Redação Pragmatismo
Eleições 2018 02/Oct/2018 às 23:03 COMENTÁRIOS

Por que Bolsonaro cresceu entre as mulheres após o #EleNão?

Jair Bolsonaro avançou ao menos seis pontos percentuais nas intenções de voto das mulheres logo depois que a hashtag #EleNão saiu da internet e se materializou em manifestações de rua no último sábado

Bolsonaro cresceu mulheres #EleNão eleições 2018
#EleNão levou milhares às ruas no último sábado (29), incluindo artistas

Jair Bolsonaro (PSL) avançou ao menos seis pontos percentuais nas intenções de voto das mulheres logo depois que a hashtag #EleNão saiu da internet e se materializou em manifestações de rua no último sábado lideradas justamente por mulheres.

O crescimento de Bolsonaro no eleitorado feminino, inclusive já ultrapassando Fernando Haddad (PT) neste segmento, foi captado pelos institutos de pesquisa que realizaram entrevistas em campo na segunda e nesta terça.

Segundo o Datafolha, Bolsonaro tem 32% das intenções de voto contra 21% de Haddad, 11% de Ciro Gomes (PDT) e 9% de Geraldo Alckmin (PSDB).

A rejeição do capitão reformado entre as mulheres ainda é a mais alta, mas, de acordo com Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha, o candidato do PSL cresceu 10 pontos entre as mulheres de renda mais alta e ao menos 5 pontos entre as mulheres com renda de até dois salários mínimos.

A reação dos apoiadores de Bolsonaro ao #EleNão começou no dia seguinte, domingo, com manifestações pelo país e principalmente nas redes sociais e foi fortemente baseada em crítica de costumes.

Em comum, perfis de apoiadores de Bolsonaro fizeram viralizar as imagens apresentavam o viés da opositora do candidato ser caricaturada como uma manifestante mais radical contra uma apoiadora mostrada carregando crianças ou vestida de verde-amarelo.

Uma das imagens distribuídas nas redes por apoiadores de Bolsonaro.

Bolsonaro cresceu mulheres #EleNão

A negação do feminismo foi martelada maciçamente durante os dias seguintes à onda do #EleNão. No perfil @MulheresComBolsonaro no Instagram, por exemplo, a ativista de direita Sara Winter aparece numa montagem de fotos sob o seguinte enunciado: “Eu era a feminista mais radical do Brasil, daí eu conheci o Bolsonaro e me curei dessa doença.”

O crescimento de Bolsonaro entre o eleitorado feminino após o #EleNão surpreende, segundo Pablo Ortelado, professor da Universidade de São Paulo: “Na verdade o que se esperava era o contrário, pois o #EleNão era movimento de mulheres tentando afastar outras mulheres do Bolsonaro.”

Não existe associação automática entre a reação dos apoiadores de Bolsonaro e o crescimento do candidato nas pesquisas. Mas o caráter predominante de esquerda do #EleNão pode ter inflado o antipetismo ou, pelo menos, ter ficado confinado a uma bolha.

Segundo uma pesquisa de campo conduzida pela equipe de pesquisadores liderada por Ortelado, só 3% das mulheres da manifestação de São Paulo no último sábado declaravam-se como de centro, centro-direita ou direita, enquanto 88% se disseram de esquerda ou centro-esquerda.

A mobilização foi muito homogênea, foi muito de esquerda. Foram pessoas que já não iriam votar no Bolsonaro celebrando com outras que também não iam votar em Bolsonaro”, diz Ortelado.

O professor emérito da Universidade de Brasília, David Fleischer, afirma que o crescimento de Bolsonaro depois dos protestos de sábado indica que o #EleNão não encontrou ressonância fora do espectro da esquerda.

Há mulheres muito conservadoras ou que estão descontentes com o sistema político atual e não foram afetadas. O #EleNão tem viés ideológico, e acaba não atingindo esse outro grupo de mulheres não ideológicas”, afirmou Fleischer.

Clarissa Passos, Severino Motta e Alexandre Orrico, BuzzFeed

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Comentários

  1. Messias da Luciana Postado em 06/Jul/2019 às 13:59

    Sim, Uma imagem que vale mais do que mil palavras; esta, no entanto vale mais do que um milhão de palavras.

  2. luizmller Postado em 06/Jul/2019 às 13:59

    O identitarismo desprovido do tema da Luta de Classes só joga água no moinho da burguesia. A luta é de classes e Haddad/Lula/PT simbolizam a luta por emprego digno, casa própria, educação para os filhos dos pobres, etc...A luta feminista ou qualquer outra identitária só avança se melhoram as condições de vida da classe trabalhadora. Chega de identitarismo apartidário das ongs e sites venais de Jeorge Soros et caterva.

  3. Robby Souza Postado em 06/Jul/2019 às 13:59

    trouxinhas, vão mesmo pelas pesquisas de ultima hora??? https://uploads.disquscdn.com/images/4f994b818221dfe815f8a11ae8523feac4dc187038b4534311aca3fbc1148554.png