repetido sempre na forma de uma antiga expressão popular: não se pode ter dois pesos e duas medidas. O que é errado para um, não pode ser tolerado para outros.

Esta é, mais uma vez, minha posição com relação às denúncias envolvendo personalidades públicas no Brasil. As informações divulgadas pelo The Intercept Brasil, exigem explicações do Ministro Sérgio Moro, do Procurador Deltan Dallagnol e de todos os envolvidos no caso. A apuração dos fatos por parte do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público torna-se um imperativo ético para a sociedade brasileira, diante do envolvimento de membros dessas instituições.

As responsabilidades de cada um devem ser colocadas claramente para a opinião pública, para preservar a Justiça. Se os condutores da Operação Lava-Jato usaram, em qualquer momento, de meios incompatíveis com os preceitos legais, devem ser punidos sem que seus possíveis erros sirvam de pretexto para desconstruir a luta anticorrupção da sociedade brasileira, que permanece legítima e necessária.

O pior dos mundos e o maior prejuízo para a democracia e os interesses da sociedade brasileira, seria que as instituições se deixassem enveredar pela insana lógica de um cabo-de-guerra, onde cada lado separa meios e fins. O ordenamento jurídico e os procedimentos do Poder Judiciário foram construídos em muitos séculos. Os rituais da Justiça não são vazios, nem meras técnicas que podem ser usadas ou abandonadas de acordo com as conveniências dos operadores do Direito e da Justiça. Eles são garantias da civilização e da democracia.

A corrupção não pode ter trégua e o Brasil não aceitará nenhum retrocesso, nem no que concerne aos fins, nem no respeito aos meios jurídicos adequados. Esse deve ser o único peso e a única medida para investigados, investigadores, julgadores e quem quer que seja.

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