Redação Pragmatismo
Eleições 2018 31/Aug/2018 às 14:31 COMENTÁRIOS

Eleições democráticas?

Não faria sentido, após tanta truculência, excepcionalidade, e arrocho à classe trabalhadora deixar a população escolher democraticamente seu presidente, visto que esta escolha é previsível.

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Attilio Giuseppe*, Pragmatismo Político

Nas últimas semanas, alguns importantes e competentes analistas anunciam a provável queda das intenções de voto bolsonarianas e no sentido contrário, uma elevação do número de Alckmin. Baseados no poder econômico dos tucanos, associado ao tempo de televisão e ostensiva propaganda, sustentam que o anacrônico candidato neoliberal estará no segundo turno, no entanto, esta previsão parece descontextualizada.

Desde 2014 a grande mídia adotou uma estratégia que foi além da conhecida manipulação de preferências políticas e ideológicas massificando o perigoso discurso da antipolítica. Nos últimos quatro anos foi criado um ambiente explosivo, bipolarizado e inadequado ao debate, assim, em vias de mais uma eleição, grande parte da população chega com sua ideia de voto já fechada, indisposta a ouvir propostas ou mudar de candidato.

Numa campanha normal, a visibilidade e o tempo de TV exercem papel decisivo na escolha dos eleitores, no entanto, o contexto atual reduziu demais a porcentagem de pessoas flexíveis a este processo. Neste cenário, as chances de Alckmin ficam suprimidas pela popularidade de Jair Bolsonaro e Lula, o último fazendo papel da transferência de votos em direção ao ex-prefeito de São Paulo, professor de Ciências Políticas, Fernando Haddad.

A grande questão é que Haddad estará no segundo turno e nadará de braçadas rumo ao Palácio do Planalto, com o respaldo da figura mais popular e querida dos brasileiros. Alckmin não tem a menor empatia, muito menos apelo popular, com um discurso retórico, propostas frágeis e um “cansaço” que não mobiliza. A esperança da direita ficaria a cargo de Bolsonaro, no entanto, o fascista sofre a maior rejeição entre os postulantes à presidência sugerindo uma vitória petista.

O golpe não teve apenas como objetivos aprovar as reformas, cortar investimentos e leiloar o pré-sal, pois nada disto se sustenta com a volta triunfal do PT após dois anos. Logo, a transição de poder figura como maior obstáculo para enterrar o projeto nacional-desenvolvimentista, principalmente dos governos de Lula.

Não faria sentido, após tanta truculência, excepcionalidade, e arrocho à classe trabalhadora deixar a população escolher democraticamente seu presidente, visto que esta escolha é previsível. Nota-se, que apesar de toda a campanha difamatória à imagem do Partido dos Trabalhadores, a população parece imune a esta tática deixando a memória falar mais alto.

Muita coisa tende a acontecer, visto que as instituições que deveriam assegurar o funcionamento adequado do Estado atuam a serviço de interesses “ocultos”, não sendo obviamente, os mesmos da grande massa de trabalhadores do país.

Mais uma vez seria incoerente no contexto atual, que diante do sufrágio, as instituições espontaneamente voltassem a funcionar assegurando a soberania da população, dois anos após anularem a vontade geral destituindo do poder, uma presidenta sem crimes de responsabilidade.

Não há dúvidas: as eleições estão na mira.

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*Attilio Giuseppe é historiador, professor e colaborou para Pragmatismo Político.

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