Redação Pragmatismo
Educação 13/Nov/2018 às 13:00 COMENTÁRIOS

Brasil de Tuhu se dedica a ampliar o Mapeamento Nacional de Projetos de Educação Musical

A meta é mapear mais de 400 projetos que compartilham do objetivo de contribuir para a ampliação da educação musical e fomentar iniciativas em rede

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No ano em que comemora uma década, o programa Brasil de Tuhu, realizado pela Baluarte Cultura e patrocinado pelo grupo Wilson Sons, dedica-se a ampliar o Mapeamento Nacional de Projetos de Educação Musical. O questionário da pesquisa já está disponível no site oficial do projeto (www.brasildetuhu.com.br) e receberá respostas até o dia 14 de dezembro de 2018.

Nestes quase quatro meses, as 240 iniciativas que responderam ao primeiro mapeamento, em 2016, receberão o novo questionário para atualização das informações. Além disso, novos projetos e iniciativas serão contatados para expandir esse panorama. O objetivo é coletar respostas de, pelo menos, 200 novos projetos, a fim de revisar e ampliar o alcance do mapeamento.

O mapeamento está em construção permanente, pois sabemos que existem muitos projetos que não foram alcançados e que, a cada ano, novas iniciativas surgem”, esclarece Paula Sued, sócia e diretora de produção da Baluarte Cultura, empresa responsável pela realização do Brasil de Tuhu.

Nesta versão revista do questionário, serão aprofundadas questões de capacitação profissional, inclusão, acessibilidade e gestão, com o objetivo de aprimorar e atualizar as informações do setor, além de esclarecer a importância da educação musical como ferramenta de transformação social.

Com o resultado, previsto para março de 2019, será possível identificar carências e potencialidades do cenário da educação musical brasileira. Disponibilizado a partir de um sistema de busca no site do programa, o banco de projetos possibilitará que iniciativas da área se inspirem, conversem, somem forças e dividam conhecimentos.

Numerosas ações de educação musical desenvolvidas em todo o Brasil vêm gerando um impacto fortemente positivo na vida das crianças e jovens beneficiados, no campo social, educacional, relacional”, acredita Maya Suemi Lemos, gestora no Centro da Música da Funarte e coordenadora da Bienal Funarte de Música e Cidadania.

Sabe-se, porém, das dificuldades práticas muitas vezes vivenciadas pelos gestores destas ações, e do desafio que representa sua manutenção, crescimento e aprofundamento. Na perspectiva da Funarte, o mapeamento e monitoramento sistemático destas ações em âmbito nacional é uma ação fundamental e estratégica, que permite aferir quantitativamente e qualitativamente os seus resultados, levantar suas necessidades e subsidiar o desenvolvimento de políticas para este nicho específico. Ela dialoga estreitamente com os esforços recentes da Funarte de apoio às ações sócio-musicais, por meio do Prêmio Funarte de Apoio a Orquestras 2015 e da Bienal Funarte de Música e Cidadania 2017, que buscou promover a articulação solidária entre as ações, como caminho para seu fortalecimento”, completa Maya.

O Mapeamento Nacional de Projetos de Educação Musical é desenvolvido em conjunto com a JLeiva, consultoria especializada em pesquisas do âmbito cultural, e conta com parceria institucional da Funarte e patrocínio da Wilson Sons e do Governo Federal, via Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Um resumo do primeiro Mapeamento Nacional

O resultado do mapeamento, realizado em 2016, disponível no site do programa (www.brasildetuhu.com.br/mapeamento), revelou um primeiro olhar sobre as organizações que trabalham diariamente por um Brasil musicalizado, nos permitindo entender como funcionam, onde se encontram e quais seus principais desafios.

A pesquisa verificou que muitas iniciativas são a porta de entrada de crianças e jovens ao universo musical (92% dos participantes destes projetos não tinham qualquer conhecimento prévio de música) e que, mesmo concentradas na região Sudeste (cerca de 52% das iniciativas), acontecem em praticamente todos os estados brasileiros. A maioria dos projetos de educação musical oferecem atendimento gratuito a um grupo especialmente vulnerável no Brasil – os jovens; confirmando, assim, sua relevância social.

Concluiu-se, também, que a maioria dos projetos declararam ser coordenados por profissionais com formação musical, um dado relevante em um setor onde nem sempre os educadores tem formação específica. Contudo, 51% deles aplicam metodologias próprias de ensino, dispensando métodos consagrados, como Suzuki, O Passo ou El Sistema. Além disso, as iniciativas revelaram promover diversas atividades educativas e em sua totalidade trabalham com música brasileira.

A importância do setor para a inclusão é demonstrada pela atenção a questões de acessibilidade. Seis em cada dez iniciativas atendem pessoas com deficiência, e praticamente metade tem interesse em trabalhar melhor o assunto. No entanto, ainda falta a preocupação com a inclusão se estender também ao próprio quadro de colaboradores e funcionários.

Os meios online foram declarados como principais ferramentas de Comunicação, o que não foi surpresa por se tratar de uma área crescente que requer pouco investimento. No entanto, o fato de uma parcela dos projetos se interessar em buscar capacitação na área, pode indicar que essas ferramentas não estão sendo usadas em todo o seu potencial.

Outro enorme desafio declarado para gestão dos projetos foi a dificuldade na captação de recursos: um grande obstáculo apontado pelos entrevistados, deixando claro que as fontes ainda são vistas como insuficientes.

Surpreendentemente, os aportes financeiros de doações diretas contribuem de forma significativa para a manutenção das ações, o que demonstra a importância dessas iniciativas para a comunidade local. Entre os projetos que atingem mais pessoas, as leis de incentivo (sobretudo, a Rouanet) aparecem com vulto maior.

O resultado e a lista completa dos projetos que participaram do primeiro Mapeamento de Projetos de Educação Musical podem ser acessados pelo site: www.brasildetuhu.com.br

Sobre o Brasil de Tuhu

Realizado pela Baluarte Cultura em parceria e com direção pedagógica de Carla Rincón, o Brasil de Tuhu é mantido pela Wilson Sons e pelo Governo Federal, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (Rouanet), patrocínio da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, copatrocínio da Schlumberger e apoio da Westerngeco, Casa do Futuro, Gitec, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS).

Em nove edições foram alcançados 29.855 alunos e professores de 219 escolas públicas, distribuídas por 40 municípios de 13 estados brasileiros – Piauí, Acre, Mato Grosso, Ceará, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Pará.

Com a realização de diversas ações presencias e digitais com o intuito de contribuir para a ampliação da educação musical no país, o programa proporciona além do Mapeamento Nacional, os Concertos Didáticos para alunos de escolas públicas, a Vivência Musical para educadores, o aplicativo Tuhu Musical com jogos educativos para crianças de 2 a 6 anos, o CD Brasil de Tuhu – vol. 1, a Rádio Tuhu com podcasts temáticos, as videoaulas com grandes instrumentistas, a Revista Tuhu onde debatemos importantes aspectos da educação musical e a guia didática Brincando de Música com Tuhu – uma ferramenta de apoio a educadores com referências de exercícios para a prática de musicalização em sala de aula.

Monica e Rafael, Belmira Comunicação

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