Redação Pragmatismo
Lula 05/Mar/2019 às 12:16 COMENTÁRIOS
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Rachel Sheherazade repudia corrente de ódio contra Arthur e Lula

Publicado em 05 Mar, 2019 às 12h16

Rachel Sheherazade surpreende e grava dura mensagem contra corrente de ódio que se formou contra o ex-presidente Lula a partir da morte do seu neto Arthur, de 7 anos: “Não é castigo divino, não. Vocês são a vergonha do cristianismo”

Rachel Sheherazade neto Lula
Rachel Sheherazade (reprodução/vídeo)

Conhecida crítica do petismo e de governos de esquerda, a apresentadora Rachel Sheherazade deixou suas divergências políticas de lado para mostrar que a compaixão vem em primeiro lugar.

Sheherazade divulgou nas redes sociais um vídeo em que repudia as pessoas que celebraram a morte de Arthur Araújo, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A apresentadora do SBT disse que os cristãos que comemoraram o falecimento da criança de 7 anos são a “vergonha do Cristianismo.” Citando o slogan de Campanha de Jair Bolsonaro, a jornalista aconselhou que as pessoas reflitam sobre o que postaram na internet ao dizerem que a morte do menino foi um castigo divino a Lula. “Tirem o féu dos seus corações. Se Deus está acima de tudo, o amor tem que falar mais alto.”

Rachel pediu que as pessoas não ‘apedrejem’ mais o ex-presidente. “Parem de regozijar da desgraça alheia, do homem encarcerado, do marido que perdeu a mulher, do amigo que perdeu o irmão, do avô que acabou de perder um neto de 7 anos de idade. Se vocês não são capazes de se apiedar, que pelo menos não ‘apedrejem’ mais. Sofrimento de Lula não é castigo divino como vocês andam publicando nas redes sociais.”

VÍDEO:

Reinaldo Azevedo, outro conhecido detrator de Lula na mídia brasileira, manifestou-se em tom semelhante. Leia o que ele disse:

Há milhões de brasileiros sofrendo neste exato momento pelas mais variadas razões. Podemos vislumbrar a dor de Lula porque ele é uma figura pública.

Quem conhece a estrutura da tragédia clássica — recomendo aos que ignoram o assunto uma pesquisa — constata: ninguém jamais experimentou no Brasil, como ele, todos os relevos da vida do herói trágico.

Já neste ponto, um desses idiotas do dedo rápido, sem nem o cuidado de abrir uma janela e procurar no Google o sentido da expressão “herói trágico”, sai vociferando: “Olhem o Reinaldo chamando Lula de herói…”. A besta ao quadrado não se dá conta de que herói, na acepção de que trato, é um termo carregado de ambivalências.

Não estou aqui a fazer uma leitura política do acontecimento doloroso que colheu a família de Lula, com a morte do menino Arthur, seu neto, de apenas sete anos. Enveredar por esse caminho seria reduzir a dor do avô, do pai, da mãe, dos familiares. Expresso a solidariedade de quem, sendo pai e avô ainda futuro, sente no peito a angústia insuportável só de imaginar o que nem digno de imaginação deveria ser.

É verdade! Lula não é o primeiro a passar por essa dor. Todos os dias avôs perdem netos no Brasil. E não temos a chance de nos comover ou nos solidarizar porque não ficamos sabendo. Esse caso, envolvendo o menino Arthur, ganha relevo por ser o avô quem é. Usar, no entanto, os sofredores anônimos como justificativa para a impiedade, para a falta de empatia, é moralmente asqueroso. Há mais: manifestações detestáveis nas redes sociais assombram pela crueldade, pela estupidez, pela violência retórica.

Subjacente aos comentários indecentes, há o suposto combate à corrupção. Quem quer viver num mundo comandado por pessoas que, na pele de defensores implacáveis dos bens públicos, celebram a morte de uma criança porque também esse evento seria mais um justo castigo ao avô?

Quem quer ter um Eduardo Bolsonaro como guia do seu humanismo? O seu tuíte restará como um emblema destes tempos. Escreveu: “Lula é preso comum e deveria estar num presídio comum. Quando o parente de um outro preso morrer, ele também será escoltado pela PF para o enterro? Absurdo até se cogitar isso. Só deixa o larápio em voga posando de coitado”.

Comentei a barbaridade no programa “O É da Coisa”. E disse a verdade ao afirmar que, ao ler tal mensagem, não senti repúdio intelectual apenas, mas também ânsia de vômito. Não era metáfora. Não era hipérbole. Era vontade de vomitar. Não que ele fizesse feio diante do pai. Indagado, certa feita, se achava que Dilma terminaria o mandato, Bolsonaro afirmou: “Eu espero que acabe hoje, infartada ou com câncer, de qualquer maneira”. Ah, claro, ele fez essa afirmação porque estaria preocupado com o Brasil.

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