Redação Pragmatismo
Política 19/Apr/2018 às 13:45 COMENTÁRIOS

Uma aula sobre Al Jazeera e Al Qaeda para qualquer bolsominion entender

Al Jazeera, Al Qaeda, Al Fafa e Al Fajor: vídeo de Gleisi Hoffmann desencadeia série de piadas, mas também de fake news perigosas. Alguns esclarecimentos básicos são necessários

Gleisi Hoffmann Al Jazeera

A fala de Gleisi Hoffmann para a TV Al Jazeera continua repercutindo nas redes sociais. “Lula foi condenado por juízes parciais num processo ilegal. Não há nenhuma prova de culpa, apenas acusações falsas”, diz trecho da fala da senadora.

Uma das principais críticas do PT no Senado, Ana Amélia discutiu com Gleisi ontem no plenário por causa do vídeo. Em discurso feito na tribuna no início da tarde, a senadora gaúcha chegou a cogitar desrespeito à Lei de Segurança Nacional.

Pré-candidata à Presidência da República, a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) ironizou a senadora Ana Amélia pelas críticas feitas à Gleisi Hoffman.

Em mensagem publicada no Facebook, Manuela disse que Ana Amélia confundiu a TV do Catar com o grupo terrorista Al Qaeda, conhecido pelos ataques de 11 de setembro em Nova York e por ter tido como líder o saudita Osama Bin Laden, já morto.

“Quando uma senadora cria fake news… só resta comer um Al Fajor mesmo”, brincou a deputada em referência ao famoso doce de origem argentina.

Ana Amélia também foi ironizada pelo deputado federal Paulo Pimenta. “Senadora Ana Amélia, Al face, Al fafa, Al môndegas não são a mesma coisa. Importante saber para não comer uma achando que é a outra. Além disso Al Jazerara e Al Qaeda também são coisas diferentes. Explico isso para evitar confundir Alhos com Bugalhos e dizer bobagens”, publicou o parlamentar em sua conta no Twitter.

Para o jornalista Kennedy Alencar, a declaração de Ana Amélia foi preconceituosa e ignorante. “Sobrou preconceito e faltou conhecimento internacional na avaliação da senadora Ana Amélia a respeito da entrevista dada pela colega Gleisi Hoffmann à Al Jazeera. A senadora gaúcha foi preconceituosa ao associar uma entrevista a uma rede de TV de grande prestígio internacional com algum tipo de convocação à violência estrangeira, sugerindo a busca de apoio de extremistas islâmicos. A reação de Ana Amélia estimulou uma onda de preconceito e xenofobia nas redes sociais“, avaliou Kennedy.

A seguir, alguns esclarecimentos didáticos para qualquer propagandeador do fake news entender:

AL JAZEERA: Considerada porta voz do mundo árabe, a Al Jazeera é o maior fenômeno mundial do jornalismo televisivo dos últimos anos. Transmitida 24 horas por dia, a TV tem cerca de 200 milhões de espectadores no mundo. Foi nela que, pela primeira vez, um judeu israelense falou hebraico na TV árabe. Lançada em 1996, a TV hoje é assistida em 130 países e se tornou o carro-chefe dos planos do Catar em aumentar sua projeção e influência para além de suas riquezas em gás e petróleo.

AL QAEDA: A Al-Qaeda, nome árabe que significa “A Base”, é uma organização radical islâmica de atuação internacional que foi fundada no ano de 1988. Essa organização tem duas formas principais de atuação: o terrorismo (praticado por meio de ações como atentados a bomba e sequestros) e o jihadismo (combate armado em locais específicos, como a Síria e o Iêmen). Um dos seus principais idealizadores foi o saudita Osama Bin Laden, e o mais terrível ato de terrorismo atribuído a essa organização foi o atentado de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos.

A origem da Al-Qaeda, como bem explana o investigador independente e filósofo John Gray “está na Guerra Fria. Ela desenvolveu-se no final da década de 1980, durante a luta contra a invasão soviética do Afeganistão orquestrada pelos EUA, pela Arábia Saudita e pelos governos europeus. Com base nas estruturas operacionais que herdou daquela época, tornou-se o primeiro praticante da guerra não-convencional a ser realmente mundial em suas operações”.

Além de treinamento tático e domínio de armamento, os combatentes muçulmanos que lutaram no Afeganistão, no início dos anos 1980, também receberam de órgãos como CIA conhecimento de organização de inteligência militar, isto é, a capacidade de montar um comando avançado de operações. Ironicamente, anos mais tarde, imbuídos de ideologia radical oriunda das ideias de intelectuais muçulmanos como Said Qutb, esses combatentes promoveram ataques coordenados contra os Estados Unidos.

ALFAJOR: O Alfajor é um doce tradicional em países como Espanha, Argentina e Uruguai. O nome vem do árabe (vejam vocês) ‘al hasu’ e significa recheado. A história do alfajor tem origem na cozinha árabe. O doce é composto de duas ou três camadas de massa, que após assadas devem ser levemente crocantes e macias, quase esfarelando, mas firmes, e com recheio de doce de leite, coberto com chocolate derretido ou polvilhado com açúcar de confeiteiro.

ALFAFA: A Alfafa é uma leguminosa de folhagem perene muito nutritiva, sendo considerada importante fonte de cálcio e de fósforo. No Brasil, a alfafa foi introduzida no Rio Grande do Sul (terra de Ana Amélia), a partir de brotos vindos do Uruguai e da Argentina. Entre os principais benefícios da leguminosa estão o combate ao colesterol alto, o combate à anorexia e o combate à retenção de líquido.

Gleisi voltou a se manifestar:

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