Redação Pragmatismo
Governo 19/Mar/2018 às 15:30 COMENTÁRIOS

Ministério desmente o próprio ministro sobre munição que matou Marielle

Trapalhada: Três dias depois de o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, dizer que a munição encontrada na cena dos homicídios da vereadora Marielle Franco e de Anderson Gomes havia sido roubada na sede dos Correios na Paraíba anos atrás, a pasta mudou a versão

munição que matou Marielle Raul Jungmann
Raul Jungmann (reprodução)

Nesta segunda-feira (19), o Ministério da Segurança Pública divulgou uma nota mudando a versão do chefe da pasta, Raul Jungmann, que há três dias garantiu que a munição encontrada na cena da execução de Marielle Franco havia sido roubada dos Correios na Paraíba.

Em entrevista coletiva na sexta-feira (16), Jungmann afirmou: “Essa munição foi roubada na sede dos Correios, pela informação que eu tenho, anos atrás, na Paraíba.”

No dia seguinte, os Correios negaram, por meio de nota oficial, haver registro de desvio de carga pertencente à Polícia Federal “no passado recente”.

“A empresa não aceita postagem de remessas contendo armas ou munição, exceto quando autorizado por legislação específica. Neste caso, o tráfego, via Correios, de produtos controlados pelo Exército, submete-se às disposições estabelecidas”, esclareceu o órgão.

Agora, na tentativa de amenizar a declaração falsa de Jungmann, o ministério diz que o líder da pasta “não associou diretamente o episódio da Paraíba com as cápsulas encontradas no local do crime que vitimou a vereadora e seu motorista”.

A nota diz ainda que “o ministro explicou que a presença dessas cápsulas da PF (Polícia Federal) no local pode ter origem em munição extraviada ou desviada e que, ao citar o caso da Paraíba, Jungmann estava dando um exemplo de munição extraviada”.

Munição

A verdade, porém, é que até agora o que está realmente confirmado é o calibre e a origem do lote das munições: 9 mm, UZZ-18. Sabe-se também que o lote foi extraviado da Polícia Federal em 2006. As munições do mesmo lote foram encontradas na maior chacina de São Paulo, em agosto de 2015, quando 23 pessoas morreram a tiros (saiba mais aqui).

Em nota, a PF informou que, além da investigação conduzida pela Polícia Civil pelo crime de homicídio, foi instaurado inquérito no âmbito da PF para apurar a origem das munições e as circunstâncias envolvendo as cápsulas encontradas no local do crime.

VEJA AQUI o que se descobriu até agora sobre a morte de Marielle.

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