Redação Pragmatismo
Lula 27/Oct/2017 às 16:09 COMENTÁRIOS

Uma mensagem para Lula em razão de seu aniversário de 72 anos

Lula, 72 anos. "Eu gostaria de ser um pouquinho só original. Mas não consigo. Então, por ausência absoluta de originalidade, recorto um trecho do que escrevi para o dia em que Lula visitou o bairro onde passei a minha infância...". Por Urariano Mota

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por Urariano Mota*

Milhares, milhões de mensagens vão chegar para o presidente Lula neste dia do seu aniversário. Tantas e justas mensagens.

Aqui do meu canto, sem ter mais o que dizer além de que o Brasil ama Lula, que os brasileiros o desejam como um irmão, como um guerreiro que não dá trégua, como um lutador sem descanso, nem mesmo paz. Incapaz de não me repetir, de não mencionar a sua obra de inclusão e de esperança que fez chegar aos fodidos de sempre, eu gostaria de ser um pouquinho só original. Mas não consigo. Então, por ausência absoluta de originalidade, recorto um trecho do que escrevi para o dia em que Lula foi ao bairro de Água Fria, no Recife, bairro central da minha infância. Num trechinho foi assim:

Súbito há um estouro, não de fogos nem de boiada. Há um rumor que cresce, que se torna incontrolável, que mais lembra um orgasmo coletivo, sofrido, querido e esperado. É Lula! É Lula! Todos gritam. Os berros se fazem ouvir mais alto, ensurdecedores. Mulheres, meninos, homens chamam a atenção do Presidente, querem chamá-lo, e ele não sabe para que lado se dirija. Na hora, uma ideia tenebrosa me ocorre: se caísse um raio aqui, neste exato instante, todos morreriam felizes. Mas essa ideia não atinge palavras. Lula vem para o nosso lado. É ele. A minha fotógrafa se esquece em absoluto de mim, o repórter, e avança para o círculo estreito onde todos lhe querem tocar a mão. Aos gritos. Aos prantos. Aos empurrões.

A última vez em que vi algo semelhante em Água Fria foi em 1965, no último dia de carnaval. Tocou Vassourinhas e não havia força que contivesse o gozo da multidão em fúria. Agora sem frevo, sem orquestra, desta vez a multidão delira como se estivesse diante de um astro pop. O presidente passa a ideia de um santo, porque tem poderes para ajudar os que padecem, e de fascínio, porque mostra como um homem do povo consegue ser importante. Por isso as mulheres gritam, “Lula, meu lindo!”, por isso os homens apertam-lhe a mão, com força e calor, por isso os meninos levantam a cabeça, todos os meninos pobres levantam a cabeça. Então eu percebo que os periféricos não se embriagam somente de álcool e frevo. De Lula também se embriaga a gente”.

Parabéns, eterno presidente do Brasil.

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*Urariano Mota é jornalista do Recife. Autor dos romances “Soledad no Recife”, “O filho renegado de Deus” e “A mais longa juventude”.

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