Redação Pragmatismo
Educação 28/Mar/2019 às 12:32 COMENTÁRIOS

Ministro da Educação é desmoralizado em comissão da Câmara

Ricardo Vélez Rodriguez foi desmoralizado na Câmara em uma das reuniões públicas mais constrangedoras dos últimos tempos. Ministro da Educação nega saída do governo, mas permanência parece insustentável

Velez Rodriguez camara dos deputados

Durante audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27), o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, disse que não tem disposição de deixar o cargo.

A audiência foi marcada pela desmoralização pública do ministro, que se confundiu e não soube responder a questionamentos básicos dos parlamentares.

Em sua defesa, o ministro disse que não cabe a ele saber “de cor e salteado” números que envolvam sua pasta. “Muitos pediram para eu sair, mas não vou sair. Por que é um passeio às ilhas gregas, não? O cargo é um abacaxi do tamanho de um bonde. Mas topei o convite porque quero devolver ao meu País o que ele fez por mim”, disse Vélez.

Em resposta ao deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que pediu sua renúncia durante audiência, Vélez afirmou: “Não renuncio, não faz sentido. Só apresentaria minha renúncia ao presidente da República. Ou ele me demite.” O deputado do PSOL interrompeu a resposta do ministro e questionou: “Falta muito?” Parte dos presentes riu.

O deputado federal Túlio Gadêlha (PDT) parabenizou de maneira irônica o ministro da Educação. “Parabéns pela coragem de vir aqui sentar em frente a dezenas de parlamentares sem nenhum dado, estudo ou estatística“, disse. O deputado ainda postou no Twitter: “Só com muita ironia para lidar com esse governo”.

“Quero parabenizar pela coragem, ministro. Seu colega ministro Paulo Guedes não teve a mesma coragem quando foi convidado para debater a Previdência na CCJ. Ele foi frouxo e vossa excelência não foi”, disse Túlio, que ironizou também a falta de dados que reforcem as políticas propostas pelo governo para a Educação. “O senhor nos dá, principalmente aos alunos, um péssimo exemplo, pois veio para a prova sem estudar”, ironizou.

“Eu daqui olhando vossa excelência defender o indefensável e vendo os parlamentares lhe fuzilarem com perguntas, mais parece um filme do Rambo, porque o senhor só veio com a faquinha. E nessa guerra aqui a gente precisa de informações obre as políticas e ideias que precisam ser embasadas em números”, comentou.

Ao final, usando de ainda mais ironia, o deputado pediu que o ministro não deixasse o cargo, para evitar um sucessor pior. “Venho pedir que vossa excelência não entregue o carro, fique e se segure nesse ministério. Um governo que pretere Paulo Freire à Olavo de Carvalho não tem como dar certo e eu particularmente tenho muito medo de quem vai lhe suceder”.

No entanto, a deputada que mais se destacou com um bombardeio de críticas e perguntas a Velez Rodriguez tem apenas 25 anos. Tabata Amaral (PDT) cobrou uma proposta do ministro para a área, chamou-o de incapaz e sugeriu a ele que, diante da falta de projetos, pedisse demissão do cargo: “Mude de atitude ou saia do cargo”. O vídeo viralizou e se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter.

Filha de um cobrador de ônibus e de uma bordadeira e diarista, Tabata deixou a periferia de São Paulo para cursar astrofísica e ciência política na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas do mundo. De volta ao Brasil, ajudou a fundar os movimentos Acredito, que prega renovação nas práticas políticas, e Mapa Educação, voltado para a melhoria da educação. No ano passado decidiu disputar, com sucesso, sua primeira eleição.

A deputada reivindicou que o ministro apresentasse um projeto estratégico para a educação em vez de uma “lista de desejos”. A pedetista disse estar decepcionada com a “incapacidade” de Vélez como gestor.

“Já se passaram três meses e em um trimestre não é possível que o senhor apresente um Power Point com dois, três desejos para cada área da Educação. Onde estão os projetos, as metas, quem são os responsáveis? Isso não é um projeto estratégico. Isso é uma lista de desejos. Eu quero saber onde eu encontro esses projetos? Quando cada um começa a ser implementado? Quando serão entregues? Quais são os resultados esperados? São três meses e a gente consegue fazer mais do que isso.”

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