Redação Pragmatismo
Rio de Janeiro 08/Feb/2018 às 12:56 COMENTÁRIOS

A foto das crianças da Maré que deveria estampar todos os jornais

"Sem comoção pública, sem nota nos jornais online ou impressos. Sem chamada ao vivo pra ver a situação de quem sofre com esse absurdo. Enquanto a burguesia do privilégio continua se programando pro carnaval a gente tá aqui, invisível, lutando pra ficar vivo [...]"

foto das crianças da Maré estampar todos os jornais

Na última terça-feira (6), uma operação da Polícia Militar no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, matou uma criança de 13 anos, identificado como Jeremias Moraes da Silva, e um jovem de 20 anos, Matheus Fernandes Ribeiro. Não há confirmação do número exato de feridos.

Desolada, a mãe do menino Jeremias afirmou que o filho foi atingido quando voltava do futebol.

“Toda vez que volta às aulas na comunidade é isso. Volta às aulas, começa operação. Parece que eles combinam. Meu filho de 13 anos, servo do senhor, um menino de ouro, estava aprendendo a tocar violão. Eu tinha cinco filhos, senhor, agora só tenho quatro”, disse ela, na porta do Hospital Souza Aguiar.

“Quantas mães não estão passando por isso? A gente vê o noticiário na televisão e acha que nunca vai acontecer com a gente. E agora aconteceu comigo, e daqui a pouco outra. Que Deus abençoe todas as mães, dê força. Meu marido não tem chão”, acrescentou.

No noticiário, os telejornais e jornais impressos preferiram destacar os danos ao tráfego de veículos causado pela operação. “Operação na Maré fecha as 3 principais vias do Rio”, destacou a TV Globo. “Confrontos na Maré fecham três vias expressas”, publicou o jornal O Globo, do mesmo conglomerado.

Enquanto isso, no Facebook, a página Maré Vive retratava a verdadeira dimensão do que ocorria na comunidade, através da publicação de uma imagem tocante e de um desabafo genuíno. Reproduzimos abaixo:

“Já estamos indo pra 10 horas de operação policial aqui na Maré. Os tiros não cessam, confrontos de grosso calibre em praticamente todo o Complexo.

Estamos encurralados por esse estado assassino, que diz não ter dinheiro pras coisas básicas dos cidadãos, mas investe pesado na guerra aos pobres. Já temos mais de 3 pessoas baleadas. E uma delas corre sério risco de falecer. (edit: 2 pessoas morreram na operação)

Sem comoção pública, sem nota nos jornais online ou impressos. Sem chamada ao vivo pra ver a situação de quem sofre com esse absurdo.

Enquanto a burguesia do privilégio continua se programando pro carnaval a gente tá aqui, invisível, lutando pra ficar vivo.

Eu passei por essa situação da foto quando criança. Muita gente da minha geração passou por isso. Hoje estamos vendo nossos filhos.. que dor. que dor..”

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