Redação Pragmatismo
Polícia Militar 10/Jul/2018 às 10:55 COMENTÁRIOS

Policial atira da janela de casa e mata mulher por engano

“Estou bem. Eu só quero ver a minha namorada”. Policial militar de folga atira da janela de casa e tira a vida de mulher por engano

PM São Paulo Policial atira da janela de casa e mata mulher por engano

Arthur Stabile, Ponte

Estou bem. Eu só quero ver a minha namorada”. É o que repetia sem parar Rhuan Carlos dos Santos Macedo, 19 anos, enquanto recebia atendimento médico, depois de ser baleado nas costas. Ele e a namorada, Brenda Lima de Oliveira, 20, estavam passando de moto por uma rua no Jardim Santo Antônio, na divisa de Poá com Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo. Rhuan demorou para saber que Brenda, que estava na garupa, não tinha resistido ao tiro no peito disparado por um policial militar de folga. O PM Johnatas Almeida Lima e Lima, 21 anos, alegou estar sendo perseguido por um casal, mas o confundiu com os namorados que passavam de moto em frente à sua casa e efetuou os disparos da sacada.

Na versão do PM, registrada no boletim de ocorrência, era por volta de 0h20 de domingo (1/7), ele estava em casa com sua mãe, quando percebeu um casal rondando o local. Durante a tarde, a dupla ficou olhando a sua casa sentado em um banco da praça logo em frente. De acordo com Johnatas, ele ouviu durante o dia um grito de “Vai morrer, policial cagueta!”. Uma operação tinha acontecido horas antes em um conjunto de prédios da CDHU localizado no bairro, mas Johnatas não participou. Ele discou 190 e chamou outros PMs para abordarem o casal. Abordado, eles saíram dali. Ainda de acordo com ele, uma moto estranha passou pela sua rua durante todo o dia e, à noite, uma bomba foi arremessada na sacada da casa dele.

O PM garante que viu as imagens de uma pessoa lançando o explosivo e ficou alerta, na sala, com arma em punho. Ao ouvir um barulho de uma moto saiu na sacada para verificar, quando, segundo Johnatas, um movimento brusco do garupa o assustou, fazendo disparar incontáveis vezes por conta do nervosismo. Brenda foi atingida no peito e morreu. Rhuan foi alvejado nas costas. Nenhuma arma foi encontrada com o casal.

A gente acordou com o barulho da moto caindo, não tinha nem ouvido os tiros”, conta um morador da rua. “Ouvi dois disparos e saí para a rua. A moça já estava caída, não se mexeu”, relembra outro. Os policiais militares acionados para atender a ocorrência compararam os dados do casal abordado durante o dia, que estaria perseguindo Johnatas, com os de Brenda e Rhuan, mas as informações não bateram.

A versão dada por Rhuan é simples. Ferido nas costas, o jovem conta que passou pela rua para mostrar uma casa que estava sendo alugada para Brenda, sua namorada. Os dois moravam próximo dali, no Jardim São José, bairro vizinho do Jardim Santo Antônio. Ele não ouviu nenhum disparo, percebeu que havia algo de errado quando Brenda começou a apertar a sua cintura muito forte. Rhuan dirigia a moto, enquanto a namorada estava na garupa. Depois, ela caiu. O jovem está internado em estado grave no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos.

Ao menos três ônibus municipais foram incendiados na manhã de segunda-feira (2/7) no terminal de ônibus do São José, menos de 1 km do local da morte de Brenda, em protesto.

A reportagem procurou a SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), comandada pelo governador de São Paulo, Márcio França (PSB). A assessoria de imprensa terceirizada da pasta, a InPress, informou que um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil de Poá para apurar o caso, registrado como homicídio simples, e que a PM acompanha o caso.

A Corregedoria da PM e a Ouvidoria das Polícias de São Paulo informaram a Ponte de que estão cientes e acompanham as investigações da ocorrência envolvendo o policial Johnatas Almeida Lima e Lima e o casal Rhuan Carlos dos Santos Macedo e Brenda Lima de Oliveira.

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