Redação Pragmatismo
Polícia Militar 02/Aug/2018 às 22:03 COMENTÁRIOS

Polícia mata jogador de sinuca ao confundi-lo com criminoso

Em ação desastrosa, polícia confunde tacos de sinuca com armas de fogo e atira contra grupo de jogadores que participariam de torneio. Competidor morreu e outros ficaram feridos

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Amigos lamentam morte de jogador de sinuca após ação desastrosa da polícia

José Messias Guedes de Oliveira, de 35 anos, foi morto na noite da última terça-feira (31) após o carro em que ele seguia junto com outros três jogadores ser confundido com o de criminosos em uma abordagem policial na cidade de Campos Sales, interior do Ceará.

Um sobrevivente declarou em boletim de ocorrência que um policial relatou ter recebido ligação de um frentista denunciando que havia homens com fuzis em um veículo corolla branco.

“O meu amigo foi morto pela falta de preparo dos policiais. Eu não sou militar, mas quando se faz uma abordagem e a pessoa não para, eu acho que o correto é atirar para cima, ou no máximo no pneu. Agora você disparar de frente para o carro, sem nem saber quem está dentro, já querendo matar e tudo isso por causa da denúncia de um civil”, contou Gutiely Pereira de Araújo, que também estava no veículo.

O grupo parou em um posto de gasolina da região para lanchar e pedir informações. O frentista que trabalha no local, contudo, confundiu os tacos de sinuca que estavam dentro do carro com armas e acionou a polícia. Durante uma tentativa de abordagem, a polícia disparou diversas vezes contra o veículo.

José Messias foi atingido na região do abdômen. Outras duas pessoas que também estavam no veículo também foram feridas com tiro de raspão e estilhaços de vidro, mas passam bem. Apenas Gutiely não foi atingido. Os quatro amigos saíram de Patos, na Paraíba, e dirigiam-se a São Luiz, no Maranhão, onde participariam do 5º Campeonato Norte/Nordeste de Sinuca.

“Eu fico muito triste, porque depois de sair do posto de gasolina a gente ainda passou por um posto da Polícia Rodoviária Estadual e não fomos parados, a gente só seguiu viagem normalmente. Depois, quando vi a sirene, eu achei a coisa mais normal do mundo, porque uma sirene pode não ser só a polícia. Pode ser um carro dos bombeiros, uma ambulância. Jamais achei que fosse ser uma barricada da polícia pra gente, até porque tinha acabado de passar por um posto da PRE”, desabafa Gutiely.

“Agora tenho só indignação e tristeza. Por dentro, nenhum de nós três está vivo. Querendo ou não, a gente tem que agradecer a Deus por nossas vidas, porque o Wendel foi atingido na cabeça por um tiro de raspão e o Josean foi atingido por estilhaços. Eu perdi um amigo, que eu considerava um irmão. Cara nota mil, tenho nem palavras para falar dele. Um parceiro de todas as horas, tanto momentos bons quanto ruins. Daqui pra frente eu não sei como vai ser”, finalizou.

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Tacos de sinuca dos jogadores

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