Redação Pragmatismo
Governo 06/Jul/2017 às 19:44 COMENTÁRIOS
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URGENTE: Polícia Federal anuncia fim da Lava Jato em Curitiba

Publicado em 06 Jul, 2017 às 19h44

Fim das ações da Lava Jato em Curitiba fez com que internautas resgatassem famoso áudio de articulação que antecedeu a queda de Dilma Rousseff: "A solução mais fácil para estancar a sangria era tirar ela e botar o Michel. Num grande acordo, com Supremo, com tudo"

Polícia Federal Lava Jato Curitiba

Em comunicado à imprensa, a Polícia Federal anunciou nesta quinta-feira (6) que o grupo que atuava na força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba será desfeito.

De acordo com a nota da PF, o atual efetivo na Superintendência Regional no Paraná será adequado à demanda e “reforçado em caso de necessidade”. O órgão justifica a medida como uma realocação de pessoal.

Na prática, porém, a medida representa o fim das ações da Lava Jato em Curitiba. O anúncio veio pouco mais de um mês após o corte de verbas destinado à Lava Jato e à Superintendência da Polícia Federal do Paraná, que tiveram quase um terço de seu orçamento cortado neste ano pelo governo Michel Temer.

O Ministério da Justiça destinou para ambos R$ 20,5 milhões – R$ 3,4 milhões para os gastos extras da operação – ante os R$ 29,1 milhões de 2016, dos quais R$ 4,1 milhões especificamente para a Lava Jato. A queda representa um percentual de 29,5%.

O corte representou uma asfixia aos trabalhos da Operação Lava Jato, com consequências diretas em pagamento de diárias, realização de diligências e outras ações necessárias à continuidade da operação.

Em 2014, por exemplo, no início da Operação Lava Jato, os recursos para a Superintendência do Paraná cresceram 44%, saltando de R$ 14 milhões em 2013 para R$ 20,4 milhões. Já em 2015, manteve-se o mesmo nível de gastos autorizados pelo governo federal, ainda sob o comando da ex-presidente Dilma Rousseff.

Ontem (5), o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que integra a força-tarefa, já havia comentado sobre a liberação de recursos para emendas parlamentares pelo governo federal. Segundo o procurador, “Temer libera verbas à vontade” para salvar seu mandato e asfixia a Polícia Federal.

“A Polícia Federal não tem mais dinheiro para passaporte. A Força-tarefa da Polícia Federal na operação Lava Jato deixou de existir. Não há verbas para trazer delegados”, afirmou Carlos Fernando.

“Estancar a sangria”

O fim do grupo de trabalho da Polícia Federal na Lava Jato remete a um famoso áudio divulgado pela própria PF há pouco mais de 1 ano (relembre aqui).

Na época, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), braço direito de Temer, e o ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado, afirmaram que a única saída para interromper as investigações da Lava Jato era tirar Dilma Rousseff da Presidência da República e alçar Michel Temer ao poder.

JUCÁ – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
[…]

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

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