Redação Pragmatismo
Armas de Fogo 16/Apr/2019 às 20:26 COMENTÁRIOS

Vídeo mostra momento em que policial civil mata PM em boate

Bangue-bangue: nas imagens da boate, é possível ver o PM passando em frente ao policial civil. Eles se esbarram e o agente saca a arma. O policial militar também chega a pegar sua pistola, mas é alvejado antes. Pai e namorada da vítima passam mal em velório

policial civil mata pm boate

O policial civil Péricles Marques Portela Júnior, de 39 anos, matou o policial militar Herison Oliveira Bezerra, de 38 anos, na madrugada da última segunda-feira (15) na casa noturna Barril 66, em Brasília (DF).

Câmeras da boate flagraram o momento do assassinato. Nas imagens (assisa abaixo), é possível ver o policial militar passando em frente ao agente. Eles se esbarram e o policial civil saca a arma. O PM também chega a pegar a sua pistola, mas é alvejado antes.

Toda a cena ocorre diante de vários civis que estavam no local para se divertir. No momento dos disparos, a boate estava lotada. O estabelecimento tem capacidade para 1,5 mil pessoas.

A vítima levou três tiros – dois no tórax e um no abdômen. Ele chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.

Testemunhas disseram que os dois já haviam discutido antes de ocorrerem os disparos. O militar teria ido ao banheiro e o agente ficou esperando na porta.

Outras testemunhas relataram que o agente mexeu com a namorada do militar. O tenente teria flagrado e repreendido a atitude do policial. Disse que ela estava acompanhada e pediu para o homem respeitá-la.

Péricles tentou fugir depois de matar Herison, mas foi contido por uma viatura da PM que estava próxima ao local do crime. Aos delegados, o policial civil alegou legítima defesa.

A esposa do PM quase foi atingida. Nas imagens flagradas pelas câmeras de segurança, ela aparece tentando socorrer o marido. Herison deixa um filho adolescente, de 16 anos.

VÍDEO:

Pessoas armadas na boate

Um policial militar que atendeu a ocorrência disse que estava na viatura, perto da boate, quando ouviu os disparos.

“Presenciamos muitas pessoas correndo, pulando a grade, as janelas. Tentamos ver se alguém estava armado, mas não vimos nada. Nos informaram que tinha um policial baleado no banheiro. Entramos e encontramos ao menos cinco pessoas armadas na boate, entre policiais civis e militares”, destacou o PM.

Ainda de acordo com o militar, o tenente Herison estava deitado no chão, ferido, em estado grave. O Corpo de Bombeiros foi acionado e a equipe tentou localizar o atirador.

“Uma testemunha afirmou que o atirador estava saindo do local. Corremos, pulamos a cerca e conseguimos detê-lo. Ele ficou dizendo que ia se entregar, mas demos voz de prisão e pedimos a arma”, contou.

Juíza mantém policial preso

Em audiência de custódia, a juíza Flávia Pinheiro Brandão Oliveira converteu a prisão em flagrante de Péricles em preventiva. A decisão ocorreu na manhã desta terça-feira (16).

O policial civil Péricles Marques Portela Júnior

De acordo com a magistrada, “a análise dos autos revela a elevada periculosidade social do autuado, tendo em vista que, após um simples esbarrão em um estabelecimento comercial, que estava muito cheio, teria sacado sua arma de fogo e efetuado quatro disparos em desfavor da vítima, deixando-a totalmente sem possibilidade de reação”.

Para Flávia Oliveira, “o fato é grave e a prisão se mostra necessária”. “Ressalte-se que a atitude do autuado colocou em risco a vida de milhares de pessoas que estavam no local em busca de diversão”, assinalou a juíza.

Outro agravante, no entendimento da magistrada, é o fato de Péricles ser policial civil, “o que torna ainda mais reprovável a sua conduta, uma vez que deveria zelar pela garantia da segurança das pessoas e, no caso, de forma diametralmente oposta, criou a situação de absoluta insegurança no local”.

Velório

Herison Oliveira foi enterrado nesta terça. Familiares e colegas de trabalho da Polícia Militar do Distrito Federal prestaram as últimas homenagens ao PM.

A namorada do PM estava inconsolável e passou mal. “Volta para casa, meu amor”, pediu, aos prantos, durante o sepultamento. O pai de Herison também precisou de atendimento médico.

Colega do tenente, o soldado Miguel Pereira diz que o sentimento é de revolta e dor. “Era algo que poderia ter sido evitado”, destacou.

O policial militar Herison Oliveira Bezerra

Armas de fogo

Nas redes sociais, internautas lamentaram a tragédia e alertaram sobre os riscos do afrouxamento da posse de armas de fogo no Brasil. “Eram dois profissionais treinados. Imaginem os não-profissionais mal treinados”, observou um usuário.

A facilitação da posse das armas de fogo no Brasil foi publicada em um decreto pelo presidente Jair Bolsonaro no início do mês de janeiro.

O texto do decreto permite aos cidadãos residentes em área urbana ou rural manter até 4 armas de fogo em casa. O decreto também aumentou o prazo de validade do registro da arma. Era de cinco anos e passou para dez anos.

Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 31 de dezembro, 61% dos entrevistados consideram que a posse de armas de fogo deve ser proibida por representar ameaça à vida de outras pessoas.

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Comentários

  1. Aliança Nacional Libertadora Postado em 06/Jul/2019 às 00:39

    Que coisa banal.....se um não morresse morreria o outro...abrindo fogo dentro da boate....sorte que não acertou nenhum outro coxinha.....agora pensa em dono de estabelecimento não poder nem proibir que policial entre armado no seu bar? Poderia ele mesmo ser baleado...