Redação Pragmatismo
Saúde 27/Jul/2018 às 10:55 COMENTÁRIOS

Médica perfurou intestino da paciente e ainda debochou de reclamação

Em áudio, paciente que teve intestino perfurado (e ainda está internada) reclamou de comida em secreção e foi ridicularizada pela médica. Rindo, Geysa Leal sugeriu que a vítima comesse a secreção

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A médica Geysa Leal (esq) prestou depoimento em delegacia de Niterói nesta semana

Em resposta a uma queixa de complicação por conta de um procedimento estético, a médica Geysa Leal mandou sua paciente “comer a secreção” que saía da cicatriz.

A vítima, que ainda está internada no Hospital Cardoso Fontes, no Rio de Janeiro, teve o intestino perfurado durante uma lipoaspiração.

As conversas foram registradas em áudios de WhatsApp. A paciente reclamou que mesmo tomando os medicamentos indicados continuava com muita secreção.

“Falei para ela que estava saindo uma secreção. Eu estava muito inchada, ela me receitou vários antibióticos, vários remédios. Voltei para casa com o alívio de algumas horas, mas logo depois começou a doer de novo, começou a inchar de novo”, disse a paciente.

Em outra mensagem, a mulher diz que o caso é sério e que os alimentos que ela ingeriu estão saindo pela cicatriz.

“Eu comi uma sopa no dia anterior que cotinha tomate e agrião. Estava saindo muita secreção e nessa secreção saiu agrião e tomate. Mandei as fotos para ela”, completou.

Em seguida, Geysa responde a paciente em uma mensagem de áudio. Rindo, ela diz para a paciente “provar” a secreção.

“Amore, eu acho que você devia comer pra ver se é verdade, pra ver se é tomate, se é cenoura, porque isso aí pra mim, é gordura. Me desculpe, mas não fale besteira que quanto mais besteira você pensar, pior você vai ficar estressada. E me estressar à toa”, disse Geysa no áudio.

“Como assim comida? Desculpa, está doida? Eu quero que você venha aqui primeiro. Eu preciso ver isso. Comida? Impossível sair comida. Se eu tivesse perfurado alguma coisa, você já tinha morrido. Então, deixa eu ver primeiro antes de você ficar falando besteira. É agrião, daqui a pouco é uma salada de fruta, uma sopa. Se você quiser, você come para provar, pra ver se é uma coisa ou outra. Eu estou brincando, desculpa. Isso é uma falta de respeito com você. Desculpa”, continuou a médica, rindo em uma mensagem de áudio.

Pacientes mortas

A Polícia Civil investiga as mortes de três mulheres após intervenções estéticas no Rio de Janeiro. A mais recente foi a professora Adriana Ferreira Capitão Pinto, 41, que morreu na última sexta-feira (20) após se submeter a uma cirurgia em Niterói, região metropolitana do Rio, no último dia 16 de julho.

A médica Geysa Leal Correa foi a responsável pela cirurgia de Adriana, segundo o depoimento prestado à polícia pelo marido. Ela é sócia da Clínica Soleil Núcleo de Saúde Estética, em Niterói. Embora o registro do Cremerj (Conselho Regional de Medicina) de Geysa esteja ativo, a licença dela não constava Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

De acordo com depoimento do marido de Adriana, a mulher começou a se queixar de falta de ar, desmaiou e morreu. A clínica de Geysa Leal foi interditada nesta quinta-feira (26). A médica já adiantou, em depoimento, que no local não há Centro de Tratamento Intensivo (CTI), nem ambulância.

Rosto deformado

Uma mulher que teve o rosto deformado há 6 anos após realizar um procedimento estético com Geysa Leal também está processando a médica. A ex-paciente, que pediu que sua identidade não fosse revelada, pede reparação por danos morais.

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