Redação Pragmatismo
Educação 23/Nov/2018 às 09:15 COMENTÁRIOS

Colombiano indicado por Olavo de Carvalho é anunciado como Ministro da Educação

Após recuos por pressão da bancada evangélica, Jair Bolsonaro escolhe o colombiano Ricardo Vélez para comandar o Ministério da Educação. Entre outras posições polêmicas, Vélez, que foi sugerido por Olavo de Carvalho, já disse que o "golpe de 1964 precisa ser comemorado"

Ricardo Velez ministro da Educação
Ricardo Vélez, futuro ministro da Educação, é mais um nome de Olavo de Carvalho no governo Bolsonaro

Depois de muita controversa em torno do nome que seria indicado para o Ministério da Educação, Jair Bolsonaro finalmente anunciou o encarregado de comandar a pasta.

O escolhido é o filósofo de extrema-direita Ricardo Vélez Rodriguez, nascido na Colômbia. Assim, ficam pelo caminho as hipóteses de indicação do procurador Guilherme Shelb e do ex-reitor da UFPE Mozart Neves Ramos.

Os recuos se deram em razão de pressões de parlamentares evangélicos, que tinham objeção sobretudo ao nome de Mozart Neves Ramos.

No anúncio, Bolsonaro ressaltou que Ricardo Vélez é autor de mais de 30 obras e é professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Conselhos de ética

O nome de Ricardo Vélez foi recebido com preocupação no meio acadêmico por conta do forte componente ideológico que permeia as publicações do futuro ministro.

Contra o que chama de “ideologização comunista”, Vélez já defendeu até que escolas tivessem “Conselhos de Ética que zelassem pela reta educação moral dos alunos”.

Vélez foi indicado para o posto pelo filósofo Olavo de Carvalho, assim como o escolhido para Relações Exteriores, Ernesto Araújo. As coincidências não param por aí. O colombiano segue o colega nas críticas ao “globalismo”.

Ditadura militar

Vélez escreveu em seu blog um texto no qual diz que o dia 31 de março de 1964, que marca o golpe militar no Brasil, é “uma data para lembrar e comemorar”.

O futuro ministro da Educação compara a instauração da ditadura a outros eventos históricos, como do “dia do fico”, em que dom Pedro se recusa a deixar o Brasil e voltar a Lisboa.

Vélez ironiza o conceito de direitos humanos e faz laudações ao “patriótico papel” desempenhado pelos militares no período. Na única e discreta menção a atos de violência praticados pelo Estado contra civis, afirma apenas que “houve excessos no que tange à repressão”.

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