Redação Pragmatismo
Educação 03/Aug/2018 às 17:58 COMENTÁRIOS

Professor explica a Bolsonaro como funciona o sistema de cotas

Diante da falta de informação escancarada por Jair Bolsonaro ao tratar do sistema de cotas no Brasil, professor e ex-ministro da Educação resolveu dar uma 'aula' ao presidenciável e aos seus seguidores

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por Renato Janine Ribeiro*

PARA OS APOIADORES DE BOLSONARO:

Seu candidato cometeu um erro ao falar das cotas. Disse que um branco pode ser reprovado com 9 no vestibular, enquanto um negro entraria com 5. Isso é impossível.

As cotas funcionam assim, nas universidades e institutos federais:

Metade das vagas são de cotas, metade de competição universal. Os 50% de cotistas são para alunos que vêm do ensino público.

As cotas de negros e indígenas ficam dentro desses 50%. Isto é: eles têm que vir do ensino público (portanto, um negro que vem do ensino particular NAO tem direito a cota) e correspondem ao porcentual de negros ou indígenas no Estado.

Nos cursos que exigem notas altas para entrar, como Medicina, a nota terá que ser alta tanto para o cotista quanto o não-cotista. Isto é: pode acontecer de um branco, egresso de escola PARTICULAR, não entrar com nota 5,5 – enquanto um BRANCO, vindo de escola PÚBLICA (e portanto cotista),entre com nota 5. Ou que entre um negro, de escola PÙBLICA, mas o exemplo que Bolsonaro deu não existe.

Insisto: as cotas não são apenas étnicas ou raciais.

Elas são essencialmente para a ESCOLA PÚBLICA, que é onde estão o branco e o negro POBRES.

Não dá para jogar aqui o branco contra o negro (ou o indígena).

Mais um dado importante: antes de serem criadas as cotas, o ensino superior federal tinha CEM MIL vagas de ingresso.

Junto com as políticas de cotas, o total de vagas subiu para 230 MIL.

Portanto, os cotistas NÃO TIRARAM VAGA DE NINGUÉM.

Hoje os não-cotistas têm 115 MIL VAGAS, isto é, 15 MIL a mais do que tinham em 2002.

*Renato Janine Ribeiro é professor titular de filosofia da USP, cientista político e escritor. Foi ministro da Educação do Brasil em 2015. Recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 2001, graças à obra “A Sociedade Contra o Social”

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