Redação Pragmatismo
Saúde 01/Mar/2018 às 15:13 COMENTÁRIOS

Os bens de luxo do casal Renato e Aline Openkoski apreendidos pela polícia

Pais que pediram dinheiro para tratamento do filho e torraram a quantia com viagens e bens de luxo são alvo de operação da polícia. “Apreendemos muito luxo da parte deles, até mesmo uma arma de brinquedo que ele usava para intimidar as pessoas que questionavam a lisura da campanha”

Renato e Aline Openkoski doações para filho
Renato e Aline Openkoski

A Polícia Civil apreendeu, nesta quinta-feira (1), diversos bens de luxo do casal Renato e Aline Openkoski, pais do bebê Jonatas. A operação ocorreu em Joinville (SC) e cumpriu mandado judicial de busca e apreensão.

O casal, que era pobre e não tinha fonte de renda alguma, converteu parte dos milhões de reais arrecadados para o tratamento do filho em viagens e bens de luxo (saiba mais aqui).

Segundo a polícia, foram apreendidos um carro avaliado em R$ 140 mil e uma TV de 50 polegadas avaliada em R$ 6 mil, além de muitos outros itens.

“Apreendemos o carro, uma moto, muito luxo da parte deles, muita documentação de gastos excessivos, alianças, relógios, nota de compras na Colcci de 4 000 reais, perfumes, maquiagens, além de vários objetos que foram doados durante a campanha de arrecadação de recursos para serem leiloados ou rifados e nunca foram”, afirmou a delegada Georgia Marrianny Gonçalves Bastos, titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso.

Agressividade

Ainda de acordo com a delegada, havia dez pessoas na casa no momento da operação e Renato recebeu os policiais com agressividade.

“Eles ficaram assustados e o Renato foi o que reagiu com mais agressividade, ficou batendo no peito que o dinheiro era dele, que ele não roubou nada. Precisamos até fazer uma contenção”, relata.

“Apreendemos também uma arma de brinquedo que ele [Renato] teria usado para fazer fotos e intimidar as pessoas que estavam questionando a lisura da campanha”, afirmou a delegada, que disse ter ouvido ao menos quatro pessoas que foram ameaçadas por questionar o uso do dinheiro.

Todos os objetos apreendidos agora ficam sob a tutela da Justiça até que a investigação seja concluída. “Essa foi uma primeira etapa de apreensão de objetos de interesse da investigação, pois há indícios de que foram adquiridos por meio do dinheiro da doação”, afirmou a delegada.

Entenda o caso

Ao saber da grave condição de saúde do filho, Renato e Aline descobriram que os Estados Unidos haviam acabado de aprovar uma medicação revolucionária (Spinraza) que promete estabilizar a doença e até mesmo recuperar movimentos perdidos em alguns casos.

O problema era o custo da medicação: 350 mil reais por ampola – são necessárias pelo menos seis aplicações nos dois primeiros meses de tratamento e uma aplicação a cada quatro meses em caráter de manutenção.

Era preciso arrecadar pelo menos 3 milhões de reais — e a família iniciou então uma campanha que extrapolou as barreiras do município e chegou até uma comunidade de brasileiros nos EUA, que arrecadaram cerca de 40 mil dólares para ajudar no tratamento do menino.

Os pais criaram uma página no Facebook e outra no Instagram e fizeram rifas, bazares, pedágios, leilões, venda de camisetas, além de receberem doações voluntárias.

Algumas celebridades abraçaram a causa e compartilharam em suas redes sociais o caso do menino Jonatas – entre eles os atores Danielle Winits e André Gonçalves, que doaram integralmente o cachê que receberiam por uma peça de teatro em Florianópolis, além das apresentadoras Ana Hickmann e Eliana, que também divulgaram o caso.

Em pouco mais de dois meses, as doações atingiram a meta. Menos de um mês depois, em maio do ano passado, a soma ultrapassava os 4 milhões de reais.

Nessa época o bebê continuava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital infantil de Joinville lutando para se restabelecer de uma pneumonia e diversas complicações de saúde associadas à doença.

Os desvios

A desconfiança dos doadores de que o dinheiro estaria sendo mal administrado pelos pais começou no meio do ano, após a divulgação de que a meta de 3 milhões havia sido alcançada e o remédio do menino ainda não havia sido comprado.

A a droga é fabricada nos EUA e precisa ser importada, procedimento que demora pelo menos uns 40 dias. Segundo Renato, o atraso aconteceu porque Jonatas estava internado e não tinha condições clínicas de receber a medicação.

Depois, os pais se mudaram de uma casa simples para uma outra muito maior e compraram um carro avaliado em 140 mil. A mudança repentina no padrão de vida chamou a atenção dos doadores, já que a família era de origem simples: antes do diagnóstico Renato trabalhava como palestrante religioso e Aline era estudante.

Além disso, segundo a promotora de Justiça Aline Boschi Moreira, em uma audiência judicial realizada em outubro passado, havia sido acordado que o casal prestaria conta dos recursos arrecadados e das despesas efetuadas, sendo o valor depositado em uma conta judicial. No entanto, isso nunca foi feito.

A gota d’água aconteceu no final do ano, quando Renato e Aline foram passar o Ano-Novo em Fernando de Noronha, um dos destinos turísticos mais caros do país, deixando Jonatas em casa, sob os cuidados dos avós paternos. O casal postou várias fotos da viagem na internet, inclusive com celebridades como Neymar, Bruno Gagliasso e Paula Fernandes.

A viagem chamou a atenção dos doadores, que criaram uma página no Facebook chamando o casal de fraude e levaram o caso ao Ministério Público. Em 16 de janeiro a Justiça determinou o bloqueio das três contas do casal.

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