Redação Pragmatismo
Lula 12/Sep/2017 às 10:40 COMENTÁRIOS

"Atingiu o Lula, atingiu a gente. Vamos pra cima, pode acreditar"

"Pode acreditar: atingiu o Lula, atingiu a gente. Nós vamos pra cima". No Piauí, Lula é recebido com gratidão e promessas de resistência à perseguição sofrida. “Pelo que ele fez com a nação pobre querem crucificar ele. Vão crucificar junto com o trabalhador”

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Cláudia Motta, RBA

Até 2005, ter uma clientela fixa era um sonho distante para cerca de 1.500 famílias produtoras de mel em 26 municípios do Piauí. Vender sua produção para outros países, então, nem passava pelo pensamento. No entanto, em julho daquele ano foi criada a Casa Apis, no âmbito do Programa de Geração de Emprego, Renda e Combate à Pobreza no Nordeste Brasileiro (Promel). Por meio da implementação de uma agroindústria de tecnologia moderna e competitiva, com produção dinâmica e de qualidade, a Casa Apis vem fortalecendo o cooperativismo e mudando a vida dessas famílias.

A Casa Apis esteve em festa hoje para receber a vista da caravana Lula pelo Brasil ­–em seu 17º dia de viagens pelo Nordeste. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conhecer o resultado desses 12 anos de atividade, parte dela estimulada durante sua gestão e do governador Wellington Dias (PT, 2003-2010 e atual) – com ações de crédito e qualificação profissional e de gestão por meio de organismos como Banco do Nordeste, Fundação Banco do Brasil e Sebrae.

Quando eu assumi a presidência a gente achava que o Piauí era o estado mais pobre do Brasil, tanto que o Bolsa Família foi lançado na cidade de Guaribas. Era porque o pequeno produtor estava fora da economia”, disse Lula, que recebeu também título de cidadão picoense. De fato, como sempre lembra Wellington Dias, o estado terminou o século 20 com o IDH mais baixo do país, na casa de 0,500, e com PIB de R$ 7 bilhões. Hoje o IDH está acima de 0,713 e o PIB em R$ 38 bilhões. O empreendedorismo solidário e o cooperativismo – acompanhado de uma consistente política educacional, desde o ensino básico ao superior, são parte desse desenvolvimento

Eu vi ali em uma sala um barril com 200 quilos de mel. Hoje aquilo não vai pra Garanhuns, vai para os Estados Unidos. Quando aquele cara se reúne em uma reunião chique lá nos Estados Unidos, ele vai beber a inteligência do povo do Piauí”, observou o ex-presidente. Na cooperativa, a produção de mel orgânico já é considerada de qualidade superior ao padrão internacional. A Casa Apis atua ainda na formação especialistas em tecnologia apícola. O Brasil é o 9º produtor mundial de mel. “Por isso, quando resolvi fazer faculdades, universidades e escolas técnicas, as pessoas achavam que só fábrica gerava emprego. Mas eu fui descobrir que universidade é uma fábrica de produzir inteligência, de produzir conhecimento. Um produto que não perde a validade. Então, ao invés de poluir com fumaça, a gente ‘poluiu’ com conhecimento”, afirmou o ex-presidente.

Diretor da Cooperativa de Apicultores do Piauí (Melcoop), José Erenildo de Carvalho, 25 anos, conta que a Casa Apis tem enorme importância para os produtores. “Hoje temos comercialização garantida, antes a gente não tinha. Temos volume de renda e nossa produção hoje é algo extraordinário para nossas famílias e para a nossa região. A Casa auxilia os produtores a vender, a alcançar certificações que agregam valor e também em questões sociais”, conta. Em 2017, já foram R$ 150 mil de injeção de recursos em Massapé para cerca de 20 famílias. Produção de 12 toneladas de mel este ano, mesmo com a seca.

E há preocupação com uma vida melhor, mais sustentável. E também com o meio ambiente, que atualmente é muito relevante no Semiárido, com os desafios que a natureza tem nos trazido. A atividade apícola, por si só, está em consonância com a natureza. Precisamos conservar o meio ambiente já que precisamos dele para essa atividade”, destaca José Erenildo. Segundo o diretor, o produtor sozinho jamais conseguiria exportar mel orgânico para Estados Unidos, Alemanha, entre outros países. “E hoje existe a venda dos nossos produtos internamente, está despontando um melhor mercado interno no Brasil.

A Melcoop tem associados distribuídos nos municípios de Anízio de Abreu, Belém do Piauí, Itainópolis, Batalha do Piauí, Pio IX, Francisco Santos, Marcolândia, Calderão Grande do Piauí, Padre Marcos, Piripiri, Santana do Piauí, Simões, Valença, São João da Canabrava, Barro Duro, Campo Maior, Piracuruca, Piripiri, São Raimundo Nonato, Patos do Piauí, Jaicós, Acauã, Campo Grande do Piauí, Inhuma, Massapê e Monsenhor Hipólito, no Piauí, e Barbalha, no Ceará. Para o diretor, é uma conquista. “É fruto do governo Lula, das políticas públicas desenvolvidas no seu governo.”

