Redação Pragmatismo
Direita 23/Fev/2017 às 12:03 COMENTÁRIOS
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Ídolo da extrema-direita nos EUA faz polêmica declaração sobre pedofilia

Publicado em 23 Fev, 2017 às 12h03

Considerado um popstar da nova direita nos EUA, Milo Yiannopoulos ganhou notoriedade por sua postura provocadora sobre raça, sexualidade e religião. A mais recente polêmica envolvendo o seu nome gira em torno de estupro e pedofilia e culminou em pedido de demissão

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Milo Yiannopoulos, astro da extrema-direita nos EUA

O editor do site ultradireitista Breitbart News Milo Yiannopoulos anunciou nesta terça-feira (21/02) que deixará o cargo após se envolver em uma forte polêmica por declarações relativas à pedofilia.

Yiannopoulos é visto como um dos porta-vozes do movimento alt-right (“direita alternativa”) nos Estados Unidos.

Yiannopoulos trabalhava para o veículo que era comandado até pouco tempo atrás por Steve Bannon, atual estrategista-chefe da Casa Branca e uma das figuras mais próximas ao presidente do país, Donald Trump, desde a campanha eleitoral.

Em um pronunciamento a jornalistas em Nova York, Yiannopoulos anunciou que deixaria o cargo. O editor do Breitbart News disse que essa foi uma decisão tomada por ele próprio e que lançará nos próximos dias seu próprio site.

“O ‘Breitbart’ me permitiu apresentar ideias conservadoras e liberais a comunidades que, de outro modo, nunca as teriam ouvido. Sou grato por essa liberdade e pelas amizades que construí lá”, disse Yiannopoulos.

O agora ex-editor do Breitbart News foi muito criticado após a divulgação de um vídeo em que ele falava sobre um encontro sexual que teve quando era adolescente com um sacerdote católico, sugerindo que relações sexuais entre adultos e crianças eram normais.

Yiannopoulos, britânico de 33 anos, se defendeu pelo Facebook e afirmou que não apoia a pedofilia. Além disso, garantiu que as imagens foram propositalmente editadas dentro de um “esforço coordenado” para desacreditá-lo entre os republicanos.

Hoje, o jornalista revelou que foi estuprado por dois homens quando tinha entre 13 e 16 anos. “Minha experiência como vítima me levou a crer que poderia dizer qualquer coisa sobre o assunto, à margem do escândalo que poderia provocar”, disse.

“Mas entendo que minha habitual mistura de sarcasmo britânico, de provocação e de humor negro poderiam ser confundidos com frivolidade, a falta de cuidado de outras vítimas ou, pior ainda, a defesa [da pedofilia]”, completou o ex-editor.

O pedido de demissão do site pró-Trump ocorreu um dia depois que a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) cancelasse o convite feito a Yiannopoulos para participar do encontro, que começa hoje (23) e se estende até o próximo sábado.

O presidente da União Conservadora Americana (ACU, na sigla em inglês), Matt Schlapp, que organiza a conferência CPAC, disse que cancelou o convite de Yiannopoulos “devido à revelação de um vídeo ofensivo em que aprova a pedofilia”.

“Sabemos que o senhor Yiannopoulos respondeu no Facebook, mas isso é insuficiente. Ele deve responder a perguntas difíceis e o instamos a assumir esses comentários perturbadores”, diz a mensagem de Schlapp.

Conteúdo da gravação

Além de falar sobre a relação sexual que teve com um sacerdote quando ainda era menor de idade, Yiannopoulos diz na gravação que as relações entre “garotos mais jovens” e homens mais velhos poderia ser uma “relação de amadurecimento… na qual esses homens mais velhos ajudam os meninos a descobrir quem são”.

No mesmo vídeo, tenta justificar que não está defendendo a pedofilia. “Pedofilia não é atração sexual por alguém de 13 anos que é sexualmente maduro, é atração por crianças que não atingiram a puberdade”, disse.

Twitter

Yiannopoulos incitou ódio contra a atriz negra Leslie Jones no Twitter, o que lhe rendeu a expulsão da rede social. Leslie foi alvo de uma série de tuítes racistas e sexistas.

O jovem de extrema-direita se descreve como um “libertário cultural” e um “fundamentalista da liberdade de expressão”, que se opõe à ideia de justiça social e do politicamente correto. Diz-se ainda um lutador contra o feminismo e que a ‘cultura do estupro’ não passa de um ‘mito’.

com informações de EFE e BBC

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