Redação Pragmatismo
Tragédia 14/Feb/2019 às 11:27 COMENTÁRIOS

Funcionário da Vale que cantava no vestiário é identificado entre os mortos

Funcionário que cantava no vestiário da Vale é identificado entre os mortos de Brumadinho. O vídeo do operador de máquinas em um momento de alegria ganhou as redes sociais após o desastre

Wilson José da Silva funcionário da vale
Wilson José da Silva

Wilson José da Silva, 53, foi identificado como uma das vítimas fatais do crime da Vale em Brumadinho (MG). Os bombeiros encontraram o seu corpo nesta quarta-feira (13).

O operador de máquinas se tornou conhecido do público depois da divulgação de um vídeo (ver abaixo) em que ele aparece em um momento de alegria ao lado de outros funcionários nos vestiários da Vale.

Wilson cantava a música “Noites traiçoeiras” com os colegas semanas antes do acidente em Brumadinho. A família de não sabe confirmar a data exata da gravação, mas afirma que o vídeo não foi filmado no dia do rompimento da barragem.

“É meu tio no vídeo. São os olhos dele. É de semanas anteriores à tragédia. Um amigo mandou pra gente, ele tinha gravado e nos mandou para consolar a família, ver a felicidade dele no trabalho”, conta Carlos Eduardo, sobrinho de Wilson.

“Ele sempre foi amado por todos. O carinho que ele tinha pelas pessoas era fora do comum. Ele era amado e amava muito o que fazia. Sempre comentou que o sonho dele era trabalhar ali na Vale. Ele achava pouco o que ele fazia. Queria sempre mais. Falava que aquilo era uma família. Era sua segunda família. Infelizmente teve esse acontecido”, diz Carlos Eduardo.

VÍDEO:

Mortos e acordo

As autoridades informaram que já são 166 mortos confirmados em Brumadinho. Os desaparecidos somam 155. Em assembleia realizada na noite de ontem na Câmara Municipal da cidade, parentes de trabalhadores mortos decidiram não aceitar o acordo proposto pela Vale na semana passada.

A Vale apresentou ao Ministério Público do Trabalho uma proposta com os seguintes itens:

(1) Indenização por danos morais numa faixa de R$ 75 mil a R$ 300 mil, dependendo do parentesco com a vítima.
(2) Pagamento mensal correspondente a dois terços do salário líquido do trabalhador morto até a data em que ele completaria 75 anos. (3) Garantia de “emprego ou salário” para os empregados de Brumadinho até o fim de 2019. (4) Plano de saúde para famílias de trabalhadores próprios e terceirizados.

“Hoje, pelo que nós vimos, não vamos concordar com essas propostas. Vamos discutir para sair uma outra proposta”, disse o procurador Aurélio Agostinho Verdade Vieito ao fim da assembleia.

Segundo Vieito, um dos principais pontos a serem revistos é o fato de a maior parte da proposta da Vale não abranger os funcionários terceirizados.

O procurador também lembrou que, por lei, a estabilidade já está garantida para trabalhadores acidentados ou afetados psicologicamente por meio do CAT (Comunicado de Acidente de Trabalho), vigente por um ano. “Teria que ser, no mínimo, três anos de estabilidade”, afirmou.

Gastos em caso de tragédia

Documentos revelaram que a Vale já tinha calculado os gastos que teria em caso de rompimento da barragem em Brumadinho. Um estudo da própria empresa diz que o valor chegaria a 1,5 bilhão de dólares, cerca de R$ 5,6 bilhões, e que a provável causa de um rompimento seria a erosão interna e a liquefação.

O estudo analisou a probabilidade e as consequências do rompimento das barragens que estavam dentro da zona de atenção. Entre elas está a barragem 1, de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A Vale avaliou que teria o mesmo prejuízo com questões econômicas se houvesse ou não um alerta antes do acidente. Já as consequências para a segurança e a saúde das pessoas envolvidas e o potencial de perda de vidas eram bem maiores caso as sirenes não fossem acionadas.

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