Conhecimento

A presidenta da Associação da Comunidade Quilombola dos Potes, de São João da Varjota, Maria Irene de Sousa não perdeu a oportunidade de estar com Lula, em Picos. Moradora da comunidade quilombola dos Potes, em São João da Varjota, ela leva um sentimento de gratidão. “Foi ele quem nos ajudou a crescer no nosso município em termos de projeto de associação, que nos deu conhecimento de como arrumar moradia. E a associação foi lá, e muitas moradias para o município”, conta.

Outra conquista, segundo ela, foi a ampliação da produção artesanal de utensílios de argila, graças a cursos que receberam por meio de incentivos. “Através do nosso trabalho aqui com argila, que aprendemos de geração em geração, a gente está sobrevivendo. Antigamente era a panela e o pote. Hoje a gente constrói vários produtos através do conhecimento que a gente teve, para botar as coisa tudo bem feita. E a gente se acha muito grande através de Lula.”

Sequilhos

A vida melhorou também para mulheres que tiveram oportunidade de aprender a se organizar e fizeram dos sequilhos mais que uma tradição de família, passada de geração em geração, de mãe para filha, como conta Marinei Maria dos Santos, 48 anos. “Ela fazia, aprendeu já com a avó dela e foi passando de geração para geração e aí esse conhecimento a gente repassa também para as companheiras do movimento, aonde ainda não se faz, não se produz”.

Maria Antonia de Oliveira Costa, 71 anos, do Movimento dos Pequenos Agricultores, diz que há tanta melhoria na vida que acha até difícil explicar. “É tanta coisa boa que aconteceu, é coisa boa demais. Porque até pra renda, renda da gente, aumentou muito. Porque a gente faz isso aqui e entrega para o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), da agricultura familiar”, diz. No entanto, ela teme os reveses por conta da política de Michel Temer. “Agora daqui pra frente, com aquele demônio lá (risos) – é como eu chamo o homem: demônio – a gente não sabe como vai ficar.”

“Dá uma revista”

A parteira tradicional Antonia Vieira Santos Sousa, 58 anos, de Campo Grande do Piauí, fez pelo menos 500 partos. Ela conta que se tivesse de contar todas as melhorias em sua vida com o governo Lula, “daria uma revista, sabe?”. Mas o que ela destaca são mudanças, para melhor, no seu trabalho. “Recebi certificado, bolsas do governo federal, balão de oxigênio, tudo para eu trabalhar no parto. Tudo o que eu não recebi dos outros governos.”

Mas no seu modo de avaliar a história de sua vida, e os dias de hoje em dia, Antonia teme que a fome volte. “Porque esse governo que está aí, isso não é governo. Isso aí precisava ter quatro Lula, um em um canto do país, outro em outro, outro no outro. Mas só tem um pra acudir. Ele que volte. Ele vai voltar se Deus quiser. Nós queremos ele de volta. Nós não queria nem que ele saísse, porque antes nós andava de pé e de jumento, né? Agora nós andamos de carro e de moto”, conta.

A melhoria nas condições de vida dos mais pobres, sobretudo do sertão nordestino, é a razão que ela desconfia mover a perseguição contra o ex-presidente. “Porque ele fez isso com a nação pobre querem crucificar ele. Mas vão crucificar junto com o trabalhador. Eles podem acreditar: se atingir o Lula, atingiu nós. Vamos pra cima. Não tem jeito, a guerra começa.”

Varredora de ruas de Inhuma, Maria José, “me chamam de Peteca“, também estava no meio da multidão que foi receber a caravana. Ela conta que o marido se chama Luiz, mas todo mundo chama ele de Lula. “Não é por causa do presidente, mas que eu gosta, gosto.” Estar perto de gente como Peteca fez o governador Wellington Dias estender a mensagem de reconhecimento e apoio. “Cada pancada que dão em você, presidente, estão batendo no povo, em cada um de nós.”

Teresina

Como tem ocorrido ao longo da caravana, o trajeto entre uma agenda programada e outra é encorpada com compromissos relâmpago de saudações em diversas paradas pelo caminho. O percurso de Picos a Teresina, concluído já na noite deste sábado (2), teve paradas em Povoado Planalto, Ipiranga do Piauí, Inhuma, Passagem Franca, Miguel Leão, Barro Duro, Monsenhor Gil, Demerval Lobão.

Na chegada à capital piauiense, o ex-presidente se dirigiu à Vila Irmã Dulce, onde terá agenda fechada. Na manhã deste domingo (3), vai a Altos, vizinho a Teresina, para o ato “Mais Habitação, Mais Cidadania”, às 9h no Ginásio Guilherme Melo. Em seguida volta à capital, às 11h30, para o evento “O Brasil não abre mão de seu Futuro”, no Teresina Hall.

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