Redação Pragmatismo
Tragédia 14/Mar/2019 às 14:43 COMENTÁRIOS
Tragédia

A cobertura mórbida de José Luiz Datena sobre o massacre em Suzano

Publicado em 14 Mar, 2019 às 14h43

Erros e exageros inaceitáveis da imprensa sobre o massacre em Suzano vão ser mais lembrados do que os acertos. Além do vídeo deplorável de um repórter da Band perseguindo a mãe de um dos assassinos, Datena exibiu em detalhes vídeos da chacina com direito a pausas para análises mórbidas

Datena massacre em Suzano

A cobertura da imprensa brasileira — principalmente as emissoras de televisão, concessões públicas — sobre o massacre em Suzano (SP) tem sido alvo de críticas diversas.

O vídeo que mostra um repórter da Band News perseguindo a mãe do assassino Guilherme Monteiro pelas ruas de Suzano foi classificado como ‘assédio’ por analistas e observadores da mídia (veja aqui).

“Há limites que, uma vez ultrapassados, acabam manchando o trabalho. Esse vídeo do repórter da Band é um momento que envergonha quem assiste. Às vezes, o sangue frio necessário para decidir o que é aceitável mostrar fica em segundo plano diante da apelação em busca de audiência”, analisa o jornalista Maurício Stycer, especialista em análises de coberturas televisivas.

Stycer chama atenção para a cobertura da tragédia realizada pelo programa ‘Brasil Urgente’, comandado pelo veterano comunicador José Luiz Datena, também da Band.

Durante o dia, em horário inapropriado, o ‘Brasil Urgente’ decidiu mostrar o vídeo de um dos criminosos atirando em direção a funcionários e alunos na entrada da escola. Esse vídeo acabou sendo exibido por outras emissoras, mas de maneira muito mais editada e comedida.

“O vídeo da câmera de segurança da escola que mostra Guilherme descarregando sua arma de fogo nas vítimas foi exibido três vezes, com paradas pedidas por José Luiz Datena para examinar detalhes mórbidos”, observa Stycer. Um internauta afirmou que o vídeo chegou a ser veiculado até quando Datena estava entrevistando familiares das vítimas do massacre.

O jornalista lembra ainda de um outro episódio que deixou uma repórter do SBT em situação vexatória. “A pressão para entrar ao vivo e a pressa a deixaram em situação constrangedora. O vídeo em que tenta entrevistar qualquer pessoa, desesperadamente, sendo rejeitada ou ignorada, já viralizou (ver abaixo)”.

As redes sociais repercutiram a cobertura da grande imprensa:

“O Datena é um cara que implora por chuvas e perseguição policial; é quase tragicômico. Ele falando com especialistas em meteorologia, eles dizem que não vai chover e o Datena diz que acha que vai. No incêndio ontem, ele quase que na torcida para um prédio desabar ao vivo. Mas, não o julgo. Ele não está sendo pago para ser comedido. Uma desgraça a tarde, para o programa, é muito bom. Os anunciantes é que deveriam ser julgados. Odeie o jogo, não o jogador”, comentou um internauta

“A pior delas, na minha opinião, foi pela Rede Globo, que divulgou ao vivo o endereço da casa dos assassinos, inclusive informando o número das residências. Pensem na represália que isso pode gerar aos familiares dos executores. Inacreditável, a imprensa brasileira é absurdamente irresponsável”, comentou outro.

O massacre

Guilherme e Luiz invadiram a Escola Estadual Professor Raul Brasil, onde estudaram, na manhã desta quarta-feira (13), e abriram fogo contra a coordenadora pedagógica, a inspetora e alunos, matando sete pessoas e ferindo outras onze.

No caminho até o colégio, Guilherme parou na loja do tio, Jorge Antônio Moraes, irmão de sua mãe, onde já havia trabalhado, e atirou contra ele. O tio morreu no hospital.

A investigação aponta que, depois do ataque, ainda dentro da escola, Guilherme matou Henrique e, em seguida, se suicidou. A polícia diz que os dois tinham um “pacto” segundo o qual cometeriam o crime e depois se suicidariam.

Os mortos são:

• Caio Oliveira, 15 anos, estudante

• Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, estudante

• Douglas Murilo Celestino, 16 anos, estudante

• Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos, agente de organização escolar

• Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, comerciante, morto antes da entrada dos assassinos na escola; ele é tio de Guilherme, um dos assassinos

• Kaio Lucas da Costa Limeira, 15 anos, estudante

• Marilena Ferreira Vieira Umezo, 59 anos, coordenadora pedagógica

• Samuel Melquíades Silva de Oliveira, 16 anos, estudante

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