Redação Pragmatismo
Lula 26/Apr/2019 às 21:55 COMENTÁRIOS

Lula chora em 1ª entrevista na prisão e promete desmascarar Sergio Moro

Lula chora ao falar do neto, mas mostra-se altivo ao discorrer sobre o povo brasileiro. Ex-presidente apareceu disposto e profundamente irritado com a situação em que se encontra, assim como a que o país está mergulhado. Assista

Lula entrevista na prisão
O ex-presidente Lula (reprodução)

Depois de mais de 1 ano preso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista contundente nesta sexta-feira (26) para os jornais Folha e El País (assista ao final do texto).

“Tomei a decisão de que meu lugar era aqui. Tenho tanta obsessão de desmascarar o Moro, o Dallagnol e sua turma que eu ficarei preso 100 anos, mas não trocarei minha dignidade pela liberdade”, declarou Lula.

Depois de meses de tentativas, os veículos conseguiram autorização judicial para a entrevista. É a primeira vez que Lula fala à imprensa desde que foi encarcerado em Curitiba.

Em um vídeo de cerca de oito minutos, divulgados pelo El País em sua página do Youtube, Lula aparece disposto e profundamente irritado com a situação em que se encontra, assim como a que o país está mergulhado.

“Você pensa que eu não gostaria de estar em casa? Adoraria estar em casa com minha mulher, com meus filhos, meus netos, meus companheiros. Mas não faço nenhuma questão porque quero sair daqui com a cabeça erguida como entrei, inocente. E só posso fazer isso se tiver coragem e lutar por isso”, afirmou aos jornalistas Monica Bergamo e Florestan Fernandes Junior.

Lula afirma não ter ódio, nem guardar mágoa de ninguém. “Até porque, na minha idade, quanto a gente fica com ódio a gente morre antes e não quero morrer”, sorri. “Como quero viver até os 120, porque acho que sou um ser humano que nasceu pra viver até os 120, vou trabalhar muito para provar minha inocência e a farsa que foi montada. Por isso vim pra cá com muita tranquilidade.”

Tranquilidade essa que, acredita o petista, seus adversários não têm. “Eu durmo todo dia com minha consciência tranquila, e tenho certeza que o Dallagnol não dorme e o Moro não dorme. E aqueles juízes do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) que nem leram a sentença? Fizeram um acordo lá. Era melhor que um só tivesse lido e ter falado: todo mundo aqui vota igual.”

Em dois momentos, Lula manifesta sua preocupação maior. “Estou aqui pra procurar Justiça, provar minha inocência, mas estou muito mais preocupado com o povo brasileiro. Porque eu posso brigar, mas o povo nem sempre pode.”

Florestan pergunta sobre os filhos e as dificuldades financeiras da família. “Estão todos mal. Meus bens estão todos sequestrados”, disse, para lembrar o “absurdo” da multa de R$ 32 milhões “para pagar não sei o quê”. “O STJ (Superior Tribunal de Justiça) diminuiu para R$ 2 milhões. Qual a lógica?”

“Não consigo imaginar os sonhos que eu tive pra esse país. O sonho que eu tinha quando a gente descobriu o pré-sal pra fazer esse país virar gigante. Eu tenho orgulho e eu sonhei grande porque passei a ser um presidente muito respeitado. O Brasil era referência.”

Lula falou então de sonhos realizados. Da criação do bloco na América do Sul “pra gente ter força nas negociações com a União Europeia, com os EUA, com a China”. E de como o Brasil foi muito importante no G20: “Eu fui único presidente a ser chamado pra todas as reuniões no G8”.

Com tristeza e voz embargada, Lula constata: “Tudo isso desmanchou. Agora eu vejo que o prefeito de Nova York não quer fazer um jantar com o presidente do Brasil, o dono do restaurante se recusa. A que ponto chegamos, que avacalhação”.

Emoção

A postura firme e altiva de Lula se desmancha por alguns instantes, para falar do neto Arthur, de 7 anos, que morreu no dia 1º de março. “A morte do meu neto é uma coisa que efetivamente não, não…” Lula interrompe a fala e chora após a pergunta de Florestan.

“Às vezes penso que seria tão mais fácil que eu tivesse morrido. Já vivi 73 anos, poderia morrer e deixar meu neto viver. Mas não são apenas esses momentos que deixam a gente triste.”

“Sou um homem que tento ser alegre, tento trabalhar muito a questão do ódio. Trabalho muito pra vencer a questão do ódio, da mágoa profunda. Tenho muitos momentos de tristeza aqui, mas o que me mantém vivo, e é isso que eles têm de saber: que tenho compromisso com este país”, brada, batendo na mesa.

VÍDEOS:

(7 minutos divulgados pelo EL País)

(17 minutos divulgados pela Folha)

A chegada de Lula:

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